Acusado de matar Sashira será julgado em Feira de Santana. Crime teve motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima

Acusado de matar Sashira será julgado em Feira de Santana. Crime teve motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima

O principal acusado do feminicídio da jovem Sashira Camilly Cunha, ocorrido no dia 16 de setembro de 2021, vai ser julgado pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (10), no Fórum Filinto Bastos, na cidade de Feira de Santana, a 404 quilômetros de Vitória da Conquista. Rafael Souza Lima era namorado da vítima, que tinha 19 anos quando foi assassinada, e o Ministério Público o aponta como mentor do crime, praticado no povoado de Itapirema, distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista.

O julgamento de Rafael foi desaforado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), a pedido da defesa do réu, sob a alegação de que a comoção gerada em torno do caso poderia afetar a imparcialidade dos jurados e a segurança do júri.

O réu, que teria contado com a participação de dois amigos dele, responde por feminicídio qualificado, com três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A acusação ainda inclui de ocultação de cadáver.

Segundo as investigações, Rafael, combinou um encontro com Sashira na véspera do crime. Ele teria entrado em contato com o amigo Filipe dos Santos Gusmão para que este conseguisse uma pessoa para ajudá-lo a “se livrar do carro” da vítima. Filipe entrou em contato com outro amigo, Marcos Vinicius Botelho Fernandes de Almeida, que o ajudaria a vender o veículo. O valor da venda do carro seria usado por Rafael para recompensar Filipe e Marcos.

No dia do crime, porém, de acordo com a denúncia, “após atacar a vítima com golpes de faca, Rafael não teria tido coragem de consumar o crime”, pedindo, novamente ajuda a Filipe, que pediu um veículo de aplicativo para levar Marcos até o local onde estava Rafael. Lá, os dois teriam matado Sashira.

Para a advogada Luciana Silva, assistente da acusação, a expectativa é de que o júri represente não apenas uma resposta judicial a um caso concreto, mas também um posicionamento da sociedade contra a violência de gênero. “A decisão não muda o passado, mas define o futuro que desejamos: um futuro em que o feminicídio não seja tolerado e em que as mulheres não tenham suas vidas ceifadas por um crime tão bárbaro, hediondo e cruel”, destacou a advogada.

FOTO DESTAQUE: REPRODUÇÃO DA INTERNET (PORTAL CUBO)

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