Histórias que o BLOG contou e quase ninguém ligou, mas era para levar a sério 1: A bala perdida na Prefeitura da Zona Oeste
Era manhã do dia 7 de março de 2019, quando, vinda não se sabe de onde, mandada não se sabe por quem, uma bala de arma de fogo teria atingido o setor de atendimento ao público da Prefeitura da Zona Oeste (PZO), uma estrutura improvisada com de stands ligados por paredes de compensado, dentro do Espaço Cultural Glauber Rocha, onde funcionavam um gabinete para reuniões do então prefeito Herzem Gusmão com lideranças daquela região da cidade e salas de apoio.

Isso foi há mais de sete anos, em uma quinta-feira especialmente quente em Vitória da Conquista. De acordo com os informes oficiais, a bala rasgou a parede de compensado e caiu sobre uma mesa na parte da manhã daquele dia, mas só foi encontrada à tarde e guardada em um armário até que alguém decidisse de que forma o incidente seria divulgado, o que só ocorreu à noite.
Passava das 20h30, quando os jornalistas de Vitória da Conquista receberam uma nota enviada pela Secretaria de Comunicação, relatando o episódio, com um atraso de cerca de 12 horas. A nota dizia que uma bala teria atingido uma das salas da Prefeitura da Zona Oeste, mas acertou ninguém
Soube-se mais tarde que um grupo de servidores estaria orando na sala na hora que o tiro chegou. Por milagre, segundo o Blog da Resenha Geral, o servidor que se sentava exatamente no local onde bala surgiu, não estava na hora e foi salvo do que poderia ser uma tragédia.
A publicação da Blog da Resenha Geral detalhava que em mensagem no grupo da Prefeitura Móvel no WhatsApp, o coordenador do Comitê Gestor da Prefeitura Móvel, Wal Cordeiro, contou que o colega Wando Mathias teve um livramento, porque não estava no local na hora que a bala atingiu a sala.
“A bala perdida atingiu o local onde Wando estaria”. Para Cordeiro, a oração dos colegas salvou Wando. Pela postagem disponibilizada pelo Blog da Resenha Geral não dava para saber se Wando não foi trabalhar naquela dia ou apenas dera uma saída rápida do setor.




O assunto durou cerca de uma semana e depois de render debates da imprensa, envolver a polícia e gerar todo tipo de especulação, caiu no esquecimento. Mas não antes de dar espaço a teorias de conspiração. Um dos mais importantes radialistas da cidade, ligado ao prefeito Herzem Gusmão, chegou a afirmar que se tratava de um atentado politico.
No dia seguinte, em seu editorial no programa Sudoeste Acontece, da Clube FM, Humberto Pinheiro disse que a ‘bala perdida’ tinha endereço, seria o instrumento de um atentado político. “A mim, parece que essa é uma atitude de agressão política, porque não se registrou nenhum fato de briga no entorno da prefeitura, do gabinete da Zona Oeste. Na minha avaliação, é um atentado de natureza política, eu não tenho a menor dúvida, ainda que não possa ter aqui provas substanciais que possa embasar o que estou colocando aqui. Mas, eu sou obrigado a admitir que tenha fundo de um atentado de iniciativa política”, disse Pinheiro.
Depois dele, o silêncio. O episódio teve características de literatura policial, narrativa folhetinesca, tons religiosos e até foi atribuído a um atentado político, porém, mais de sete anos depois, nenhum esclarecimento foi dado.
Nem a Prefeitura, nem a polícia (em especial a delegada Jaqueline Ferreira, da 2ª Delegacia Territorial, que estava à frente das investigações) disseram mais nada. E a ‘bala perdida’, apesar da gravidade que a envolve, depois de cair na mesa de uma sala da Prefeitura da Zona Oeste, em Vitória da Conquista, caiu no esquecimento.
Resiste apenas a nota orfã da Secom no site da PMVC.


