Entidades pedem anulação de júri que absolveu cigano acusado pelas mortes de dois PMs em Vitória da Conquista em 2021

A decisão do Tribunal do Júri que absolveu, na quinta-feira (14), Rodrigo da Silva Matos, acusado pelas mortes do tenente PM Luciano Libarino Neves e do soldado Robson Brito de Matos, assassinados em julho de 2021, em Vitória da Conquista, continua repercutindo entre familiares, representantes da segurança pública e integrantes da Polícia Militar da Bahia.
Representantes da Força Invicta e da Associação de Praças da Polícia e Bombeiro Militar da Bahia (APPMBA) participaram ontem (19) de uma reunião no Comando de Policiamento da Região Sudoeste (CPRSO), com a presença do comandante, coronel Paulo Henrique Guimarães, e familiares das vítimas, para discutir os desdobramentos do julgamento e os próximos encaminhamentos jurídicos relacionados ao caso.
Após o encontro, integrantes das entidades estiveram no Fórum Criminal de Vitória da Conquista acompanhando os procedimentos ligados ao processo.
Segundo o presidente da Força Invicta, major Igor Rocha, a associação já iniciou, junto à assessoria jurídica criminal, os trâmites necessários para buscar a anulação do júri popular.
“Não estamos falando apenas de um processo judicial. Estamos falando de dois policiais militares mortos em serviço, de famílias devastadas e de uma categoria que acompanha esse caso com profunda indignação. Nosso compromisso é acompanhar cada etapa dentro da legalidade e garantir o suporte necessário às famílias”, afirmou.
O advogado criminalista Vivaldo Amaral, que atua junto ao jurídico da Força Invicta, afirmou que a entidade passou a acompanhar o caso após ser procurada pelos familiares depois da conclusão do julgamento.
“Após a leitura dos autos, entendemos tecnicamente que a decisão do júri foi manifestamente contrária às provas do processo. Os autos demonstram, com clareza, que os militares foram executados. Acreditamos que o Ministério Público possa reverter essa decisão e obter a anulação do julgamento para que um novo júri popular seja realizado”, declarou.
Segundo o advogado, a Força Invicta não acompanhava anteriormente a tramitação do processo porque os policiais mortos não integravam o quadro associativo da entidade e, por isso, as informações não chegaram previamente à associação.
“A família procurou a Força Invicta após o resultado do júri e, a partir de agora, o jurídico criminal da entidade passa a atuar de forma alinhada ao Ministério Público na busca das medidas cabíveis”, completou.
Durante a reunião realizada em Vitória da Conquista, familiares relataram sofrimento e indignação diante do resultado do julgamento.
A viúva do tenente Luciano, Sara, afirmou ter ficado “estarrecida” ao descobrir a absolvição e disse que não sabia da realização do júri naquela data, tomando conhecimento do julgamento apenas posteriormente.
Já o pai do soldado Robson Brito, senhor Gildemar, que acompanhou o júri presencialmente, afirmou ter percebido uma mudança no rumo do julgamento ao longo da sessão, situação que aumentou a angústia da família diante do resultado final.
Para as entidades que acompanham o caso, a mobilização agora busca garantir que os próximos passos jurídicos sejam conduzidos dentro da legalidade, ao mesmo tempo em que as famílias seguem recebendo apoio institucional e acompanhamento diante da repercussão causada pelo julgamento.


Com texto original da jornalista Vitória Viana



