​Cidade “pistiada”: quando a propaganda eleitoral sufoca o espaço urbano – Coluna de Ronnie Peterson

​Cidade “pistiada”: quando a propaganda eleitoral sufoca o espaço urbano – Coluna de Ronnie Peterson

Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador, quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática. Sua coluna sai sempre às terças-feiras. Esta semana saiu na quarta por erro do editor.

No dia seguinte ao início oficial das campanhas eleitorais, a nossa cidade amanheceu como os mais velhos costumam dizer: completamente “pistiada” de propagandas. Ruas, praças e avenidas ganharam uma nova “decoração”, com destaque evidente para o material de um dos mais de vinte postulantes que disputam estas eleições locais. Ao caminhar pela Olivia Flores nos obriga a fazer uma reflexão imediata sobre os impactos dessa ocupação desenfreada, e consequentemente os impactos no cotidiano da cidade.

​Confesso que, pessoalmente, gosto do período eleitoral. Aprecio o clima cívico, o debate de ideias, a criatividade dos jingles e os diferentes materiais que dão vida à disputa democrática. A política em movimento tem sua beleza e dinamismo. Ao longo dos anos, contudo, a legislação avançou com diversas restrições necessárias sobre a forma e as possibilidades de exposição pública, buscando conter abusos do passado. Hoje, é papel fundamental do profissional de marketing e dos coordenadores estratégicos analisar o cenário com rigor técnico, aproveitando o potencial de cada ferramenta sem atropelar o bom senso.

O conceito básico de poluição visual refere-se justamente ao excesso de elementos visuais desordenados em um determinado espaço como placas sobrepostas, faixas, outdoors, fios emaranhados, pichações e lixo acumulado. Em muitos pontos de nossa cidade, vários desses problemas já fazem parte da paisagem cotidiana. Cabe, portanto, a cada candidato e à sua equipe avaliar com maturidade se a sua peça gráfica será apenas mais um elemento a sufocar o ambiente ou uma comunicação verdadeiramente eficiente.

Houve um tempo em que muros públicos e particulares viravam painéis caóticos de colagens sucessivas de cartazes, sem qualquer tipo de autorização ou critério. Hoje, os limites formais estão estabelecidos pelas normas vigentes, restando aos comitês examinar o que é permitido. No entanto, não se trata apenas de encontrar brechas na legislação. O excesso desordenado de cavaletes, placas e banners, além de configurar clara poluição visual, obstrui calçadas, prejudica a mobilidade de pedestres e pessoas com deficiência e, longe de gerar engajamento positivo, acaba provocando repulsa. É exatamente esse o descontentamento que tenho ouvido nas conversas com populares pelas ruas.

​Nas próximas semanas, teremos pela frente a intensidade das caminhadas, comícios e carreatas. Aproveito este espaço para fazer um apelo direto aos candidatos e às coordenações: repensem o uso de fogos de artifício com estampido e de veículos com volume de som excessivamente alto. A sociedade mudou, e as pessoas valorizam cada vez mais o direito ao sossego. Ninguém quer ver seus animais de estimação em pânico e sofrimento, sem falar no impacto desmedido sobre idosos, pessoas enfermas, autistas e recém-nascidos.

​A corrida eleitoral está apenas no começo. Mais do que exibir poderio financeiro ou onipresença visual, este é o momento crucial para que cada postulante demonstre empatia, responsabilidade socioambiental e respeito genuíno à cidade e aos seus próprios eleitores. Afinal, a postura adotada durante a campanha costuma ser o melhor espelho da postura que será adotada no exercício do mandato.

TEXTO REVISADO PELO AUTOR

FOTO DESTAQUE MERAMENTE ILUSTRATIVA CRIADA COM AUXÍLIO DO CHATGPT

As opiniões manifestadas pelos artigos publicados não representam, necessariamente, a opinião deste BLOG. São uma forma de estimular o debate e o pensamento, estando o espaço aberto para outras manifestações de articulistas (independente de partido ou ideologia política) interessados em discutir o momento da vida nacional.

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