Recordes e ‘troco’: vitória de Jerônimo pode levar PT a 24 anos no governo e a de Neto levar família ACM ao sétimo mandato executivo

Recordes e ‘troco’: vitória de Jerônimo pode levar PT a 24 anos no governo e a de Neto levar família ACM ao sétimo mandato executivo

O resultado da eleição deste ano para governador, além da disputa em si, poderá acrescentar capítulos interessantes à história política da Bahia e dos dois principais contendores. Vença ACM Neto (União Brasil) ou Jerônimo Rodrigues (PT), novos marcos serão incorporados às trajetórias individuais de um dos dois e de seus respectivos grupos políticos.

O PT poderá alcançar 24 anos consecutivos à frente do Executivo estadual, uma duração inédita para o partido na Bahia, se Jerônimo Rodrigues for reeleito, na sequência partidária que começou com a vitória de Jaques Wagner em 2006.

Se ACM Neto vencer, chegará ao terceiro mandato de sua trajetória no Executivo, depois dos oito anos como prefeito de Salvador. Considerados também os quatro períodos em que seu avô, Antônio Carlos Magalhães, esteve à frente da Prefeitura de Salvador ou do Governo da Bahia, será o sétimo período de exercício do Poder Executivo somado pelos dois Antônio Carlos Magalhães.

A sequência petista no Governo da Bahia começou em 1º de janeiro de 2007, quando Jaques Wagner assumiu depois de derrotar Paulo Souto (PFL) no primeiro turno de 2006, com 52,89% dos votos válidos contra 43,03% do adversário. Wagner foi reeleito em 2010, também no primeiro turno. Rui Costa venceu em 2014 e 2018. Jerônimo Rodrigues ganhou a eleição de 2022.

O PT completará 20 anos ininterruptos à frente do governo estadual em 1º de janeiro de 2027. O atual mandato de Jerônimo somente terminará com a posse do próximo governador, em 6 de janeiro, o que significa que a barreira dos 20 anos será ultrapassada. Os governadores eleitos em 2022 tomaram posse em 1º de janeiro de 2023. A mudança de data foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111.

Marca petista

Além do período inaugurado por Wagner no governo estadual, o PT já esteve por 20 anos seguidos no poder duas vezes, mas em administrações municipais. Esse foi o maior período contínuo alcançado pelo partido em prefeituras baianas, com Vitória da Conquista e Pintadas, cinco mandatos consecutivos a partir de 1997. A derrota nos dois municípios em 2016 encerrou os ciclos.

Vale registrar que o ciclo partidário municipal mais longo à frente do Poder Executivo no interior da Bahia foi o de Buritirama, onde PPB e PP permaneceram no comando da Prefeitura durante 24 anos, de 1997 a 2020.

Há ainda o caso de Feira de Santana, onde José Ronaldo e seu grupo venceram cinco eleições seguidas entre 2000 e 2016. Mas, considerado apenas o tempo de permanência de uma mesma legenda, a sequência não se sustenta. Tarcízio Pimenta, eleito pelo DEM em 2008, deixou o partido e ingressou no PDT durante o mandato. Mais tarde, em 2018, José Ronaldo renunciou à Prefeitura para disputar o Governo do Estado e foi sucedido por Colbert Martins Filho, do MDB.

Quase 28 anos

A duração do PT no governo permite outra comparação histórica, desta vez não com uma legenda, mas com um grupo político. Somados os diferentes períodos em que Antônio Carlos Magalhães e governadores vinculados ao seu grupo estiveram à frente do Executivo estadual, o chamado carlismo governou a Bahia por aproximadamente 27 anos e nove meses, mas não consecutivos.

O primeiro bloco começou em março de 1971, quando ACM assumiu pela primeira vez o Governo da Bahia, e durou quatro anos, até março de 1975. Entre 1975 e 1979, o governador foi Roberto Santos. Embora pertencesse à Arena, seu governo não é considerado aqui uma continuidade do comando político de Antônio Carlos Magalhães. O próprio material histórico sobre a sucessão registra que o nome pretendido por ACM para sucedê-lo era Clériston Andrade e que Roberto Santos acabou escolhido para governar aquele período.

ACM voltou em março de 1979 e foi sucedido por João Durval, em 1983, mantendo o grupo no poder até março de 1987. Durval havia sido escolhido candidato depois da morte de Clériston durante a campanha de 1982. O segundo bloco carlista durou oito anos.

A eleição de Waldir Pires em 1986 trouxe a segunda interrupção. Waldir assumiu em março de 1987 e foi sucedido pelo vice Nilo Coelho ainda na vigência do mandato. O grupo de ACM ficou fora do governo até março de 1991.

A volta se deu com a eleição do próprio ACM em 1990. Em 15 de março de 1991 começou o maior período contínuo de seu grupo no Executivo estadual, encerrado em 31 de dezembro de 2006. Foram aproximadamente 15 anos e nove meses. Naquele período mudou a data constitucional de início dos mandatos estaduais de março para janeiro, daí os nove meses que aparecem na conta.

Nesse intervalo estiveram no governo ACM, Paulo Souto, César Borges e novamente Paulo Souto, além das substituições ocorridas dentro dos mandatos. Antônio Imbassahy assumiu em 1994, depois que Antônio Carlos Magalhães deixou o cargo para disputar o Senado e Paulo Souto se desincompatibilizou para concorrer ao governo. César Borges e Otto Alencar também chegaram ao cargo como vices, quando os titulares deixaram o governo para disputar outras eleições.

O troco?

A eleição de 2026 oferece ainda uma coincidência histórica com a disputa que abriu o ciclo atual. Em 2006, ACM era senador pela Bahia quando Paulo Souto perdeu a disputa pela reeleição para Jaques Wagner. O petista venceu no primeiro turno, encerrando os 16 anos consecutivos de domínio do grupo carlista no governo estadual.

Agora, 20 anos depois, Jaques Wagner é senador e apoia a reeleição de Jerônimo. Se ACM Neto vencer, sua vitória poderá ser vista como uma espécie de troco político e histórico de 2006: o neto de ACM devolverá a família Magalhães ao governo do estado duas décadas depois de Wagner derrotar Paulo Souto e encerrar o ciclo comandado por seu avô. Poderá ser a revanche do carlismo sobre Wagner.

Uma eventual vitória de Jerônimo terá peso principalmente pela longevidade partidária. Pessoalmente, ele chegará ao segundo mandato como governador. Outros nomes já comandaram o Estado mais de duas vezes. A exemplo de Antônio Carlos Magalhães, Juracy Magalhães esteve à frente do Executivo baiano em três períodos, entre 1931 e 1937 e novamente de 1959 a 1963. A conta será histórica vai para o PT.

Se ACM Neto vencer agora, será também a primeira vez desde abril de 1994 que um integrante da família Magalhães ocupará pessoalmente o Governo da Bahia.

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