Demandas de mais de 20 anos, viadutos podem ser feitos com recursos de emenda de bancada ou de empréstimo da Prefeitura, indica Ivan Cordeiro


A construção de viadutos nos principais cruzamentos do Anel Rodoviário é uma das mais antigas reivindicações de Vitória da Conquista na área de mobilidade e segurança viária. Necessários desde a conclusão do anel, em 2002, os viadutos passaram a ter importância muito maior com o crescimento urbano, que colocou bairros e grandes corredores de tráfego dos dois lados da BR-116, transformando cruzamentos em pontos de conflito entre o trânsito urbano e o fluxo pesado da rodovia.
A bandeira pela construção dos equipamentos mobiliza moradores, entidades empresariais, movimentos da sociedade civil e a classe política local, principalmente diante do desleixo da Via Bahia com a obrigação contratual. A antiga concessionária encerrou sua passagem pela BR-116 sem entregar os viadutos.
Com o fim da concessão, em maio de 2025, a expectativa se transferiu para o Governo Federal. O então ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) recebeu uma comitiva de Vitória da Conquista em Brasília e prometeu que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) faria pelo menos dois viadutos ainda naquele ano. Mas nada foi construído. Um levantamento feito pelo BLOG DE GIORLANDO LIMA, a partir de respostas do Ministério dos Transportes e do DNIT, mostrou que a promessa não havia produzido sequer projeto, ofício, memorando ou outro encaminhamento efetivo.
Para piorar, o edital definitivo da Rota 2 de Julho, aprovado pela ANTT em 3 de setembro deste ano, e cujo leilão está marcado para 18 de dezembro, prevê 306,6 quilômetros de duplicações nas BRs 116 e 324 ao longo de 30 anos, mas não incluiu como obrigação da futura concessionária os cinco viadutos reivindicados por Vitória da Conquista.
É nesse cenário que, nesta terça-feira (29), o assunto voltou a ser abordado pelo presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro (PL). Em vídeo publicado em suas redes sociais, ele apresenta três possibilidades para tirar as obras do papel: recursos diretos do Governo Federal, emendas da bancada baiana no Congresso e investimento da própria Prefeitura.
Ao tratar das emendas, Ivan também explica uma das razões de seu apoio a Carlos Muniz (PSDB), candidato a deputado federal nesta eleição. Na defesa que faz da eleição de Muniz, o presidente da Câmara de Vereadores diz que os viadutos estão na lista de prioridades do futuro mandato.
“Nós estivemos em Brasília atrás do recurso, mobilizando o Governo Federal para que a gente possa construir os viadutos aqui no Anel Viário”, diz Ivan no vídeo. Em seguida, ele aponta uma segunda possibilidade: “Tem uma outra saída, que são as emendas de bancada dos deputados federais no Congresso Nacional”.
Para mostrar que o caminho não é apenas teórico, Ivan recorre à própria história do Anel Rodoviário e cita o ex-deputado federal Coriolano Sales. Foi Coriolano quem liderou, na segunda metade dos anos 1990, a articulação de sucessivas emendas coletivas da bancada baiana para viabilizar a construção da obra.
“Assim como Coriolano Sales fez aqui com o Anel Viário, ele articulou e conseguiu os recursos para construir o Anel Viário”, afirma Ivan. Na sequência, relaciona o precedente ao candidato que apoia: “Nós já temos esse compromisso com o deputado federal, se Deus quiser, Carlos Muniz, para que ele possa articular essas emendas em Brasília e a gente construir os viadutos aqui em Conquista”.
Empréstimo da Prefeitura como opção
Ivan aponta ainda uma terceira alternativa, a participação financeira da Prefeitura. Ele cita como exemplo Feira de Santana, onde o prefeito José Ronaldo (União) recorreu a financiamento para executar viadutos no sistema viário da cidade.
O presidente da Câmara relaciona essa possibilidade à autorização dada pelo Legislativo conquistense, em dezembro de 2025, para que a Prefeitura contrate operações de crédito de até R$ 400 milhões. A autorização não significa, porém, que os R$ 400 milhões já tenham sido contratados nem que haja hoje destinação específica desse montante para os viadutos. A defesa é de que, além de continuar cobrando recursos federais e tentar uma articulação da bancada baiana, o próprio governo municipal pode participar da solução.
Uma história antiga
Em 2014, quando a falta de viadutos já provocava sucessivas cobranças, a Prefeitura informou que os projetos executivos de algumas dessas estruturas estavam concluídos. Naquele momento, a ANTT afirmava que os viadutos não faziam parte originalmente do contrato da ViaBahia e precisariam ser incorporados à concessão.
Em 2016, representante da própria ViaBahia informou à Câmara que a empresa havia encaminhado à ANTT projetos executivos e orçamentos para cinco viadutos. Em 2019, o então deputado estadual Tiago Correia (PSDB) afirmou na Assembleia Legislativa que o contrato previa quatro estruturas, às quais se acrescentara uma quinta diante das novas necessidades da cidade.
Em 2021, a Comissão de Intervenções Rodoviárias da Câmara já cobrava formalmente a construção dos cinco viadutos como parte do contrato: Avenida Brumado, Campinhos, Urbis VI, saída para Barra do Choça e Centro Industrial. Prefeitura, Câmara, parlamentares, empresários e o Movimento Duplica Sudoeste mantiveram a pressão até o encerramento da concessão.
A ViaBahia saiu, em 15 de maio de 2025, sem que nenhum dos cinco tivesse sequer começa a ser construído. Doze dias depois, Renan Filho anunciou que o Governo Federal anteciparia pelo menos dois deles por meio do DNIT. A promessa também não saiu do papel. Agora, com o edital da próxima concessão publicado sem transferir para a nova empresa a obrigação específica de construir os viadutos reclamados pela cidade, a discussão voltou ao ponto central: de onde virão os recursos para uma obra que Vitória da Conquista cobra há mais de uma década



