Com 400 mil habitantes, Conquista fica sem deputado federal residente na cidade; festejar derrota de Waldenor é comemorar perda do município


O deputado federal Waldenor Pereira (PT) encerrará seu mandato em 1º de fevereiro de 2027. Com 96.378 votos, 16.732 menos do que em 2022, ele não conseguiu se reeleger. Não foi por causa de Vitória da Conquista, que lhe conferiu 33.269, 1.198 a mais que na eleição de deputado anterior. A importância dessa votação no município pode ser medida comparando com a de seu companheiro de jornada política, Zé Raimundo, que teve 27.715, bem abaixo dos 32.009 que alcançou em 2022. Mas Zé se reelegeu para o quinto mandato seguido. Waldenor ficou na terceira suplência.
Poderá até voltar à Câmara dos Deputados em meados de 2027, se o governador Jerônimo Rodrigues (PT) chamar três dos eleitos para alguma secretaria. À frente de Waldenor ainda estão Zé Neto, do PT de Feira de Santana, e Bacelar, do PV.
Desde 1946 Vitória da Conquista teve a presença de pelo menos um representante da cidade na Câmara dos Deputados em todas as legislaturas. Além dos deputados de fora, que foram eleitos com apoios locais e que se comprometem a ajudar o município, a representação política com um nome local em Brasília sempre foi importante. Em 2027, não teremos mais.
Waldenor foi deputado por seis mandatos seguidos, dois na Assembleia Legislativa e quatro na Câmara dos Deputados. Sua atuação ajudou a fortalecer as universidades do Sudoeste e Ufba, instituições de saúde como a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Geral de Vitória da Conquista, a estrutura de segurança, incluindo a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal; deu apoio à cultura e festejos tradicionais, à agricultura familiar, às comunidades quilombolas e contribuiu com obras e realizações do governo estadual no município.
E foi voz conquistense no Congresso Nacional. E isso importa. E é a isso que se chama, afinal, de representação. Estar presente, valorizar, cobrar e fazer olharem para a cidade. Os deputados federais que declararam amor a Conquista nesta eleição certamente farão isso também, mas sempre haverá um sentimento de empréstimo, de dívida sendo paga, que uma hora pode ser considerada quitada.
Depois de Waldenor, a maior votação coube a Dra. Raíssa Soares, com 15.608 votos; Ela teve mais votos em Vitória da Conquista do que em sua cidade, Porto Seguro, onde teve 14.860 votos, abaixo apenas da votação de Salvador, 29.244 votos. A outra foi Roberta Roma, 8.522, metade dos votos que teve em Salvador, 16.090 votos, e menos do que teve em Feira de Santana, 13.104. Devemos esperar que elas valorizem a confiança dos conquistenses, mas como esperar que a cidade seja priorizada em relação a suas bases principais?
É por isso que, para o BLOG DE GIORLANDO LIMA, a despeito do que prometem Raissa, Roberta ou Carlos Muniz (PSDB), outro estreante eleito e que teve 5.022 votos em Vitória da Conquista, sua segunda maior votação depois de Salvador, com 40.042, é lamentável a perda da representação própria do município. Waldenor era nosso deputado, mesmo que não fosse do partido para o qual o leitor torce ou no qual milita. A representação, mesmo que tentem convencer do contrário, está acima disso.


