Jerônimo e Sheila concordam: eleição de adversários teria sido boa para Conquista; governador falou de Wagner Alves e prefeita de Waldenor

Jerônimo e Sheila concordam: eleição de adversários teria sido boa para Conquista; governador falou de Wagner Alves e prefeita de Waldenor

Logo após o primeiro turno, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a prefeita Sheila Lemos (União) travaram uma batalha verbal sobre quem saiu derrotado em Vitória da Conquista. Jerônimo apontou a derrota de ACM Neto (União) na disputa estadual, a não eleição de Wagner Alves (União), marido da prefeita, para deputado estadual e as divergências no grupo governista como sinais de que Sheila havia sido a grande perdedora. Ela rebateu, lembrando que ACM Neto teve mais votos que o governador no município e que o grupo petista perdeu a cadeira de Waldenor (PT) na Câmara dos Deputados, além de Zé Raimundo ter reduzido sua votação para estadual, ficando atrás de Wagner.

Mas, apesar do contraste nas avaliações e da rivalidade política, os dois concordaram em pelo menos um ponto: a eleição de adversários teria sido boa para Vitória da Conquista. Sheila lamentou a derrota de Waldenor, seu principal adversário na disputa pela Prefeitura em 2024, enquanto Jerônimo afirmou que gostaria de ver Wagner Alves, marido da prefeita, eleito para a Assembleia Legislativa.

A disputa verbal começou quando Jerônimo, em entrevista à BandNews FM, no dia 9 de outubro, afirmou que Sheila havia sido a grande derrotada das eleições. “A prefeita foi a grande derrotada também, igual aqui o Bruno Reis. Porque a prefeita não conseguiu eleger nenhum esposo. Não elegeu esposo, deputado, e criou um racha no grupo”, declarou o governador.

Sheila respondeu no sábado (10), em vídeo publicado nas redes sociais, contestando a avaliação de Jerônimo. Lembrou que ACM Neto recebeu 101.035 votos em Vitória da Conquista, contra 94.055 do governador, e que Wagner Alves, com 33.397 votos, havia sido o candidato a deputado estadual mais votado no município.

“Wagner não tinha cadeira na Alba, ele estava lutando pra conquistar uma. Quem perdeu alguma coisa foi o grupo do governador, que tinha cadeira na Câmara Federal e perdeu. Ou Waldenor vai estar lá a partir do ano que vem defendendo Vitória da Conquista? Não! Então, quem perdeu foi o governador”, afirmou a prefeita.

A avaliação de Sheila sobre a derrota de Waldenor ganhou outro sentido em entrevista concedida ao BLOG DE GIORLANDO LIMA, na quinta-feira (15). Embora tenha considerado que o petista saiu enfraquecido das eleições, depois de perder a disputa municipal de 2024 e não conseguir renovar o mandato de deputado federal, ela lamentou a perda da representação parlamentar de Vitória da Conquista.

“Infelizmente, Vitória da Conquista perde uma representatividade. Eu falo não pelo governo municipal, porque ele não manda emenda para o governo municipal, mas é por Vitória da Conquista”, afirmou.

Jerônimo fez avaliação semelhante em declaração divulgada pelo Blog do Sena no dia 24 de outubro. O governador considerou que a derrota de Waldenor não representou uma perda apenas para o deputado ou para o PT, mas para Vitória da Conquista, que ficará sem um representante residente na Câmara Federal.

“Quem perde não é Waldenor, não é o PT, quem perdeu não foi Jerônimo, a não reeleição do meu companheiro Waldenor, foi Conquista, que fica sem representação na Câmara Federal”, declarou.

O governador foi além e manifestou o desejo de que Wagner Alves tivesse conquistado uma vaga na Assembleia Legislativa, onde Zé Raimundo (PT) e Fabrício (PCdoB) conseguiram a reeleição.

“Eu gostaria que aqui tivesse, além de Fabrício, além de Zé Raimundo, o esposo da prefeita. É força política para Conquista. E para nós que somos governantes ter naquela região a cobrança, o controle, as emendas, que é o que esse povo aqui faz”, afirmou.

Jerônimo defendeu ainda que a oposição política não impeça o diálogo institucional entre os governos estadual e municipal. “A oposição e a relação política tem que continuar. Eu não preciso comer no prato dela e nem ela do meu. Mas as coisas de interesse de Conquista, tem que sentar, nós temos que ter a diplomacia”, declarou.

A fala do governador sinaliza que os dois últimos anos da gestão de Sheila podem não ser tão isolados como chegaram a comentar jornalistas e políticos dos dois lados, principalmente com a reeleição do presidente Luís Inácio da Silva. Apesar de algumas rusgas, o relacionamento entre a prefeita e Jerônimo, foi de cordialidade nesses quatro anos. Sheila foi recebida pelo gestor baiano, em abril do ano passado, para uma longa reunião no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador, e Sheila esteve com ele mais de uma vez nas duas visitas a Vitória da Conquista. Bons sinais da democracia.

Apesar da intensidade dos discursos contrários nas eleições, prefeita e governador têm relação respeitosa

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