Silêncio na data em que Pedral faria 90 anos. Saudade de curta duração?

No último dia 12, sábado, o ex-prefeito José Pedral Sampaio, considerado um dos maiores líderes políticos da história de Vitória da Conquista, faria 90 anos. Quase um ano depois de sua morte (ele faleceu em 16 de setembro do ano passado) o aniversário de Pedral, até pelo simbolismo dos 90 anos, não mereceu qualquer menção na imprensa local. Escrevi este artigo no sábado, mas, para não ser precipitado e nem injusto, aguardei até o domingo*, enquanto pesquisava nos blogs se sairia alguma nota sobre a data. Não saiu. Nem no blog de Paulo Nunes, que publicava tudo o que podia sobre o ex-prefeito quando ele era vivo.
Sempre admirei Pedral. Antes de vir para Vitória da Conquista sabia o que ele representava para a política da Bahia, em um grupo de notáveis que incluía Virgildásio de Senna e Chico Pinto, que, como ele, foram prefeitos cassados pelo regime militar, Senna em Salvador e Pinto de Feira de Santana, além de outros. O ex-prefeito de Conquista fez sua história no enfrentamento dos poderosos e dos coronéis da política. Aqui mesmo, sua candidatura rompeu um ciclo, quebrando paradigmas.
Candidatou-se a prefeito, pela primeira vez, em 1958, aos 33 anos, contra Gerson Gusmão Sales. Ganhou em todas as urnas da cidade, perdendo no interior do município. Quatro anos depois venceu o candidato de Gerson Gusmão, o poeta Jesus Gomes dos Santos, com a ajuda do deputado Padre Palmeira, que era deputado estadual e capitaneou a emancipação de alguns distritos que, depois de desmembrados, transformaram-se nos municípios de Anagé, Barra do Choça, Belo Campo, Caatiba e Cândido Sales.
Pedral foi eleito em 1962 e retirado do cargo pelos militares, em 1964. Entretanto, mesmo com direitos políticos cassados por dez anos, liderou clandestinamente o grupo do oposição em Conquista. Finalmente, depois de oito anos da cassação, a eleição de Jadiel Matos, em 1972 e a de Raul Ferraz em 1976, pavimentaram o caminho para a sua volta à Prefeitura, em 1982, para um mandato profícuo, que ele chamou de recuperação do tempo perdido. Vitória da Conquista foi ao auge entre as cidades da Bahia.
Em 1985, com o primeiro comício da campanha na recém-construída feira coberta das Mamoneiras, hoje conhecida como Ceasa, nasceu praticamente aqui a eleição de Waldir Pires como governador da Bahia, ocorrida no ano seguinte, derrotando o inimigo maior da esquerda e das oposições baianas: Antônio Carlos Magalhães, a quem, em 1992, sem que ninguém entendesse, Pedral se aliaria e entraria, certamente por isso mesmo, em seu crepúsculo político.
De 1993 a 1996, Pedral fez um governo pífio e abriu o espaço para Guilherme Menezes, que está à frente da política local há 18 anos, caminhando para 20. Pedral, desde a primeira eleição, em 1962, excetuando a clandestinidade – que foi ativa nos bastidores – e o mandato de Jadiel – em que teve relativa influência – ficou na liderança da política conquistense por 24 anos, até perder a eleição de prefeito de 1996, apoiando Vonca Gonçalves.


Em agosto de 2013, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, a partir da iniciativa do vereador Florisvaldo Bittencourt (PT), restituiu simbolicamente o mandato de J. Pedral assaltado pela ditadura. Nos últimos anos, vários livros foram escritos em que a trajetória e a importância do ex-prefeito foram ressaltadas. Há dias passados, a deputada Alice Portugal (PCdoB) propôs que o novo aeroporto regional que está sendo construído, seja batizado de José Fernandes Pedral Sampaio, no que a deputada recebeu grande apoio. Foi como se Conquista retomasse a admiração e o respeito pela sua maior liderança política no século 20, uma das maiores da história.
Entretanto, apesar de tantas homenagens feitas, ontem, seu aniversário de 90 anos passou em branco, ao menos na mídia ou nos espaços da política local, onde não se viu qualquer manifestação ou lembrança. Certamente, as homenagens ficaram para o dia 16, quando completa um ano que Pedral se foi. Esperemos.
* Por problemas com a internet a postagem só foi possível na madrugada do dia 14.
Agora, releia aqui o texto que escrevi quando Pedral morreu. Ou este, de quando ele fez 85 anos.



Pedreira, Pedral, Pedrita…tudo Pedra por Igual! Tempestiva é muito bem lembrada homenagem Giorlando!
Obrigado, Alexandre, pela visita e pelo comentário. Abraço forte.
Planejou a cidade de Conquista para o século XXI e executou parte do projeto. A outra parte vem sendo executada por Guilherme. Que bom que o povo de Conquista soube escolher seus líderes. Isso é perceptível para quem é de Conquista e vive fora de Conquista.
André, obrigado por visitar o blog e pelo comentário. Concordo com você e também fico feliz por Conquista ter sabido conduzir seu destino ao fazer boas escolhas. Abraço.