Delação de Delcídio coloca todo mundo no mesmo barco, mas sobra para Mercadante. E ele isenta a presidente Dilma

Delcídio
Delcídio faz grande estrago na República

A delação premiada do senador Delcídio Amaral foi homologada nesta terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, finalmente, foi tornada pública pelo ministro Teori Zavascky. Em 21 termos de declarações o senador cita a presidente Dilma Rousseff,  o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Delcídio atribui a Lula e à presidente tentativas de interferência nas investigações da Lava Jato. Dilma e Lula negam e repudiam as acusações.

A delação do ex-líder do governo no Senado também menciona as cúpulas do PMDB, PSDB e PT. São cotados, entre outros, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO), além de Aécio Neves (PSDB-MG), todos senadores. Segundo a Folha de São Paulo, Delcídio Amaral delatou que Aécio Neves teria recebido propina de Furnas e ainda relatou “um caso da CPI dos Correios, que investigou no mensalão, na qual Aécio teria atrasado o envio de dados do Banco Rural para fazer uma ‘maquiagem’ nas informações”. (Leia mais clicando aqui http://goo.gl/oLv0Gu)

mercadante
Aloísio Mercadante disse que ofereceu ajuda em caráter humanitário

Mas, o que estourou no final da tarde desta terça-feira foi a acusação, feita por Delcídio, de que o ministro Aloísio Mercadante ofereceu ajuda financeira para tentar impedi-lo de fazer a delação premiada. Delcídio entregou à Procuradoria Geral da República uma gravação de uma conversa de Mercadante com Eduardo Marzagão, assessor de Delcídio, em que o ministro teria dito que a ajuda para pagar advogados, poderia ocorrer por meio de uma empresa ligada ao PT. Mercadante também teria se oferecido para interceder junto ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e ao presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB) para ajudar na soltura de Delcídio (preso de novembro do 2015 até o mês passado, acusado de ter tentado obstruir a ação da justiça na Operação Lava Jato).

Confrontado com o conteúdo da delação e do teor da acusação feita contra ele, Aloísio Mercadante isentou a presidente Dilma Rousseff e garantiu que não tentou impedir a delação. Sobre a oferta de ajuda financeira, ele disse que ofereceu uma ajuda solidária diante de uma tragédia pessoal: “Qual era o objeto da minha preocupação? O objeto foi que eu vi uma campanha brutal na internet contra as filhas dele, isso me sensibilizou, uma pessoa que eu convivi por 13 anos, e eu chamei o assessor dele para dizer: ‘Eu estou aqui para fazer um gesto pessoal de solidariedade’”.

A Secretaria de Comunicação do Presidência da República divulgou nota em que a presidente Dilma repudia, veementemente, a tentativa de associá-la ao ato praticado pelo ministro. “A presidenta da República, Dilma Rousseff, repudia com veemência e indignação a tentativa de envolvimento do seu nome na iniciativa pessoal do ministro Aloizio Mercadante, no episódio relativo à divulgação, feita no dia de hoje (15), pela revista Veja. Secretaria de ImprensaSecretaria de Comunicação Social da Presidência da República”.

 

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