Maioria dos vereadores manifesta apoio a vanzeiros, fala em perseguição e critica o atraso na regulamentação
A sessão da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista da manhã desta quarta-feira teve como principal assunto a atuação da prefeitura no caso das vans que operam cladestinamente no transporte público da cidade. A maioria dos vereadores, como era de se esperar, se manifestou a favor dos profissionais, que lotaram a plateia da Casa. Os discursos mais enfáticos, com críticas pesadas ao prefeito Herzem Gusmão, foram da oposição, mas vereadores da bancada de situação também foram firmes ao abordar a questão.
A vereadora Márcia Viviane (PT) disse que o prefeito está sendo autoritário e incompetente na relação com o tema. Segundo ela, o prefeito usurpou o direito da Câmara de discutir e editar um projeto de legalização do transporte alternativo, ao publicar um decreto regulando o serviço. Ela acusa o gestor de agir monocraticamente e deixar de fora vereadores e população. Para ela, se trata de manobra de um governo autoritário, incompetente e descumpridor de promessas. Viviane acredita que a comissão de vereadores criada para dialogar com a Prefeitura Municipal conseguirá apontar uma solução.
Quem também bateu forte foi o vereador David Salomão (PRTB). Salomão, que teve em Conquista 23.221 votos para deputado federal, afirmou que governo Herzem Gusmão “erra ao perseguir os trabalhadores do transporte alternativo”. O parlamentar disse que não irá coadunar com os erros do prefeito, que, para ele, está atrapalhado. “O prefeito está atrapalhado. Esta Casa precisa tomar providências. Ele tem errado e eu não vou coadunar com o erro dele aqui não”, avisou o vereador.
Membro da bancada que apoia o prefeito, o vereador Jorge Bezerra (SD) defendeu a regulamentação do transporte alternativo, a fim de evitar os constrangimentos pelos quais os trabalhadores têm passado com as apreensões realizadas pela fiscalização da Prefeitura. “São pais e mães de família. Não é justo esses profissionais estarem passando por constrangimento como se fossem marginais”, disse Bezerra, para quem é necessário honrar os compromissos de campanha. “A gente tem que cumprir aquilo que a gente promete. Faço um apelo a Herzem Gusmão e ao nosso secretário de Mobilidade Urbana que tomem uma iniciativa, imediatamente, para solucionar o problema. Quem está sofrendo é a população.
Candidato a presidente da Câmara e virtualmente eleito, com apoio de 18 colegas e do prefeito Herzem Gusmão, o vereador Luciano Gomes (PR) disse que o problema do transporte alternativo incomoda todo mundo, mas que a responsabilidade de fazer a regulamentação não é do legislativo municipal. Luciano assegurou aos vanzeiros que os 21 vereadores estão interessados em resolver o problema da melhor forma possível. “Vocês têm 21 representantes que estão caminhando lado a lado com vocês para tentar resolver essa situação”, garantiu, mas ressalvou que não cabe ao Poder Legislativo realizar a regulamentação, cabendo isso ao Executivo Municipal. “Não cabe a nós regulamentar o transporte alternativo. De quem é a responsabilidade? Do Poder Executivo Municipal”.
Quem também disse que a prefeitura está perseguindo os motoristas de vans foi a vereadora Nildma Ribeiro (PCdoB) Ela disse que os vanzeiros são pessoas que buscam condições dignas de trabalho, mas estão sendo impossibilitadas. A situação, disse a parlamentar, é mais grave num contexto de quase 14 milhões de desempregados no Brasil. Para ela, é um absurdo o tipo de fiscalização que a vem sendo feita contra as vans. A vereadora condenou a forma como o prefeito vem conduzindo o processo do transporte coletivo. Segundo ela, uma das empresas de ônibus saiu da cidade deixando para trás funcionários sem salários, já os vanzeiros aguardam, desde o ano passado, a legalização do transporte alterativo, uma promessa de campanha do prefeito que até agora não se concretizou.
O vereador Álvaro Pithon (DEM) disse que o caos no transporte coletivo em Vitória da Conquista vem da gestão passada, que não resolveu os problemas que já existiam. O parlamentar frisou que, anos atrás, propôs a inserção de uma terceira empresa de ônibus, mas o projeto não obteve apoio na Câmara. Pithon comparou Vitória da Conquista com cidades menores que possuem mais de uma empresa e, mais uma vez, ressaltou que a gestão passada não fez a regulamentação do transporte alternativo feito por vans. O vereador afirmou que espera que a atual administração resolva o problema.
O apoio da Câmara na busca por uma solução para a situação do transporte clandestino, que resolva o problema dos vanzeiros, foi reiterado por Sidney Oliveira (PRB). Aos profissionais que compareceram à sessão para protestar e pedir a legalização do transporte alternativo ele informou que a Câmara criou uma comissão para mediar uma solução junto à Prefeitura Municipal e que essa comissão não ficará na “teoria”, mas vai buscar uma solução.

Filiado ao mesmo partido de Herzem, o vereador Edjaime Rosa, o Bibia, defendeu os vanzeiros e disse que eles desempenham o papel importante, não se justificando o que o vereador classifica de perseguição. Para ele, as abordagens do SIMTRANS (setor da prefeitura responsável pela fisalizção do trânsito) devem ser feitas por meio de blitz, operação que não pode ser dirigida apenas à essa categoria, mas a todos os motoristas. Bibia lamentou que as abordagens continuam a acontecer, mesmo na atual gestão. Ele frisou que se trata de trabalhadores e não “bandidos”.
Bibia foi mais longe e tocou na crise do transporte coletivo de um modp geral. Segundo ele a discussão na Casa sobre o transporte coletivo é antiga e em outras gestões, ele denunciou que o sistema era subordinado aos interesses dos empresários. Segundo o parlamentar, a saída de duas empresas de transporte coletivo comprovou isso. Para ele, diante do quadro que se instalou, a atual empresa também pode sair da cidade a qualquer momento.


