Obra está atrasada | Embasa explica procedimentos relacionados ao início da construção de barragem



 

A obra foi licitada em maio de 2017, mas ficou paralisada por causa de ações movidas na Justiça Federal pelo Ministério Público. Os impedimentos judiciais se encerraram no dia 6 de novembro do ano passado, quando o juiz João Batista acatou fundamentação do governo do Estado e considerou que já tinha disso cumprida a obrigação “de promover o licenciamento ambiental” e autorizou que o prosseguimento do empreendimento. Exatamente dois anos depois da licitação, finalmente, a OAS, empresa vencedora da concorrência, recebeu ordem para começar a obra. Não sem antes ocorrer uma celeuma.

O vazamento da informação de que a ordem de serviço (OS) para a construção da barragem do Rio Catolé já havia sido dada, se antecipando a ato oficial do governador Rui Costa, fez com que a Embasa e a Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (Sihs) decidissem anunciar que a empreiteira OAS já foi autorizada a começar a obra. Uma foto com a ordem de serviço assinada pela diretora de empreendimentos da Embasa, Rita de Cássia Sarmento Bonfim, foi divulgada sem combinar com a governadoria, o que fez com que o presidente da empresa, Rogério Cedraz, e o titular da Sihs, Leonardo Góes, elaborassem notas e procurassem a imprensa para contornar o embaraço político.

A princípio, a imprensa recebeu por WhatsApp nota confirmando a ordem de serviço, depois, no site da Secom, o anúncio mudou de tom, de “autorizado o início” (Governo autoriza início das obras da Barragem de Catolé – O Governo do Estado, através da Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento – Sihs, autorizou, por meio de ordem de serviço…), para “assinado o contrato que prevê” (O contrato que prevê o início da construção da Barragem de Catolé, no município de Barra do Choça, foi assinado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento – Sihs…).

A mudança de abordagem é uma confirmação de que foi real o constrangimento por causa da antecipação da ordem de serviço, enquanto o governador, que programou ele mesmo anunciar a OS, está viajando. O problema deriva de um expediente nocivo dentro da Embasa e de setores do governo: o privilégio dado a alguns órgãos de imprensa, em detrimento da maioria, muito praticado, em especial, nas secretarias de Infraestrutura e Saúde.

O BLOG enviou perguntas ao presidente da Embasa, Rogério Cedraz, por orientação de sua assessoria, para saber mais sobre os procedimentos relacionados ao início da barragem. Por e-mail, o dirigente disse que a OAS já está em Vitória da Conquista trabalhando no planejamento da execução da obra, mas que a construção, de fato, só começará quando o governador der a ordem de serviço. Rui Costa está viajando ao exterior em busca de investimentos para o estado e estará de volta no dia 16, quando, então, marcará a vinda a Vitória da Conquista para o ato oficial de início da construção da barragem do Catolé.

Cedraz ainda explicou porque a Embasa optou por fazer a barragem em Barra do Choça e não no distrito conquistense de Inhobim, aproveitando o Rio Pardo. Segundo ele, o custo operacional e hídrico seria maior em Inhobim, “pois as condições oferecidas pelo rio Catolé são bem mais favoráveis do que as do rio Pardo”. O BLOG confessa que não consegue traduzir esta resposta e outras da entrevista.

LEIA A ENTREVISTA

BLOG – Se já havia uma ordem de serviço por que ainda não houve o ato oficial do governador?

EMBASA – Na assinatura do contrato com a OAS, também foram assinados os documentos técnicos e necessários ao início das atividades preliminares da construtora, uma vez que existe uma etapa que precede a obra física, como levantamentos complementares que vão subsidiar o detalhamento do projeto e o planejamento executivo da obra. As demais etapas, envolvendo a obra em si, devem ser iniciadas logo após a ordem de serviço oficial, que será assinada na presença do governador Rui Costa, em Vitória da Conquista.

BLOG – A obra era para ser iniciada há mais de dois anos, perdeu-se tempo com os impedimentos judiciais, por que não começar logo?

EMBASA – Como foi explicado na resposta anterior, um grande empreendimento como este, no valor de R$ 130.845.153,18, é precedido de uma etapa de detalhamento de projeto e de planejamento para sua execução. Essa etapa é imprescindível para que a obra física ocorra dentro do cronograma previsto e com a qualidade exigida pela Embasa. No entanto, é um trabalho que não é visível para a população.

BLOG – Quando a obra deve começar?

EMBASA – Assim que o Governo do Estado der a ordem de serviço oficial para a obra física começar.

BLOG – A empresa vai, pelo menos, montar o canteiro?

EMBASA – A contratada já está em Vitória da Conquista trabalhando no planejamento da execução da obra.

BLOG – Com a nova barragem, por quanto tempo o abastecimento de Conquista e Belo Campo estará garantido?

EMBASA – A Embasa já tem toda a estrutura de captação de água da barragem montada para alimentar o sistema integrado de abastecimento de água de Vitória da Conquista. Com a conclusão da barragem a utilização deste manancial será imediata e trará, além de segurança hídrica para o abastecimento humano de Vitória da Conquista, Belo Campo e Tremedal, capacidade de abastecimento para garantir o desenvolvimento econômico desta região e qualidade de vida para população, pois os investimentos já realizados em Vitória da Conquista e região, da ordem de R$ 189 milhões, colocaram o município entre os mais bem saneados do país (Ranking Trata Brasil), e com os investimentos previstos no sistema integrado de abastecimento, incluindo a barragem do Catolé, da ordem de R$ 340 milhões, Vitória da Conquista será uma cidade referência em termos de qualidade na prestação dos serviços de água e esgoto.

BLOG – Uma curiosidade: havendo um projeto pronto para a barragem do Rio Pardo, dez vezes maior, inclusive podendo implantar uma hidrelétrica, por que a opção pela barragem do Catolé? Custo?

EMBASA – Sim. Custo operacional e hídrico, pois as condições oferecidas pelo rio Catolé são bem mais favoráveis do que as do rio Pardo.

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo