

Como de praxe, dentro da política de sublimar a ameaça representada, diariamente, pelos números do novo coronavírus colocada em prática pelo Comitê de Gestão de Crise (CGC), criado pelo governo municipal, a Prefeitura de Vitória da Conquista publicou ontem (4) mais um boletim em que o destaque são os casos ativos ou o número de pessoas recuperadas, raramente o crescimento do número de casos e quase nunca a quantidade de mortes.
O discurso do CGC, na pessoa do coordenador Kairan Rocha, é o de que há sempre um fator preponderante, temporário e não importante o suficiente para alterar a política municipal em relação à Covod-19. Está sempre tudo sob controle. Agora, a razão, disse Kairan ao Blog do Sena, é a empolgação das pessoas com a vacina. Não é a falta de fiscalização da Prefeitura, que deixou bares fazerem o que quiserem, festas acontecerem, aglomerações se multiplicarem por vários meses. Não foi a campanha política com carreatas, caminhadas, reuniões e comemorações lotadas, com gente que abriu mão das recomendações sanitárias, como a que o próprio Kairan participou – sem máscara – depois da vitória de Herzem Gusmão no segundo turno.
É a vacina. Mas, Kairan deve saber que não é. Ficou visível que o CGC se recolheu no período da eleição e só voltou a se manifestar no começo deste ano, mas o coordenador e mais membros do colegiado devem ter reparado que de novembro para dezembro os casos de Covid-19 cresceram 85,17% e as mortes 36,84%. De dezembro para janeiro o crescimento continuou e as mortes tiveram um aumento de 53,84%.
Neste mês, já morreram oito moradores do município em quatro dias. É a pior média de óbitos por dia desde o começo da pandemia. O total chegou a 278 conquistenses mortos pela Covid-19 e 17.967 casos, sendo 518 confirmados em fevereiro, uma média altíssima de 129,5 por dia.
| |
Nov |
Dez |
Jan |
Fev |
Total |
| CASOS |
1.531 |
2.835 |
3.063 |
518 |
17.967 |
| ÓBITOS |
19 |
26 |
40 |
8 |
278 |
Não pode ter sido “por causa do início da vacinação, o que faz com que as pessoas tenham uma sensação de segurança e se descuidem um pouco mais, o que aumenta a transmissão”, como afirmou o coordenador do CGC ao Blog do Sena, para quem “a situação no município está sob controle e longe de um colapso”.
A questão parece ser, apenas, se tem ou não tem leito de UTI disponível e não se cada vez mais gente adoece e morre. E morre nas UTIs.
ÓBITOS
276º óbito – Homem de 91 anos, morador do bairro Vila América, portador de hipertensão e diabetes melito. Estava internado desde o dia 14 de janeiro no Hospital Samur, onde veio a falecer na quarta-feira (3);
277º óbito – Homem de 64 anos, morador do bairro Ibirapuera, portador de hipertensão e diabetes melito. Estava internado desde o dia 12 de janeiro no Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC) e também onde na quarta.
279º óbito – Homem de 37 anos, morador do bairro Primavera, sem comorbidades relatadas. Estava internado desde o dia 12 de janeiro no Hospital São Vicente, faleceu ontem.
OCUPAÇÃO DE LEITOS
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), neste momento, 82 pacientes estão internados em parte dos 153 leitos disponíveis (83 enfermarias e 70 leitos de UTI) na rede SUS. Além de 32 moradores de Vitória da Conquista, também estão internados pacientes de 23 municípios.
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