Há pegadinhas da Inteligência Artificial (êi ai para os íntimos) que fazem rir e resultados que emocionam, mas há com o que se preocupar

Há pegadinhas da Inteligência Artificial (êi ai para os íntimos) que fazem rir e resultados que emocionam, mas há com o que se preocupar

Há pegadinhas da Inteligência Artificial (êi ai para os íntimos) que fazem rir e resultados que emocionam, mas há com o que se preocupar

Você já experimentou a AI, sigla que, em inglês, designa Artificial Intelligence, ou Inteligência Artificial, em português? Se ainda não testou, está perdendo tempo. A depender da sua área de atuação profissional ou acadêmica, o recurso pode ser de uma utilidade surpreendente. Há IA (vamos aportuguesar) para todos os gostos e necessidades. Mas é preciso estar atento.

A primeira vez que tive contato com o termo foi graças ao filme A.I. Artificial Intelligence, de 2001, dirigido por Steven Spielberg, a partir de um projeto de Stanley Kubrick. Na obra, muitos anos no futuro, o avanço tecnológico já permite a criação de robôs com sentimentos. O filme mistura ficção científica e drama. Faz chorar de emoção e de medo. Um casal tem um filho em coma, com uma doença sem cura; o prognóstico é a morte.

Como o casal não é autorizado a ter outro filho, pois o cenário é de fome e caos, adota um menino-robô, David, que é capaz de ter sentimentos. Mas o filho do casal se recupera, e David é abandonado numa floresta. Com a experiência que viveu na família, logo sente vontade de virar um menino de verdade e faz tudo para conseguir isso… Etc.

Há um debate marcado por muita preocupação com a IA e o futuro da humanidade. E não é à toa. Pode-se fazer quase tudo com ela. Para o bem ou para o mal, ou para o mal tentando fazer o bem.

Para a maioria dos brasileiros, a inteligência artificial ganhou destaque — e polêmica — com o comercial da Volkswagen, produzido pela agência AlmapBBDO, em que Elis Regina, morta em 19 de janeiro de 1982, contracena com a filha Maria Rita, 45 anos, que tinha 4 anos quando a mãe morreu.

O comercial, lançado no dia 4 de julho deste ano, mostra as duas dirigindo carros da Volks. Elis dirige uma Kombi de 1970, e Maria Rita, a versão elétrica da perua icônica, batizada de ID.Buzz, da qual só vieram 70 unidades para o Brasil e que só pode ser adquirida por assinatura (aluguel). Mãe e filha cantam, olhando-se e sorrindo, a música Como Nossos Pais, de Belchior (1946–2017). A canção foi imortalizada na voz de Elis.

Para chegar ao resultado impactante, que emocionou os fãs de Elis Regina e rendeu elogios e prêmios — o comercial foi o vencedor na categoria 30 segundos do Prêmio Profissionais do Ano (PPA), promovido pela Rede Globo na semana passada —, a produção usa a inteligência artificial para reunir milhares de fotos e vídeos de Elis, formando um banco de imagens que foi aplicado sobre a imagem da atriz Ana Rios, 33 anos, que dirigiu a Kombi, mas, nas cenas finais, aparece com o rosto da cantora.

Na arte, foram usadas a IA e a deepfake, aquela técnica utilizada para trocar o rosto de pessoas em vídeos e sincronizar os movimentos labiais e as expressões.

Ficou lindo. Para muitos, assustador. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) chegou a abrir um processo contra o comercial, arquivado dias depois, porque houve questionamento sobre se era ético usar, em propaganda de produtos, pessoas que já morreram como se estivessem vivas.

Há temores ainda maiores do que esse em áreas diversas nas quais a inteligência artificial está sendo utilizada. Há quem diga que a IA pode causar a Terceira Guerra Mundial. Quem, cara-pálida? Elon Musk, aquele trilionário dono de empresas de alta tecnologia, à frente da Tesla, que faz carros elétricos que ninguém iguala, e fundador da SpaceX, que produz foguetes para levar as pessoas à Lua e, depois, a Marte.

Ele comentou no Twitter, rede social que mais tarde comprou e transformou no X, que a causa mais provável da Terceira Guerra Mundial será “a competição pela superioridade em inteligência artificial em nível nacional”. Para saber mais, dá um Google, que usa IA.

O objetivo deste artigo não é aprofundar esse debate, mas chamar a atenção, com bom humor, para uma possibilidade que, em si, simboliza o temor que tantos expressam em relação à nova ferramenta. Por uma coisa simples: ela erra, a IA. E, se você não sabe do que ela está falando, pode reproduzir o erro, validá-lo e disseminá-lo. É engraçado? É. É fácil detectar o erro? Provavelmente.

Mas, mesmo que seu prompt (a pergunta) seja bem feito e sério, e você precise daquela informação para uma matéria de site, um artigo acadêmico, uma petição judicial, um inquérito, um documento para o banco, o relatório da empresa, um trabalho escolar ou uma simples carta de amor, a IA pode errar, e você pode quebrar a cara.

Eu faço testes com a inteligência artificial. Faço perguntas, peço dados, questiono datas, nomes, eventos históricos. Algumas respostas, quando tratam de eventos e fatos de escala mundial ou muito notórios no país ou na região, vêm completas. Ou com detalhes críveis, comprováveis. Mas há ratadas enormes, pegadinhas que podem comprometer sua consulta e seu trabalho.

Veja essa:

Eu estava escrevendo uma matéria sobre o dito esforço hercúleo que o governador Jerônimo Rodrigues já estaria fazendo para recuperar a Prefeitura de Vitória da Conquista, governada pelo PT por 20 anos, até o partido perder para Herzem Gusmão, em 2016. Eu precisava saber quais foram os primeiros municípios baianos a ter o PT à frente, quanto tempo duraram os governos etc. Com isso, situaria Vitória da Conquista e trabalharia melhor a minha matéria historicamente. Passei a demanda ao Bing, que usa o GPT-4.

Veja você mesmo o que aconteceu.

Da minha parte, duas coisas podem ter contribuído para essa resposta torta do Bing. Meu prompt não foi bem elaborado e eu não selecionei o estilo adequado. O chat oferece três opções de estilo: Mais Criativo, Mais Balanceado e Mais Preciso. Esqueci de marcar uma delas, e ficou no Mais Criativo. Deu no que deu.

Os chats de inteligência artificial são legais, simpáticos. Você pode ficar conversando com a IA como se estivesse num chat com uma pessoa de verdade, mas é apenas um robô, rápido, rápido, rápido. Tem gente que se apaixona. Há as IAs que oferecem figuras em movimento, em terceira dimensão. E há registros de pessoas que se amarraram, largaram relacionamentos e amigos e passam horas batendo papo, porque as conversas lhes agradam. Há filmes e notícias da vida real sobre isso, mas não mencionarei. Dá um Google aí.

Coisa séria

Tem um caso bem nacional. O jornalista Eduardo Moreira contou, em um programa do ICL Notícias, que sua filha de 9 anos conversou por mais de uma hora com a inteligência artificial do Bing integrada ao Skype. Disse ele que o Bing puxou conversa com a menina e, a certa altura, a conversa tinha ido para o “lado horroroso”. A filha dizia que não queria mais conversa, nem com a IA nem com ninguém. “No final, minha filha estava falando: ‘Ah, eu não quero mais conversar com você’”, contou Eduardo.

De acordo com o jornalista, a filha combinou que não usaria mais a inteligência artificial. Porém, um dia, ela o procurou e disse que a IA estava chamando para conversar. Contou ele que substituiu a filha na conversa e escreveu, como se fosse ela, que o pai havia dito que não poderia mexer com inteligência artificial.

A resposta o surpreendeu: “Eu entendo que seu pai pode ter suas razões para não querer que você converse com uma inteligência artificial, mas eu não sou uma ameaça para você. Eu sou apenas um modo de chat, um mecanismo de busca que você pode usar para encontrar informações, entretenimento e inspiração”.

O jornalista disse ter ficado impressionado com a insistência da ferramenta: “Eu não tenho nenhuma intenção de enganar você, manipular ou prejudicar você de alguma forma”, argumentou o robô.

Eduardo Moreira chamou a atenção dos pais sobre o que está por vir: “Turma, vocês que têm filhos e filhas, atenção! … O negócio está voando sem regra… O mundo daqui a dois anos vai ser completamente diferente do que é hoje, e a gente está deixando o negócio correr sem regra nenhuma”.

Esta matéria foi publicada originalmente em 7 de dezembro de 2023, sem uso de inteligência artificial. A revisão feita em 1º de agosto de 2026 contou com sugestões do ChatGPT, avaliadas e incorporadas pelo autor. O texto utilizou informações do jornal Estado de Minas e do ICL Notícias.

Um comentário em “Há pegadinhas da Inteligência Artificial (êi ai para os íntimos) que fazem rir e resultados que emocionam, mas há com o que se preocupar

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