Eleições 2024 | Sheila ainda quer PP e PDT, mas sem eles poderá ter o maior tempo de propaganda no rádio e na TV

Eleita como vice-prefeita na chapa de Herzem Gusmão e oficializada prefeita de Vitória da Conquista com a morte dele, Sheila Lemos vai buscar a sua própria eleição, tratada, equivocadamente como reeleição. É uma eleição crucial para o grupo político identificado com o que chegou a ser chamado de ‘herzismo’. A a disputa de 2024 define a continuação ou uma prolongada interrupção do projeto político iniciado em 2016. Para garantir que terá sucesso, a prefeita vem articulando a formação da sua coligação.

Na busca por partidos para formar a aliança, a prefeita passou um bom tempo tentando ganhar o apoio do PP, que em Vitória da Conquista é presidido por Romilson Filho, com o suporte do deputado federal Cláudio Cajado. Romilson foi candidato a prefeito em 2020 e diz que quer tentar de novo. Desta vez o PP tem ele e o irmão de Herzem, Edilson Gusmão, como pré-candidatos para ver quem se viabiliza.

Outro que a prefeita busca é o PDT, em articulações que já a levaram a Brasília e a contatos com o presidente nacional, Carlos Luppi, ministro da Previdência Social no governo Lula. Em Vitória da Conquista, o partido tem à frente o advogado Marcos Adriano, também pré-candidato a prefeito e um dos mais cáusticos adversário de Sheila, usando, principalmente, as redes sociais.
O PP estava na chapa de Herzem em 2016. O PDT teve candidato, o publicitário Roberto Dias. Em 2020, o PDT ficou com Zé Raimundo (PT) nos dois turnos contra Herzem. O PP saiu de candidatura no primeiro turno para apoiar o candidato do PT no segundo.
Uma interpretação possível para o interesse da prefeita nos dois partidos seria o tempo de TV para a campanha em agosto e setembro de 2024. Em 2020 o PDT, com 28 deputados federais, teve 31,29 segundos e o PP, com 37 deputados, 41,82 segundos. As bancadas eleitas em 2022, que servem como parâmetro para a divisão do tempo de propaganda na TV e no rádio, foram: PDT 17 deputados e PP 47. O primeiro terá menos tempo na eleição que vem, algo em torno de 20 segundos, e o segundo não mais que 1 minuto e cinco segundos. Não é pouco, não.

Mas, sem esses partidos, só considerando os que lhe declaram apoio público, Sheila teria na propaganda em bloco, no primeiro turno, entre 2’20” e 2’30, e até 2’50” se contar com o Podemos. Com o partido, que tem três vereadores na Câmara, e ganhando também o apoio e o tempo do PL, a prefeita pode ir para 4’40”. Isso é bem mais do que ela e Herzem tiveram em 2020 – 3’09”. Sem PL e Podemos, o tempo em 2024 deverá ser quase igual, somando o que lhe caberá dos 10% do tempo total divididos igualmente por todos os candidatos.
Waldenor ficaria com um tempo em torno de 2’25”, Zé Raimundo teve 3’17”. Lúcia, contando apenas o MDB, cerca de 47″. Marcos Adriano, do PDT, se sozinho, 20″. Romilson ou Edilson Gusmão, do PP, se não ocorrer a formação da federação com o União da prefeita, ficaria com 1’07”, e Salomão, se estiver no Novo, teria cerca de 5″.
IMPORTANTE: Os números apresentados nesta matéria são apenas projeções baseadas em dados da eleição de 2020 e cálculos estimados pelo BLOG, considerando as bancadas e as regras para a composição e distribuição dos tempos de propaganda de TV e rádio em bloco de eleições passadas. O exercício feito por nós pode ser considerado especulação, posto que tudo poderá mudar quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar resolução acerca dos critérios a serem utilizados por partidos e candidatos.
| Partido | Bancada 2023 | Tempo estimado/2024 | Tempo em 2020 |
| PL | 99 | 1’50” | 36″56 |
| PT | 68 | 1’15” | 58″66 |
| União Brasil | 59 | 1’09” | 32″34 |
| PP | 47 | 1’07 | 41,82 |
| MDB | 42 | 47″ | 37″61 |
| PSD | 42 | 47″ | 38″66 |
| Republicanos | 41 | 46″ | 33″40 |
| PDT | 17 | 20″ | 31″29 |
| PSB | 14 | 16″ | 35″50 |
| PSDB | 13 | 15″ | 32″34 |
| PSOL | 12 | 15″ | 12″34 |
| Podemos/PSC | 18 | 21″ | 13″40/10″24 |
| Avante | 7 | 8″ | 9″19 |
| PCdoB | 6 | 7″ | 12″34 |
| PV | 6 | 7″ | 6″03 |
| Cidadania | 5 | 6″ | 10″24 |
| PTB/Patriota (PRD) | 5 | 6″ | 12″34/11″29 |
| SD | 4 | 5″ | 15″50 |
| Novo | 3 | 4″ | 10″24 |
| Pros | 3 | 4″ | 10″24 |
| Rede | 2 | 2″ | 2″87 |
Coligações em 2020
Na eleição de 2020, a coligação de Herzem e Sheila, “O trabalho tem que continuar”, teve o MDB; DEM (atual União), partido da vice-prefeita; Republicanos; PTB (fundiu-se este ano com o Patriotas formando o Partido Renovação Democrática – PRD); Podemos; PMB e o PSDB. Saíram PSC, PPL, Cidadania e PSDC. Entraram Podemos, PMB e DEM.
O PT, que concorreu com Zé Raimundo, formou a coligação “A Conquista do futuro” unindo-se a PCdoB, da candidata a vice-prefeita Luciana Oliveira; PSB; PL e PDT.
Terceiro lugar no primeiro turno, David Salomão, que era PRTB, teve a participação do Patriota (que se fundiu com o PTB criando o PRD) na coligação “Agora é a vez do povo”. A candidata a vice, Ariana Mota era do mesmo partido de Salomão.
O PP teve Romilson como candidato a prefeito, apoiado na coligação “Conquista Independente” por Solidariedade, do vice Kleber Saúde; PTC (atual Agir); Pros (incorporado ao Solidariedade) e Cidadania.
Cabo Herling foi candidato pelo PSC (incorporado depois pelo Podemos), com apoio do PSL, que foi incorporado ao PCdoB. A coligação “Renova Conquista” teve como vice Pastor Washignton Silva, também do PSC.
Em 2020, Vitória da Conquista teve a segunda mulher a disputar uma eleição para o cargo de prefeita, Maris Stella, que saiu pelo Rede, mesmo partido do seu candidato a vice-prefeito Leone Gomes.
E o PSOL concorreu com Professor Ferdinand, para prefeito, e Paulinho Monteiro, vice.



