Aparente calmaria da política conquistense é engano, nos bastidores ela borbulha como o magma de um vulcão prestes a explodir
A prefeita Sheila Lemos mandou fazer uma pesquisa, Waldenor outra. Lúcia tem a dela e, muito provavelmente, os cinco pré-candidatos do grupo Reage Conquista também têm alguma referência para se guiarem. E todos vão fazendo suas articulações de acordo com as indicações desses levantamentos e dos seus marqueteiros e especialistas. Mas, a aparência é de que o ímpeto dos meses anteriores arrefeceu e os pré-pretendentes à Prefeitura diminuíram o ritmo de suas ações feitas para marcar presença no imaginário popular do eleitor conquistense.
Lembra o leitor que houve um momento em que o assunto seriam os prováveis vices? O vice da prefeita, a vice de Waldenor, Lúcia sem vice, o Reage com um vice entre eles. Não se fala mais nisso. Mas, antes de prosseguir, é necessário explicar o que o BLOG disse sobre o grupo Reage: o acordo divulgado é que tanto o pré-candidato a prefeito quanto o vice serão escolhidos entre eles. E isso ainda vai demorar. Como, certamente, vai levar uns meses até que Sheila defina entre um dos seis nomes que são pré-pré-candidatos a um lugar na chapa com ela. Mas pode ser que ela apresente alguém que ainda não está na fila. A ver.
Já Waldenor e Lúcia, se depender do PT baiano se juntam, nessa ordem. O MDB discorda e propõe a vereadora na cabeça de chapa e o deputado federal de vice. Nas casas de apostas de Londres, como diria Lúcio Vieira Lima, presidente de honra do MDB, a hipótese que está atraindo mais apostas coloca o petista e a emedebista colados, ela de coadjuvante. Mas, a senha para avançar de fase está com o governador Jerônimo Rodrigues, no Palácio de Ondina, e ele avisou que não tem mais pressa de anunciar. Mas, todo dia conversa com seu time sobre o assunto. Sussurrando, mas conversa.
Outro assunto que rendeu zum-zum-zuns nos corredores da Prefeitura e da Câmara, nos botecos, almoços políticos e nos senadinhos espalhados pela cidade foi o destino de alguns partidos, cujos líderes estão recalcitrantes em seguir as dicas estaduais ou nacionais e seguem defendendo seus próprios planos de terem candidatos a prefeito – ou a prefeita – ou tomarem direção diversa da que seria “normal”. Na lista: PL, PDT, PP e – até – o Republicanos, que tem emitido uns murmúrios queixosos.
O PL tem pré-candidato público, o advogado e radialista Washington Rodrigues, ainda tímido, muito mais ligado nas questões nacionais e internacionais, STF, Lula, privatizações, reforma tributária, Milei, do que Patagônia, Panorama, duplicação da Rio-Bahia, etc. Mas, dizem algumas línguas que batem nos dentes, que o PL já teria encaminhado um acordo com a prefeita. Washington iria para o fim da fila ou buscaria outra carruagem para seguir seus sonhos de ser candidato, porque a do PL já desvirou para abóbora. O pré-candidato nega e no grupo sheilista ninguém é capaz de confirmar. O BLOG também não sabe, só sabe que foi assim, como diria Chicó, do Auto da Compadecida.
O PP nem sabe se terá destino de partido, pois há uma fusão com o União no horizonte, quanto mais candidato. E olha que são dois pretendentes, ambos com muita confiança, Edilson Gusmão, que tem o sobrenome e o sangue do irmão Herzem, e Romilson Filho, que fala em nome de Cláudio Cajado, o deputado federal que protege o castelo de sonhos do PP conquistense das investidas de Sheila Lemos e Waldenor Pereira, que ora conversam com Mário Negromonte Jr, ora com João Leão, e até com Neto Carleto, querendo uma coisa só: que o sapato de cristal do Progressista caiba no pé de um deles. (Essas referências de contos de fadas se encaixam bem nessa saga silenciosa, mas ativa, da política local).
E o PDT? O partido que na Bahia tem o controle do deputado federal Félix Mendonça Júnior, Felinho, como é conhecido no meio político, já teve candidato a prefeito em Vitória da Conquista, em 2016, o publicitário Roberto Dias, que foi indeferido, mas conseguiu 1.975 votos, que foram anulados por irregularidades no registro. Agora, o PDT quer viabilizar o advogado Marcos Adriano Cardoso como pré-candidato ao castelo da Praça Joaquim Correia. Para tanto, deu a ele a presidência da comissão provisória municipal. Mas, Marcos Adriano não tem tido um dia que não precise vestir a armadura para enfrentar o cerco que fazem à legenda.
Hoje mesmo um blog local publicou declarações do pré-candidato do PT em que ele afirma estar em conversa adiantada com Felinho para ter o PDT em sua coligação no ano que vem. “Nós estamos com uma conversa bastante adiantada com o PDT, inclusive no Bahia Notícias, o presidente estadual, meu colega Felix Mendonça, já apontou com muita clareza a possibilidade de estar conosco aqui nas eleições de Vitória da Conquista”, disse Waldenor ao Blog do Sena.
Como se vê – ou como não se vê – talvez com a proximidade do Natal, entre apresentações de ternos de reis, concertos sinfônicos e muita luz, os políticos tenham dado um tempo nas suas movimentações e os burburinhos estão quase silenciados. Mas, ledo engano quem acredita que o processo está suspenso. Pelo exemplo do assédio ao PDT, nos bastidores a política queima como fogo de monturo, logo pode virar labareda. Dormita, como magma no fundo do vulcão, que borbulha na preparação da erupção que espalhará lavas na superfície. Quem se enganar com essa calmaria fake pode se queimar.



