‘Guerra da Saúde’ | Prefeitura e governo do estado retomam guerra verbal em meio à epidemia de dengue

‘Guerra da Saúde’ | Prefeitura e governo do estado retomam guerra verbal em meio à epidemia de dengue

Durante a pandemia da Covid-19, em que morreram 756 conquistenses, a Prefeitura e o governo do estado travaram um longo e constrangedor debate, com acusações mútuas, ameaças de processo judicial e transferências de responsabilidade. Infelizmente, essa briga está sendo retomada, diante da epidemia da dengue. Os dois entes colocam culpa um no outro pelo quadro ruim da saúde local, incluindo denúncias de ineficiência na UPA e de atendimento ruim nas unidades de saúde.

Na sexta-feira (22), a secretária de Saúde da Bahia, Roberta Silva de Carvalho Santana, divulgou um vídeo em que sugere que os problema de lotação e atendimento na UPA seriam derivados do atendimento precário nas unidades municipais de saúde. Roberta Santana diz que telefonou ao secretário municipal de Saúde, Vinicius Rodrigues, alertando para a situação da UPA: “Liguei para o secretário municipal de Vitória da Conquista, alertei sobre a sobrecarga da UPA, unidade de pronto atendimento gerida pelo governo do estado, da quantidade de pacientes que estavam buscando a nossa unidade”. Segundo ela, por meio de ofício, solicitou a alteração do horário de funcionamento nos postos, “para que possam acolher a população nos casos dos primeiros sintomas e orientar o manejo clínico adequado para que esses pacientes não agravem e não tenham necessidade de procurar um hospital”.

“A determinação do governador Jerônimo é de que a gente faça o acolhimento de todo e qualquer pessoa que busque a nossa unidade, mas precisamos também que o Município cumpra a sua parte”

Roberta Santana disse que o governo do estado mantém diversas ações contra a dengue em Vitória da Conquista e mencionou os carros ‘fumacês’, colocados à disposição durante seis meses do ano passado e em fevereiro e março deste ano. “O fumacê é a última medida no combate ao enfrentamento a dengue, precisamos contar a participação da comunidade no enfrentamento e na retirada de focos nas suas residências, mas sobretudo junto ao Município, de que disponibilize a ampliação do horário de funcionamento das unidades básicas de saúde, principalmente nos finais de semana, para que a gente possa orientar os pacientes e que seja feito de imediato a prescrição correta de hidratação”.

O gesto da secretária – ao solicitar publicamente “a imediata abertura das unidades básicas de saúde em horário diferenciado”, foi considerado uma intromissão na gestão da saúde municipal, ou, como se manifestou um gestor da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), “no mínimo ela foi desnecessária com aquele vídeo, se já tinha falado com o secretário, mandado ofício, qual a razão do vídeo, se não apenas constranger o governo municipal e tirar o braço dela da seringa, como se jogasse uma culpa para cima de nós?”

A prefeita Sheila Lemos foi ainda mais dura em resposta que deu, também nas redes sociais. A gestora conquistense aparece assistindo um vídeo em que uma usuária reclama do atendimento na UPA e, já no começo, Sheila acusa que o “atendimento prestado [na UPA] chega a ser desumano”. E continua, afirmando que com a dengue a situação piorou. “E diante desses casos, eu me deparo com a notícia que o governo do estado responsabiliza a Prefeitura pelo que vem acontecendo na unidade que é deles. As autoridades lá de Salvador, que vivem aqui fazendo comício, mas não dão nenhum pulinho na UPA para fiscalizar. Culpam a atenção básica de Vitória da Conquista, administrada por nós, pela superlotação da UPA. É muita falta de respeito e de responsabilidade”.

Eles nos culpam, mas eu pergunto, onde estão as ações deles neste momento de urgência da dengue?

Indignada, Sheila Lemos reclama de falta de empenho do governo Jerônimo Rodrigues em relação à vacina: “O governo do estado não lutou para trazer as vacinas contra a dengue de Brasília. Mas eles não são aliados ao governo federal, que é do mesmo partido? Cadê a vacina para a população de Conquista, governo do estado? Até quando nossa gente vai ficar desprotegida?”, questiona. A prefeita prossegue listando o que seriam as ações da sua administração na área de saúde e, no final afirma que o governo do estado “poderia seguir nosso exemplo e começar a priorizar a saúde. Mas o que a gente vê é que eles preferem jogar a culpa pela sua falta de ação e omissão na Prefeitura. Um conselho para vocês, façam mais e falem menos.”

Quase três mil casos

De acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, no dia 18 de março, Vitória da Conquista tinha 2.622 casos de dengue confirmados este ano; 37 de chikungunya e um de zika. Das 20 mortes registradas no estado, três foram no município. Barra do Choça, cidade quase contígua a Conquista, teve um óbito.

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading