Setembro avança e Jerônimo Rodrigues ainda não decidiu como quer entrar para a história da política conquistense
Diz a lenda que eleitor do PT não votaria na candidata a prefeita do União Brasil, Sheila Lemos, e que eleitor dela não votaria no candidato do PT, Waldenor Pereira. Mas, outra lenda diz que os eleitores tanto de Sheila quanto os de Waldenor votariam majoritariamente em Lúcia Rocha se ela for para o segundo turno, e os de Lúcia se dividiriam, com vantagem para quem avançar em primeiro, depois do dia 6 de outubro.
Como não foram tornados públicas, não se sabe se as duas únicas pesquisas registradas destas eleições em Conquista dispõem dos cruzamentos, detalhes como a possível migração em um hipotético segundo turno, que pode indicar quem seria o adversário mais difícil para a prefeita Sheila, se ela passar ao segundo turno, obviamente. Internamente, candidatos devem olhar isso, se não olham não entendem de pesquisa e qualquer coisa serve.
Provavelmente, quem mais deve estar se debruçando sobre esses detalhes é o governador Jerônimo Rodrigues, às voltas com muitas eleições complicadas, em especial, Vitória da Conquista.
Está difícil em Feira de Santana? Está, mas lá Jerônimo é Zé Neto. Está difícil em Camaçari? Está, mas lá o governador está com Caetano. Está difícil em Ilhéus? Está, mas lá Jerônimo é Adélia e Adélia é Jerônimo. Está difícil em Vitória da Conquista? Está, e aqui Jerônimo tem dois candidatos e nem é tanto Waldenor nem é tanto Lúcia, e Waldenor e Lúcia, pelo visto, não fazem questão de Jerônimo (pelo menos ele não aparece na propaganda eleitoral dos dois – tem quem diga que o governador proibiu).
O mandatário baiano está em uma situação delicada. Entre as suas opções estão:
– Fechar questão em torno da candidatura petista e assumir seu partido na terceira maior cidade da Bahia, para perder ou para ganhar;
– Continuar ‘neutro’, na perspectiva de que um dos seus candidatos, Waldenor ou Lúcia, possa ir para o segundo turno, para, só então, ele assumir a campanha;
– Reassumir o papel de líder e administrador de conflitos e tentar juntar os dois ainda este mês se perceber que o caldo pode entornar já no primeiro turno. É fundamental esclarecer que não é mais possível juntar as chapas, se um desistir só poderá apoiar, sem chance de ser vice, por exemplo;
– Sair da situação de ‘neutralidade’ e entrar para a história como o governador da virada, ou deixar o barco seguir como vai e tornar-se o responsável, por ausência, pela derrota do seu time político em Conquista.

Em Itororó, onde esteve no dia 28 passado, Jerônimo Rodrigues disse que se a eleição estiver em risco para a sua base, ele assumiria o timão da nave. “Conquista já sabe disso: eu tenho o nome de Waldenor, eu tenho o nome de Lúcia, são da minha base. Onde tem dois nomes que são ligados a mim terei dificuldade de dizer: vou subir em qual [palanque]? Mas eu combinei com os dois que, em setembro, se tiver correndo risco das eleições, nós sentaremos para tomar uma decisão. Se estivermos em vantagem com os dois, quem ganhar é do meu time, mas se tiver algum risco vou ter que chamar para responsabilidade”.
A pesquisa Atlas Intel, na qual o governador deve confiar muito, afinal foi a primeira a mostrar que ele venceria a eleição em 2022, quando todas as demais davam ACM Neto, pode dar o impulso que ele precisa para voltar à campanha de Vitória da Conquista e tentar ajudar a reverter o quadro complicado para seus aliados.
Mas, com ou sem a pesquisa Atlas Intel, já dá para ver o tal do risco existe, Esperemos, contudo, para ver se as probabilidades estatísticas diferem do burburinho das ruas.


