Vereador: vote em quem você conhece e sabe que tem noção do coletivo. O meu, eu já escolhi

Vereador: vote em quem você conhece e sabe que tem noção do coletivo. O meu, eu já escolhi

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista terá 23 vereadores a partir de janeiro do ano que vem. Um ou uma você escolhe. Para que seu candidato ou sua candidata se eleja, pelo menos mais 1.200 deverão votar nele ou nela também. Essa estimativa é baseada na menor votação de um vereador eleito em 2020, Orlando Filho, que teve 1.164 votos, mas acabou sendo cassado por prática de fraude na cota feminina e deu a vaga a Edivaldo Ferreira Júnior, votado por 1.804 votos.

Vitória da Conquista tem 257.784 eleitores e, pelos cálculos do BLOG, votarão entre 206 mil e 216 mil pessoas, podendo ser válidos de 187 mil a 206 mil votos. Assim, para que um partido ou federação eleja um vereador precisará ter entre 8.150 e 9 mil votos, que formam o chamado quociente eleitoral, que é a divisão dos votos válidos totais pelo número de vagas na Câmara. Nenhum vereador, na história de Vitória da Conquista, teve sozinho os votos para se eleger.

Aliás, no país são raros os casos de candidatos em eleição proporcional (vereador, deputado estadual e deputado federal), que tenham sido eleitos por seus próprios votos, todos acabam dependendo da votação do partido, por isso o parlamentar não pode deixar o partido antes da janela partidária (abril do ano da respectiva eleição), porque os votos que o elegeram são considerados votos do partido e não dele.

Em Vitória da Conquista, a maior votação recebida para a Câmara de Vereadores foi de Lúcia Rocha, em 2004, quando ela chegou a 4.966 votos, um pouco mais da metade do quociente daquele ano, quando foram eleitos 14 vereadores.

O principal papel do vereador é legislar, fazer e aprovar leis que ajudem a organizar o funcionamento do município e, possibilitem melhorar a vida das pessoas nas cidades. Também cabe ao vereador fiscalizar a atuação da Prefeitura, os atos do prefeito ou da prefeita. Por isso que a Câmara de Vereadores, bem como a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados não pode ter componentes só de um lado, de um partido, federação ou grupo político.

Se fossem todos os vereadores do lado do prefeito ou da prefeita, ele ou ela, em tese, poderia fazer o que quisesse e não seria fiscalizado. As leis poderiam não ser todas visando o bem-estar da população, os impostos e taxas municipais seriam cobrados de acordo com o único interesse da gestão, as obras seriam feitas como a pessoa que estivesse à frente do Poder Executivo quisesse, como poderiam não ser feitas.

Poderia ser pior ainda se todos os vereadores fossem contra o gestor ou gestora municipal. Tudo poderia ser emperrado, as leis benéficas poderiam ser engavetadas, as ações do governo não se desenvolveriam porque a oposição colocaria entraves burocráticos, jurídicos, e o debate político não existiria. Ao invés de organizar a vida no município, o cenário poderia ser de conflitos o tempo todo, com a imposição de único lado.

A essa condição, essa mistura de partidos, tendências, visões políticas diferentes dá-se o nome de democracia. Democracia representativa. Uma sociedade é formada por pessoas de diferentes modos de pensar, sejam religiosos, futebolísticos, culturais, sociais, políticos etc. Imagine se os bares só vendessem Brahma ou Spaten. Ou que as igrejas fossem todas protestantes e os terreiros não existissem. Imagine esta cidade apenas com botafoguenses ou atleticanos. Se todos gostassem só de Manuel Gomes ou apenas de Caetano Veloso…

Pois a ideia é de que a Câmara de Vereadores tenha pessoas tão diferentes quanto é na sociedade. E que se forme entre os 23 que serão eleitos a representação dessa diferença, justamente para que todos possam ser tratados igualmente. Um candidato se elege como representante de um grupo social ou político, de uma ideia da comunidade, mas, eleito, terá que ser coletivo, atuar pela sociedade em geral. Pode ser só bolsonarista lá? Deus me livre! Só petistas? Valha-me Deus! Só populistas ou “petistas” (aqui no sentido dos que cuidam mais de pets do que de gente)? Misericórdia.

É importante ter, por exemplo, Ivan Cordeiro (22222) e Xandó (13500). Viviane (13300) e Babão (65789). Luciano Gomes (65222) e Jacaré (13111). Subtenente Muniz (12190) e Dr. Andreson (65555). Dudé (44111) e Valdemir (13100)… E que sejam eleitos os antagônicos, os adversários, os da zona rural e da cidade, os que lutam pela saúde, mais os que defendem a educação e os que brigam por mais empregos, mais cultura, liberdade de culto, de gênero, os que têm uma bandeira ou que sejam generalistas…

Eu vou votar em Dudé. Na eleição passada votei em Viviane. E poderia ter votado em Ivan Cordeiro. Dudé é União Brasil, Viviane é PT e Ivan é PL. Não votarei outra vez em Viviane, mesmo reconhecendo que ela foi uma excelente vereadora, e torço que continue na Câmara. É um voto de alto nível.

Não votarei em Ivan, mesmo sabendo que ele foi um dos que proporcionaram o equilíbrio na balança direita e esquerda e demonstrou-se um grande parlamentar, atuante, coerente e respeitoso com seus pares, imprensa e público. Quem escolher Ivan estará fazendo uma escolha muito boa.

Votarei em Dudé porque gostei do modo como ele se comportou como presidente da Câmara e como agiu quando assumiu temporariamente o cargo de prefeito em 2022, sem orgulho, leal, capaz de ouvir. Ele vive a cidade e buscou usar seu mandato em favor do desenvolvimento da sociedade. Além disso, é meu amigo há quase quatro décadas, embora eu nunca tenha votado nele.

Se eu pudesse fazer uma lista dos vereadores que minha cabeça e meu coração, em diálogo democrático, acham que comporiam a melhor Câmara Municipal, incluiria outros dois amigos, Alecxandre Magno (44244) e Rosa Freitas (23199), além de Lucas Batista (23000); Adão do PCdoB (65656); Professor Cori (70555); Gabriela (15015); Diogo Azevedo (44192); Beth do MST (13333); Ricardo Gordo (40222); Maris Stella (18888); Diego Gomes (44777); Willian Gama (65444); Nei Ferraz (22123).

Mas, só posso votar em um e votarei no menino do Alegria, Luís Carlos Batista de Oliveira, o Dudé, número 44111.

Não quero influenciar ninguém, mas a você que está lendo eu digo: Escolha alguém que você conheça e que essa pessoa demonstre conhecer a função que exerce um vereador. Não é um concurso para eleger a pessoa mais legal, a mais pobre que venceu na vida, a que realiza um excelente trabalho na função pública à qual chegou por concurso público (pois que fique onde está). Não é uma escolha por merecimento. Tem gente que pede voto como se dissesse que precisa de um salário de vereador para “fazer o bem”. Saia desses. E saia dos inúteis e criminosos.

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