Ivan presidente da Câmara pode ser primeiro movimento de Sheila pensando na possível, mas impronunciável, nova eleição
A pouquíssima gente a prefeita Sheila Lemos abre suas estratégias políticas. Com uma forma peculiar de ouvir e de se expressar em reuniões ou em conversas particulares, onde, ao mesmo tempo, aparenta “ligar muito” e “não ligar demais”, ela deixa sempre um enigma no ar. É como a Esfinge de Tebas. Ela deixa no ar as dúvidas e quem não sabe responder pode perder o jogo. A Esfinge devorava.
Como uma enxadrista silenciosa, ela não abre a boca para falar nas possibilidades do julgamento do recurso que, em Brasília, pode decidir se ela será proclamada prefeita ou determinar uma nova eleição. Aliás, nova eleição é assunto proibido na Tebas sheilista. É heresia. Aquilo que não se pronuncia, como Lord Valdemort, em Harry Potter.
Como a Esfinge, quem quer saber se a prefeita tem um plano B à sua posse, ela entrega o mistério como resposta. Até porque, naturalmente, espera, convicta, sua vitória no TSE. E ainda tem o Supremo Tribunal Federal (STF), se for o caso.
Porém, porque a política pede insistência, considerando que existe uma possibilidade, não tão difícil assim de se tornar realidade, de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir por uma nova eleição municipal, Sheila pensa nisso? É o enigma atual. Há quem esteja se consumindo com essa questão.
Contudo, um movimento, à la enxadrista, deixou mais ou menos uma ponta da resposta ao enigma aparecer.
Ao não apenas liberar os vereadores aliados a apoiar Ivan Cordeiro, mas, dizer a eles, pessoalmente, que fica feliz com a eleição do vereador do PL, Sheila mexe em uma peça do tabuleiro de xadrez da… possível nova eleição.
Qualquer pessoa que faz política com estratégia se prepara para a festa, quando tem 90% de chance de ganhar, mas também rascunha o plano para a hipótese de acontecer o que só tem 10% de chance de acontecer: a derrota.
Para quase todo mundo é natural que, não sendo ela a prefeita diplomada e empossada (nem sendo Waldenor), o nome preferido de Sheila para uma nova chapa, se a impensável e não falável eleição suplementar vier como realidade, seria o do médico Alan Fernandes, seu vice, que, como ela, foi vencedor nas urnas.
Mas, até a Mãe de Pantanha, figura folclórica mencionada pelo radialista e ex-prefeito Herzem Gusmão, já no céu, sabe que o PL não iria para a avenida balançar a bandeira do 10 com muito boa vontade. Se é que iria.

Mas, Ivan se tornar presidente por influência direta da prefeita Sheila Lemos melhora, e muito, o nível de simpatia do partido de João Roma com o médico e político do Republicanos. É um agrado e tanto, fora a capacidade de o vereador convencer seus pares, ele mesmo.
Mas, nada disso é óbvio, como quase tudo o que envolve o jeito Sheila Lemos de fazer política. Óbvio é que esse artigo será contestado, a articulação será negada, como muitos já foram, e depois se tornaram referência histórica.
Governantes têm o mau costume de mentir quando se trata de eleições das direções nos poderes legislativos. Mas, anote, leitor, quando um presidente da República, governador ou prefeito diz que “a eleição da Mesa Diretora é assunto interno e eu não me meto”, ele ou ela está metido até o pescoço.
A ESFINGE
Popularizada pela peça “Édipo Rei” de Sófocles, escrita por volta de 429 a.C, a lenda da Esfinge de Tebas, figura mitológica da Grécia Antiga, trata de uma figura mitológica com corpo de leão, cabeça de mulher, asas de águia e cauda de serpente. A Esfinge guardava a entrada da cidade de Tebas e a quem quisesse passar lançava um enigma: “Qual é o animal que de manhã tem quatro patas, ao meio-dia tem duas e à noite tem três?”. Os que não conseguiam responder eram devorados.
Coube a Édipo decifrar o enigma, respondendo que o animal era o homem, que engatinha quando bebê, anda sobre duas pernas na vida adulta e usa uma bengala na velhice. Com a resposta o herói libertou Tebas da tirania da Esfinge.
A MÃE DE PANTANHA
Para saber mais sobre a lenda urbana da Mãe de Pantanha, tão usada por Herzem no rádio, clique nos links abaixo. Outra hora eu escrevo, agora pode gerar repercussões não interessantes.
Portal No Amazona é Assim
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