Câmara de Vereadores: Ivan Cordeiro só não será presidente se Sheila não quiser

Câmara de Vereadores: Ivan Cordeiro só não será presidente se Sheila não quiser

A frequência com que parte da imprensa conquistense menciona a articulação para fazer de Ivan Cordeiro (PL) o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, uma hora com a palavra de apoio de um colega de bancada, outra hora com a fala de dirigente de algum partido da base governista municipal, faz parecer que a caminhada do vereador bolsonarista à cadeira principal da Mesa Diretora encontra barreiras.

Não se sabe se essa versão de uma construção nada fácil da eleição é um equívoco ou uma estratégia, mas a verdade é que Ivan só não será o presidente da Câmara de Vereadores se a prefeita Sheila Lemos não quiser. E, pelo menos até agora, ela quer.

Em certas conversas de bastidores circulou a versão de que a escolha de Sheila por Ivan para presidir o legislativo municipal por dois anos teria a ver com um sinal a João Roma, ex-ministro de Bolsonaro, ex-candidato a governador e presidente do PL na Bahia, visando seu apoio a uma eventual candidatura a prefeito do vice de Sheila, Alan Fernandes, por quem não morreria de amores, se o desdobramento do processo no TSE fosse por uma nova eleição, hipótese afastada (mas ainda não definitiva) com a decisão do ministro André Ramos Tavares a favor da prefeita.

Com a ameaça da nova eleição distante, Ivan poderia ser descartado? Um rotundo não ecoa do gabinete principal da Prefeitura. Ivan tem a confiança da prefeita e já conquistou todos os pares da sua bancada, com ou sem muxoxos. Para que o representante de Jair Bolsonaro na Câmara Municipal deixe de ser o candidato a presidente da Mesa Diretora da Câmara de Vitória da Conquista, Sheila teria que escolher outro. E ela não fará isso.

Desde sempre, o governante com maioria no legislativo municipal decidiu quem seria o presidente. Por ação ou omissão antecedida de uma articulação discreta. A bancada pró-Sheila em 2025 terá 14 vereadores certos, incluindo Luciano Gomes e Ricardo Babão, do PCdoB. Mesmo que Babão e Luciano mudassem de orientação, o candidato da prefeita, repita-se, Ivan, seria o vencedor em um embate não admitido por ninguém.

A Mesa Diretora pode ser eleita pela situação sem qualquer acordo com a oposição, bastando manter a ficção de uma composição mista pela presença de Babão em algum cargo.

APENAS UM CASO

Em Itabuna existiu por um tempo uma prática para tentar evitar traição após a definição de apoio a uma determinada chapa para a Mesa Diretora da Câmara Municipal. O grupo embarcava com suas famílias em vans alugadas, depois do Natal, e ficava em casa de praia até o dia da posse e da eleição, para as quais iam direto, com seus paletós e gravatas. Se fato ou lenda, sempre deu certo.

Mas, na eleição para o biênio 2015-2016 um fato curioso se deu. O vereador Ruy Miscócio Machado, que já tinha sido presidente, registrou uma chapa com o apoio prévio de 12 vereadores – ele precisava de 11, pois a Câmara de Itabuna tinha 21 parlamentares. Ruy queria interromper o plano do presidente de então, Aldenes Meira, de se reeleger. Em Itabuna, a Lei Orgânica autoriza a reeleição na mesma legislatura, a de Vitória da Conquista não.

Ruy e os 11 que o apoiavam chegaram a dar entrevista ao vivo no programa Balanço Geral, apresentado pelo jornalista Tom Ribeiro e, por diversas vezes, os câmeras mostraram o rosto de cada um. Uma exposição pública que, certamente, impediria tração. Qual o quê! Ruy teve nove votos. Dois voaram para o lado de Aldenes e por muito tempo ninguém soube quem foram os traidores do pacto.

Lição: nessas coisas, todo agrado é pouco.

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