Crônica de ‘viagens’ | O golpe da viagem a Natal, que o Itaú reembolsou; e a multa da Rota, mesmo com cancelamento tempestivo

Crônica de ‘viagens’ | O golpe da viagem a Natal, que o Itaú reembolsou; e a multa da Rota, mesmo com cancelamento tempestivo

Este mês, duas situações envolvendo passagens me criaram transtornos e desconforto emocional (leia-se susto, impaciência, raiva, esperança, raiva, alegria, decepção). Vou falar logo da que me deu um susto grande.

Eu tenho o costume saudável de verificar meu extrato do cartão de crédito, dado que tenho um outro hábito, este nada saudável, de pagar sem olhar a nota e sem pedir minha cópia do comprovante de pagamento. E lá estava um lançamento de uma dívida pela aquisição de passagens de ida e volta a Natal, linda capital potiguar, onde estive há dez anos com a minha filha Alice.

O susto foi como saltar de um avião sem paraquedas. Gastei R$ 3.415,44 para ir à praia mas estava em casa, ouvindo a chuva em Vitória da Conquista. Eu, fazendo conta de centavos, a levar um prejuízo desse tamanho. Sorte que com o cartão de crédito do Itaú não tem erro. Reclamei da compra, prontamente cancelaram o cartão e anunciaram o reembolso. Meu próximo passo foi acessar minha conta na Latam, a empresa que me cobrou pela viagem a Natal que eu não fui.

Em Minhas Viagens, descobri que ‘eu’ tinha saído de São Paulo no dia 7, justo quando eu estava em Salvador, para onde fui de Rota, por obrigações de saúde. Minha volta de Natal a São Paulo ‘será’ no dia 27 de março. ‘Viajei’ na poltrona 9E e para a volta decidirei mais perto da viagem. Meu nome, é Kadja Oliveira. E penso que se a Latam, o Itaú, a Visa e a polícia quiserem, podem me apanhar antes de eu despachar minhas malas cheias de produtos de golpe.

Sabe o que mais me deixa boquiaberto com isso? A operadora do cartão já sabe que foi um golpe, a golpista já usou um trecho, mas o outro é para meses depois, o nome – e, provavelmente outras identificações – está no computador da empresa aérea, mas, tudo leva a crer que o passeio de Kadja Oliveira vai sair de graça. Só não vai ser pelo meu pobre e acanhado dinheiro.

ROTA

Viajo na Rota há 32 anos. Fiz o trajeto Vitória da Conquista – Itabuna – Vitória da Conquista mais de 500 vezes. Posso até ser guia de motorista. Trabalhei em Itabuna morando em Conquista em vários períodos e ia para a lida e vinha para a alegria de reencontrar a família. Este ano, comecei a usar a Rota para Salvador, já que a empresa entrou no lugar da querida Camurujipe.

No início do mês, precisei ir a Salvador e comprei passagens de ida de leito e de volta de leito-cama. Fui no dia 3 à noite e retornaria no dia 9. Como fui liberado dos compromissos na véspera, decidi retornar, economizando diária de hotel e na alimentação – que é muito cara em Salvador. Para não comprar a passagem da volta antecipada sem a garantia do reembolso da anterior, tentei cancelar. Tudo tempestivamente, mais de 36 horas antes do horário marcado (22h10 do dia 9 de novembro).

Pelo telefone, uma funcionária da Rota me diz que passagens adquiridas no site só podem ser canceladas no site. Expliquei a ela que já tinha tentado, mas as passagens não apareciam no meu perfil, apenas uma aquisição antiga, de 2016. A atendente me orientou a enviar um e-mail relatando o problema e o setor técnico resolveria e me daria um retorno. Fiz assim e esperei. Recebi uma resposta ao e-mail, meia hora depois, pedindo meu CPF. Informei. Depois disso, mais nada. Como minha volta a Conquista deveria ser no semi-leito de meio-dia, fechei a conta no hotel e segui para a estação rodoviária.

No guichê, onde apenas uma mulher atendia, expliquei o que se passava e pedi que ela tentasse cancelar os bilhetes da viagem do dia seguinte, antes de eu comprar as novas passagens. Ela bem que tentou. Eu nervoso, ela lenta (por minha impressão); ela simpática, eu tenso.

A fila crescendo, a hora do embarque chegando, as pessoas murmurando e me olhando com caras de poucos amigos, esperando meu atendimento terminar, parecia que já tinham se passado três dias e uma eternidade. A funcionária da Rota me aconselha a tentar no dia seguinte, pois eu tinha como prazo até três horas antes do embarque e, “com certeza, a empresa vai cancelar e lhe reembolsar”, disse ela, sensata.

Fiz. Comprei as passagens novas e encarei quase dez horas de viagem pelas BRs 324 e 116 esbagaçadas pela negligência da concessionária, últimas poltronas.

Dia seguinte, olho e-mail e vejo o site. Nenhum e-mail da Rota e, no site, as passagens já apareciam, mas inacessíveis. Estava escrito lá: ‘Falha no processamento’. Entendi que, diante da gentileza das atendentes e de tanto contato, aquilo estaria em solução. Vou aguardar. Dia 15, nada. Dia 16 ligo, a moça me diz que vai dar certo, que se o setor técnico ficou de ver, verá!, e me enviará resposta. O prazo seria cinco dias. “Fique tranquilo”. Fiquei.

E não é que a resposta veio? Na segunda-feira, 18 de novembro, recebi um comunicado da Rota pelo app de mensagens do Android informando o reembolso. Fiquei feliz e elogiei mentalmente a empresa, pois, pensei, depois do que houve, a Rota conseguiu responder de acordo com o meu direito. Mas, não.

A empresa descontou 20%, que, segundo li, seria multa por pedido de cancelamento após três horas antes do horário de embarque. Ao invés de receber R$ 909,88, valor que paguei por duas passagens, fiquei sabendo que o reembolso será de apenas R$ 647,99.

Mas, como, se o site não permitia o cancelamento? Se por telefone não faz cancelamento? Se no guichê de Salvador não pude fazer o cancelamento? E se meus e-mail enviados cerca de 36 horas antes do embarque deixavam claro que eu queria cancelar as passagens e não podia por problema no site? E agora?

Vou esperar resposta à reclamação que fiz no Fale Conosco da Rota, que não tem ouvidoria. Não acredito que, por causa de R$ 261,89 a Rota vai me fazer acionar a empresa por danos morais. Porque, se esse valor é importante para ela, uma das mais ricas transportadoras de pessoas do país, imagina para mim.

Espero que Aluyr Neto saiba desse meu desabafo. Ele sabe que eu gosto da Rota.

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