Após atacar na campanha bolsonarismo de adversários, PT e aliados apoiam candidato do PL à presidência da Câmara de Conquista
Dentro cinco dias, logo depois de tomarem posse, os 23 vereadores de Vitória da Conquista se reunião para eleger o presidente e a Mesa Diretora da Câmara Municipal. Só haverá uma chapa, toda simpática à prefeita Sheila Lemos, como, aliás, já é e foi no período de 2021-2022.
O nome para presidente é Ivan Cordeiro (PL), que terá com ele na direção, Cris de Lúcia Rocha (MDB), Luciano Gomes (PCdoB), Hermínio Oliveira (PP), e Dinho dos Campinhos (Republicanos). O BLOG não teve acesso à divisão dos cargos.
Segundo notícias nos blogs locais, com essa composição, a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista será mista, pelas presenças da filha de Lúcia Rocha e de Luciano Gomes.
O acordo envolveu todos os partidos, inclusive os da Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PCdoB e PV, que está representada por Luciano Gomes.
O que chama a atenção é que o principal nome da Mesa, Ivan Cordeiro, se identifica como o maior representante do maior alvo de petistas e aliados, principalmente nas eleições de outubro: o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante toda a campanha tanto os candidatos a vereador como o candidato a prefeito da Federação, deputado federal Waldenor Pereira, do PT, atacaram com veemência os candidatos que consideravam ser bolsonaristas, como a prefeita Sheila Lemos (União).
O contexto era impedir o sucesso eleitoral e político dos candidatos que apoiam ou foram apoiados por Bolsonaro. A eleição na Câmara de Vereadores dá uma trégua nessa linha de pensamento.
Ivan, em seu segundo mandato, tem uma trajetória política de sucesso que se destaca da maioria e está em qualquer lista de possíveis candidatos a deputado. Em 2022, com o mote bolsonarista e uma campanha em que o ex-presidente aparecia em fotos e vídeos de apoio, ele conseguiu em Conquista 11.271 votos de um total de 13.736 que teve no estado.
O nome do vereador do PL surgiu como candidato forte à presidência da Câmara justamente no momento em que havia a possibilidade de o processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resultar em uma nova eleição para prefeito de Vitória da Conquista, o que levaria o presidente da Câmara a assumir o cargo por um tempo razoável.
O apoio do PT e aliados significaria, nessa hipótese, colocar um adversário bolsonarista à frente da Prefeitura, ao apoiá-lo para presidente do legislativo municipal.
O BLOG procurou as direções do Partido dos Trabalhadores, do PSB e do PCdoB, bem como os três vereadores do PT. Com o presidente do PT, Isaac Bonfim, tivemos o seguinte diálogo:
BLOG – Boa tarde, presidente! “A surpresa ficou pela facilidade de articulação entre os vereadores da bancada de oposição, incluindo os eleitos pelo PT e PCdoB, o edil já conseguiu reunir apoio entre os adversários políticos, gozando de um prestígio poucas vezes visto.” (Blog do Sena). Pode me falar um pouco mais sobre esse apoio?
Isaac – A direção do PT liberou a bancada para realizar as tratativas no parlamento. Acredito que a melhor pessoa para lhe dar resposta ao seu questionamento, é o líder da bancada, o vereador Alexandre Xandó.
BLOG – A direção do PT se exime desse assunto?
Isaac – Não. A decisão de liberar a bancada é uma decisão política por entender que as eleições no Parlamento possuem dinâmica própria.
BLOG – Não importando ausência da Mesa ou se o apoiado é bolsonarista?
Isaac – Veja, só estou lhe dando retorno por respeitar o papel da imprensa. Mas estes são questionamentos que devem ser feitos a quem realizou as tratativas na eleição para o parlamento.
BLOG – Presidente, a mesma pergunta enviei aos três vereadores que permanecerão na Câmara, entretanto, tanto no âmbito nacional como no estadual, a discussão sobre a eleição da direção do legislativo passa por posicionamento partidário. Eu o procurei como imprensa mesmo e por imaginar que esse tema fosse uma preocupação partidária também em Conquista. Mas estou satisfeito com seu retorno. Obrigado. Feliz ano novo.
Isaac – mas já que me enviou a linha da matéria. Não é apenas o PT na oposição que votará desta ou daquela forma. O título da matéria acaba não sendo exatamente o que acontece na CMVC. e a campanha não foi apenas do PT, o PSD, PSB e PCdoB também elegeram vereadores na legenda de oposição.
Com José Carlos Oliveira, presidente do PSB, que não faz parte da Federação Brasil da Esperança, mas estava na coligação com a candidata a vice-prefeita, Luciana Silva, e teve Ricardo Gordo eleito pela legenda, o diálogo foi assim:
BLOG – Presidente Zé Carlos, boa tarde. Orientação do PSB em relação à eleição da Mesa da Câmara é votar em Ivan?
José Carlos – Do partido não.
BLOG – Mas [Ricardo] Gordo vai votar.
JoséCarlos: Sugerimos só ao nosso vereador eleito que convocasse uma reunião da bancada da oposição e sugerisse a formação de uma chapa que não fosse representada por um representante da extrema direita.
BLOG – E ele?
José Carlos – Me informou que o processo havia sido antecipado por conta das indefinições na disputa majoritária e que Fernando Jacaré era quem estava dialogando pelo conjunto e firmou o nome de Ivan Cordeiro, em acordo que a oposição entendeu ser mais vantajoso para o funcionamento da casa e a movimentação dos vereadores. O diálogo sobre esse processo praticamente não existiu entre os partidos e vereadores.
PROCURADOS, OS VEREADORES ALEXANDRE XANDÓ E FERNANDO JACARÉ, CITADOS POR ISAAC BOMFIM E ZÉ CARLOS OLIVEIRA, NÃO RESPONDERAM AO BLOG.




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