Passageiro do transporte rural não pagará nova passagem na cidade para chegar ao destino, planeja Prefeitura de Conquista

Passageiro do transporte rural não pagará nova passagem na cidade para chegar ao destino, planeja Prefeitura de Conquista

Está em andamento em Vitória da Conquista, o Plano Municipal de Mobilidade Urbana (Planmob) que deve elaborar parâmetros para cumprimento do que é determinado pela Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), cujos objetivos são “a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas no território do Município”.

O estudo deve compreender aspectos do trânsito, do transporte e da infraestrutura de mobilidade urbana, como vias, calçadas, estacionamentos, pontos de embarque, visando os deslocamentos das pessoas e cargas por transporte motorizado e não-motorizado.

A prefeita Sheila Lemos (União) criou três comissões para cuidar da elaboração do Planmob, que chegou a ser negociado pelo prefeito Herzem Gusmão com a Fundação Fundação Escola Politécnica, em 2019, cujo resultado é desconhecido. O prazo para que seja apresentado o atual plano de ação da comissão técnica do Planmob é o dia 3 de fevereiro.

O BLOG conversou com o coordenador municipal de Transportes, Sérgio Hubner, sobre o tema e ele adiantou algumas das ações da área que ele coordena que já estão previstas. Um ponto se destaca na entrevista: a extensão da integração tarifária ao transporte coletivo rural, compreendendo o trajeto da localidade do interior ao ponto final na cidade.

Outra boa notícia é a previsão de dotar Vitória da Conquista com abrigos de ônibus modernos, substituindo equipamentos antigos, que oferecem pouca proteção. Os novos pontos de ônibus devem ser custeados por publicidade, conforme permitido por lei.

VEJA A ENTREVISTA

BLOG – Quais as mudanças que podem ocorrer no transporte coletivo em Vitória da Conquista, a partir do novo plano de mobilidade.

SÉRGIO HUBNER – O transporte coletivo urbano já está estabilizado, nossa prioridade adiante será o rural e o escolar rural, georeferenciados, com bilhetagem e todas as ferramentas que os tornem mais ágeis e confortáveis. Um dos nossos passos adiante será integrar o transporte coletivo rural com o urbano (garantindo a integração temporal. Para que os usuários que tenham uma ida e uma volta no perímetro urbano, como complemento de viagem, não serem obrigados ao pagamento da tarifa, já que pagaram na origem.

Já demos start na padronização da frota permissionária rural, para também termos alcance visual de quem é quem destes veículos acessando nosso centro. Ou seja, diferir dos modais de outras cidade. Vai ser o mesmo grafismo do transporte urbano, mas com cor distinta, assim, saberemos que os veículos pertencem aos permissionários do nosso município e não de outras cidades. E até visualmente saberemos as condições dos veículos. Antes não tínhamos tal controle.

Com a nova identificação saberemos até se o veículo está saindo dos limites do município para fazer outros serviços que não sejam ao que está contratado e para distingui-lo daqueles que não são permissionários, mas que burlam e se passam como tal.

BLOG – Mas há outros pontos importantes na demanda da população: pequenos terminais na cidade e nos distritos; abrigos novos e confortáveis…

Sérgio Hubner – Abrigos, sim. Porque terminais físicos, com o advento da integração virtual ou temporal, eles perderam suas funções. Há, sim, planos de melhorar o entorno da estação Herzem Gusmão. Resolvendo pontos, por exemplo, como os ônibus rurais que embarcam e desembarcam atrás do posto Sabrina.

Neste aspecto, as travessas Justino de Gusmão e Dois de Julho passarão a ser exclusivas para tráfego de ônibus que acessam a estação.

BLOG – Chamo de terminais considerando a arquitetura. Pontos com o da praça do Fórum pedem algo mais organizado.

Sérgio Hubner – Os abrigos serão reconfigurados, maiores quando for necessário e possível (considerando o espaço disponível), porém tudo com novo padrão e licitados. Serão translúcidos, para maior segurança, principalmente à noite, iluminados (placa energia solar), tomadas de USB e painéis digital que intercalarão ora a aproximação do ônibus, demonstrando sua linha e horários, ora orientações de cunho de utilidade pública e propagandas para o vencedor da licitação.

BLOG – E a questão dos valores das passagens da zona rural?

Sérgio Hubner – Ficará como está. O que difere é que os oriundos da zona rural, ao desembarcarem no centro, acessarão seu ponto de desejo (linha) no perímetro urbano sem pagar, como atualmente pagam, já que a frota que circula pela cidade, já tem seus custos balizados. Para isso, os usuários da zona rural precisam estar cadastros na Atuv, portarem o cartão para garantir as duas integrações (ida e volta) no tempo de 90 minutos. Ou seja, os passageiros, economizarão R$3,80 na ida e R$3,80 na volta, já embutidos no subsídio em curso.

Para que não estabeleça a figura do cambista, como você conheceu no passado recente, tivemos que primeiro organizar o urbano, que agora tem a biometria facial garantidora de que não haverá, como antes, comércio paralelo, qual seja, o cartão de um estar na posse de outro, ou cartões de direitos sociais (gratuidades) sendo comercializados como fonte de receita. Temos muito trabalho: a zona rural é extensa e seu fluxo de ir e vir à nossa cidade é também, por isso, iremos fazer mais inclusão social. Aqueles que até então não foram alvejados por estas políticas.

Na mobilidade, eis o que a prefeita determina: provimento nesta direção, criar as condições para que isso aconteça.

BLOG – No caso do passageiro que chega do interior, ele pode usar a integração para fazer uma viagem ao Cemae, por exemplo, já quando deixa o transporte rural? Ou ele paga a primeira viagem ao Cemae e pode voltar na integração, se for em até 90 minutos?

Sérgio Hubner – Ele paga no rural. Desce, por exemplo, na Pedra, e de lá se desloca em qualquer linha com sua integração (uma ida). À tarde, regressando para a zona rural, no ônibus urbano, ele integra até próximo ao ponto da linha rural. Ou seja ele possuirá uma integração de chegada e outra de partida no urbana. Isto estará pré-estabelecido no cartão dele quando cadastrado na Atuv.

Atualmente uma doméstica (cito esse exemplo profissional porque foi o que testemunhei) saindo de Bate-Pé paga a passagem no rural, desce ali na Pedra, pega um ônibus urbano para ir até a Olívia Flores, e paga a passagem. Na nova configuração ela não pagará mais. Seja na ida ou regresso dela até a Pedra.

Este exemplo, eu fiz, indo de madrugada para Bate-Pé de automóvel, de lá, no primeiro horário, embarquei no ônibus e até o ponto final dele na Pedra, na viagem, interagi e argui muitas pessoas no percurso.

BLOG – O que você percebeu na viagem?

Sérgio Hubner – Na Pedra, desembarquei com todos e segui a pé até a Olívia Flores com um grupo de senhoras, secretarias do lar. A pé, elas fazem o trajeto todos os dias, por anos, porque se forem pagar a tarifa urbana, o orçamento delas derrete.

Levei a demanda à prefeita, e ela, de imediato, pediu proposta de solução. E assim foi. Ao ouvir e presenciar a rotina destas senhoras (foi o público que aderimos naquela madrugada) foi o bastante para compreender uma pequena parcela do quanto há que se fazer.

Sérgio Hubner com a prefeita Sheila Lemos

Muitas residem a quilômetros do eixo em que passa o ônibus, tem que acordar por volta das 02h00 para atividades domésticas, cozinhar, deixar tudo pronto aos esposos e filhos, para que tenham tempo de caminhar por quilômetros até ao eixo do ônibus, viajar até o centro da cidade, ir a pé por toda a urbe até seus empregos, de modo que as 07h30 estejam a postos no local de trabalho.

Quando levamos esta situação, foi impactante. Mas não há somente senhoras, domésticas, há pedreiros, ajudantes, pessoas que trabalham em lojas. Enfim, deste modo, este será o desafio, quando o urbano já esteja a fluir.

Agora imagina tudo isto, em ocasiões chuvosas. Tendo seu deslocamento dentro da cidade garantido sem ônus, nossos munícipes que precisam realizar estas jornadas diárias poderão ter um tempo maior em casa, quem sabe para o sono ou atividades. São ganhos intangíveis que vêm junto com este empenho do governo.

O fato é que os munícipes do perímetro rural carecem de ser inseridos nos benefícios daqueles do urbano. Se não conseguirmos na totalidade, temos que indicar de algum modo. Para que, mais adiante, aqueles que nos sucederem, encontrem soluções ao seu tempo e, sobretudo, para o que for garantido não se consiga tirar mais. Sempre digo, política ‘com’ é diferente de política ‘para’. Quando é 1com’, é sazonal.

BLOG – O que já foi feito visando a melhoria do transporte dos moradores dos distritos para a sede?

Sérgio Hubner – Tem quatro distritos de maior adensamentos, que estão já inseridos neste contexto; os que são capilarizados, mais espalhados, são mais complexos, mas não podemos desistir. Os distritos onde já atuamos nesse sentido são:

A – São Sebastião (reforçando ou implementando oferta ao Distrito Industrial);
B – José Gonçalves (do mesmo modo).
C – Iguá (dando inclusão ao Pé de Galinha e ao aeroporto, e até fortalecendo o corredor da Frei Benjamim);
D – Pradoso (beneficiando Baixão, Sagui e outros – há muito já fazia inclusão).

Nossa ação levou em consideração, por exemplo, a Lagoa das Flores. Havia uma carência de aumentar a frota na região (como sempre foi), por que ao invés de elevar a frota naquele perímetro, não colocar mais ônibus vindo lá de trás, São Sebastião, Guigó etc., que atendem e desafogam a frota antes exclusiva da Lagoa das Flores? Assim tem sido.

Nestes distritos, quando operados por permissionários, os direitos sociais para mobilidade não são configurados na íntegra, as gratuidades, as meias passagens, enfim… Quando você leva a mobilidade formal tudo muda.

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