A longa e difícil estrada para um candidato raiz do interior ser escolhido em chapa (forte) para o Senado ou governo do estado
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Vitória da Conquista está, mais uma vez, destacada no cenário político-eleitoral da Bahia, com o nome de Sheila Lemos, prefeita, sendo comentado como possível presença na chapa majoritária de 2026 do grupo de ACM Neto, oposição ao time liderado por Jaques Wagner, Jerônimo Rodrigues, e Rui Costa, todos do PT e assim listados pela ordem alfabética.
Uma análise dos números da eleição de 2020 em Vitória da Conquista, quando ACM Neto, candidato a governador do estado, teve no segundo turno mais votos (119.665) que Lula (117.516), e da recente vitória de Sheila Lemos como prefeita, ao obter 116.488 votos, quase 60% da votação válida, permite a qualquer pessoa de juízo constatar a força política que ela tem no município, com significativa repercussão regional, em especial pela representatividade de Vitória da Conquista como potencial motor da política do sudoeste baiano.
Representação que ainda precisa ser assumida, embora, disso se fala há muitos anos. E esse atraso pode ser um dos empecilhos para que qualquer político local tenha sido alçado a patamares mais altos da cena política estadual. A última vez que Vitória da Conquista teria chegado perto disso foi em 2002.
Contam que o PT, tendo como porta-voz o próprio Jaques Wagner, atual senador, veio à cidade dizer ao então prefeito Guilherme Menezes que ele, com uma gestão destacada no estado e nacionalmente, principalmente na área da saúde, poderia ser o candidato a governador da Bahia, se quisesse. Consta que Guilherme declinou da oferta. Justificou que tinha projetos importantes como prefeito e que preferia cumprir o mandato, que para ele era uma missão, e aqui ficou.
Como se sabe, Jaques Wagner foi à disputa com Paulo Souto, teve 38,47% dos votos. Foi vencedor em apenas 31 municípios, incluindo Vitória da Conquista (47,4% a 43,4%), mas cacifou-se para ser o candidato novamente em 2006. Deu no que deu.
Antes disso, em 1989, José Pedral Sampaio, que no ano anterior elegera Murilo Mármore como sucessor em uma eleição que parecia perdida, era secretário estadual dos Transportes e Comunicações e nome forte para suceder Waldir Pires na eleição de 1990. Mas, recebeu uma rasteira do governador, que, antes de abandonar o cargo para a aventura como candidato a vice-presidente na chapa de Ulysses Guimarães, em 1989, já tinha declarado sua predileção pelo seu amigo Sérgio Gaudenzi, que era secretário da Fazenda.
Na sequência, Nilo Coelho, governador que assumiu o lugar de Waldir, se encarregou de avisar aos dois, Pedral e Gaudenzi, que o candidato seria ele próprio. E no fim, Antônio Carlos Magalhães disse ao três que a vez era dele.
De Vitória da Conquista chegaram lá Edvaldo Flores, vice-governador de 1983 a 1987, e Régis Pacheco, governador de 1951 a 1955. Sobre os dois, uma curiosidade do destino.
Régis foi candidato no lugar de Lauro Farani Pedreira de Freitas, que morreu na queda de um avião, à margem do Rio São Francisco, em Bom Jesus da Lapa, no dia 11 de setembro de 1950. Também morreu nesse desastre o deputado estadual Gercino Coelho, pai do ex-governador e e ex-prefeito de Guanambi, Nilo Coelho.
Edvaldo substituiu na eleição Rogério da Silva Rego, que também foi vítima de um acidente aéreo. O helicóptero em que ele viajava com o candidato a governador Clériston Andrade, bateu em um morro na região de Itapetinga, durante a campanha, no dia 1º de outubro de 1982, causando a morte de 12 pessoas.
Em 2020, com a reeleição, Herzem Gusmão também teve o nome na lista de possíveis candidatos a vice-governador com ACM Neto. Mas, além de ser cedo para saber qual seria a escolha de Neto, infelizmente, Herzem faleceu em março de 2021.
O nome de Sheila aparece como opção para uma chapa majoritária estadual muito porque já é conceitual da política brasileira de que candidatos homens conseguem uma cena mais favorável se escolhem uma mulher para parceira de chapa, mas também pelos dois fatores mencionados no primeiro parágrafo: a representatividade da maior cidade do sudoeste da Bahia e a inquestionável força eleitoral que as duas eleições deram à prefeita conquistense.
Mas, não cabe a Sheila Lemos decidir se quer ser candidata a vice ou senadora na chapa de ACM Neto. Ela pode negar, como fez Guilherme, mas não pode se escolher. E mesmo que ela diga que quer, pode acontecer de não ser nem uma coisa nem outra. É cedo. E o poder da capital (e do capital) é que define essas coisas. O interior é uma opção remota, quase sempre.
Um candidato a governador, vice, senador na Bahia pode até ser originário de cidades interioranas, mas as chances são maiores se sua identidade politica é de Salvador, onde, obrigatoriamente, precisa estar exercendo ou ter exercido um cargo importante e de visibilidade.
Claro que o BLOG trata de candidaturas em chapas potencialmente fortes, com chances de eleição, onde a escolha dos nomes é restrita a poucos. Em legendas com menos projeção, pode haver exceção.
No próximo artigo: Onde é bom que Sheila esteja em 2027?
FOTO DESTAQUE: ILUSTRAÇÃO GERADA PELA IA DO WORDPRESS


