Censo: mais da metade dos trabalhadores de Conquista recebe até um salário-mínimo; em média, mulheres ganham 20% menos


A renda média da população conquistense é próxima de dois salários-mínimos (R$ 2.313,758 em 2022), de acordo com os dados do levantamento Trabalho e Rendimento referentes ao Censo 2022, divulgado na quinta (9) pelo IBGE. A média, contudo, é afastada da maioria.
Segundo os dados compilados pelo BLOG na plataforma Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), 54% têm renda abaixo do salário-mínimo, e quando a esse grupo se somam os que não têm rendimento, vai a perto de 55%. Na faixa intermediária, que inclui quem recebe mais de um até dez salários-mínimos, são 43,32%. Os mais bem aquinhoados em termos salariais, com ganhos acima de dez salários-mínimos, são 1,8%.
Em média, entre os homens o recebimento era R$ 2.456,93, enquanto as mulheres recebiam R$ 1.964,43 – 20% a menos. Essa diferença é mais dilatada quando se compara o que ganha um um homem branco, em média, em comparação com uma mulher preta. Homens que se autodeclaram brancos: R$ 3.245,06; mulheres autodeclaradas pretas: R$ 1.423,2. Diferença de 56,14%.
A diferença é ainda maior entre pessoas com curso superior completo. Neste caso, a média entre os homens brancos era de R$ 6.765,51 em 2022, a das mulheres pretas era R$ 2.832,65, ou 58,13% menos. A menor diferença salarial entre homens brancos e mulheres pretas é de 42,09% entre pessoas sem instrução e com fundamental incompleto.
Comparando os salários de mulheres brancas e pretas, as primeiras recebem 41,13% a mais. No recorte do curso superior, a diferença desce para 30,7%. Quando se trata de pessoas sem instrução e com fundamental incompleto a diferença é de 33,1% a favor das mulheres de cor ou raça branca, bem abaixo da diferença entre mulheres pretas e homens brancos na mesma faixa.
Outro recorte interessante é sobre o rendimento domiciliar mensal per capita – a renda salarial da família dividida pelo número de pessoas – estava um pouco acima do mínimo: R$ 1.310,93, condição que coloca Vitória da Conquista em quinto lugar entre os 18 maiores municípios da Bahia, atrás somente de Salvador, Lauro Freitas, Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, não por acaso, as duas primeiras uma conurbação cuja proximidade gera um movimento migratório profissional com efeitos nas rendas locais, e as outras duas, cidades que têm sinergia econômica, uma nascida da outra.
| MUNICÍPIO | Rendimento domiciliar mensal per capita |
| Lauro de Freitas | R$ 1.879,69 |
| Salvador | R$ 1.770,35 |
| Luís Eduardo Magalhães | R$ 1.644,88 |
| Barreiras | R$ 1.339,99 |
| Vitória da Conquista | R$ 1.310,93 |
| Ilhéus | R$ 1.298,64 |
| Porto Seguro | R$ 1.293,05 |
| Itabuna | R$ 1.292,99 |
| Eunápolis | R$ 1.253,64 |
| Santo Antônio de Jesus | R$ 1.214,78 |
| Feira de Santana | R$ 1.209,69 |
| Teixeira de Freitas | R$ 1.204,69 |
| Camaçari | R$ 1.177,89 |
| Alagoinhas | R$ 1.072,99 |
| Paulo Afonso | R$ 1.059,84 |
| Juazeiro | R$ 1.047,97 |
| Jequié | R$ 1.013,69 |
| Simões Filho | R$ 884,11 |
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