Raul Ferraz, ex-deputado e último ex-prefeito ligado ao pedralismo, morre aos 90 anos; ele trouxe o Cristo para Conquista há 45 anos


Ex-prefeito de Vitória da Conquista, entre 1977 e 1982, Raul Carlos Andrade Ferraz faleceu nesta quarta-feira (29) em Brasília (DF), 16 dias após completar 90 anos. Ainda não foi divulgada a causa oficial da morte, mas sabe-se que foi em decorrência de complicações de saúde. Deputado federal por dois mandatos (1983-1987 e 1987-1991), tendo sido um dos membros da Assembleia Nacional Constituinte instalada em 1º de fevereiro de 1987, responsável pela elaboração da Constituição da República de 1988.
Raul defendeu várias proposições durante os debates para a nova Constituição, tendo se destacado a que propunha o fim do Estado-Membro da Federação. Para ele, o estado era um intermediário desnecessário, sendo bastantes a União e o Município. Sobre o tema, ele escreveu “Da inutilidade do Estado-Membro na administração pública brasileira e da necessidade de sua extinção” (posteriormente editado como “A Revolução dos prefeitos – O Brasil não precisa de estados”. Foi autor de outros dois: “O Brasil que eu quis criar: na constituinte” e “O Prado e o Descobrimento do Brasil”.
Coordenou a bancada do PMDB da Bahia na Câmara entre 1984 e 1985 e foi vice-líder do partido de 1985 a1986. Destacou-se, ainda como autor do Projeto de Lei nº 2.191/87, que originou a Lei nº 10.257/2001, denominado Estatuto da Cidade, que regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, que tratam da política de desenvolvimento urbano e de moradia no Brasil.
Advogado, formado em 1962 pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Raul Ferraz se candidatou a vereador no mesmo ano, pelo PSD, partido de Régis Pacheco e José Pedral Sampaio, ficando na suplência e assumindo o mandato algumas vezes até 1967.
Foi candidato a prefeito pela primeira vez em 1972, quando o MDB, seu partido, lançou três chapas, como era a lei eleitoral de então. Foi o segundo mais votado da legenda, Jadiel foi o primeiro e Gilberto Quadros o terceiro. Os adversários foram Orlando Leite e Fernando Spínola, ambos pela Arena.
A eleição para a Prefeitura viria em 1976, aos 41 anos, na principal legenda pelo MDB, com Sebastião Castro na sublegenda. Concorreram com Edvaldo Flores Nilton Gonçalves e Emmanoel Machado Lopes, os três candidatos da Arena.
Raul Ferraz venceu com o apoio de Pedral, com quem caminhava politicamente desde o início dos anos 1960 e a quem convidou para ser seu secretário de Obras em pleno comício de campanha. Os dois andaram juntos politicamente até 1990, quando o ex-líder também concorreu a deputado federal, os dois sem sucesso. Em 1992, foram adversários na eleição municipal vencida por Pedral, Raul ficando em segundo, Guilherme Menezes (PV), em terceiro, e Toninho Cruzes em quarto lugar. Em 1994, Raul foi candidato mais uma vez à Câmara dos Deputados, mas não se elegeu.
Durante sua gestão, Raul Ferraz deu especial atenção à educação e à zona rural, mas três obras na cidade marcaram mais. A primeira tem sido responsável pelas principais obras da cidade há quase 50 anos, apesar de enfrentar dificuldades atuais: a Emurc; outra, muito popular, leva seu nome: o ginásio do esportes, e a terceira foi a continuidade de uma ideia de Pedral, que ele concretizou: o Cristo da Serra do Periperi, obra do artista plástico Mário Cravo, que no dia do aniversário da cidade, 9 de novembro, completa 45 anos de instalado.
Raul Ferraz era casado com Maria Célia Mascarenhas Ferraz e tinha quatro filhos, Valéria, Raul Daniel, Marília e Ana Carolina. O velório e o sepultamento será em Brasília.


FOTO DESTAQUE: RAUL NO CRISTO (CRÉDITO: BLOG DO ANDERSON)


