Vitória da Conquista é Conquista. Conquistense chama a cidade pelo nome que ela ganhou ao deixar de ser a Imperial Vila da Vitória


Aeroporto de Salvador, um verão passado. Enquanto aguardam o chamado de embarque, dois casais interagem. A certa altura já sabem de onde são e o que fazem na vida. Um dos casais faz uma ‘baldeação’, e depois de viajar de Vitória da Conquista de Trip até a capital da Bahia, seguirá para Recife. Férias, como os dois novos amigos, soteropolitanos, que também passarão uns dias na capital pernambucana.
A conversa flui amistosa. “Queríamos vir mais a Salvador, aproveitar as praias, o teatro, esses shoppings”. “Nós também gostamos daqui, mas fugimos, às vezes, porque cidade grande, o trânsito principalmente, que em Salvador é desorganizado, estressa muito. Vitória é mais tranquilo, né?”.
Neste ponto, o bate papo travou. O marido da uma risadinha, mas a mulher reage, em um esforço colossal para manter a simpatia: “A gente odeia quando chamam Vitória da Conquista de Vitória. Vitória é a capital do Espírito Santo, Conquista é Vitória da Conquista”. Desculpas pedidas, viagem prossegue e amizade vai se consolidar em um bar do belo centro histórico recifense. Mas, ficou a lição.
Percebeu que Conquista, é Vitória da Conquista? O Rio de Janeiro é o Rio, Feira de Santana é Feira, mas Vitória da Conquista não é Vitória, é Conquista.
E seria assim, oficialmente, se em 1943 o governo de Getúlio Vargas (então presidente exercendo uma ditadura que foi de 1930 a 1945) não tivesse mandado mudar o nome do município, que era apenas Conquista. Uma lei definia que duas ou mais cidades brasileiras não poderiam ter o mesmo nome, e aquela que tivesse o registro mais antigo ficaria denominada como estava, a outra se virasse para achar outra denominação.
Havia uma Conquista em Minas Gerais, e mais velha que a nossa, então o governo da Bahia, por meio do Decreto-Lei nº 141, de 31 de dezembro de 1943, mudou o nome para Vitória da Conquista. Os dois termos são sinônimos, significam avanço, êxito, glória, progresso, sucesso, triunfo… e colocar os dois em um nome só é bem a cara do conquistense, com a autoestima lá no alto, não basta ser uma vitória tem que ser a conquista.
O nome Conquista perdurou de 1891 até 1943, longos 52 anos. Antes, era a Imperial Vila da Vitória, criada justamente no dia 9 de novembro, o ano era 1840, há 185 anos como esta semana se comemora. , Essa nominação perdurou por 51 anos e nesse tempo é possível que a vila tinha sido chamada de Vitória. Falta ao BLOG pesquisa para confirmar.
Ou será que as pessoas que se encontravam em viagens diziam ser da Imperial Vila? Provavelmente não, porque havia outras. Dá para acreditar que falavam ser de Vitória: “Venho de Vitória, da Imperial Vila da Vitória”, assim, meio “Bond, James Bond”.
Mas, hoje, ninguém se arrisca, Vitória é outro lugar. O mais comum é as pessoas dizerem que são de Conquista, Vitória da Conquista mais presente em documentos. Chamam de Prefeitura de Conquista, Câmara de Conquista, o frio de Conquista, Elomar e Xangai de Conquista, o Cristo… ops!, o Cristo é de Mário Cravo.
Chamar a cidade assim, é uma forma de carinho, mas é também uma herança. Os conquistenses de origem ouviam seus avós tratarem assim e aproveitaram porque encurtado é mais legal. Quem chegou d fora pode até ter vindo procurar Vitória da Conquista, mas encontrou muito mais Conquista. Os nomes das lojas, do shopping, das clínicas, as escolas, dos times. E tudo é tão Conquista, que até o time que tem Vitória da Conquista no escudo acaba sendo chamado de Conquista, mesmo já havendo outro clube com esse nome.
E a prova final da preferência: nos anos 1970 (nem a Câmara de Vereadores nem a Prefeitura Municipal sabem precisar a data), o poeta Euclides Dantas criou o hino do município, que tem música do maestro Francisco Antônio Vasconcelos. O nome é ‘Hino a Vitória da Conquista’, mas sabe quantas vezes a palavra vitória ou o nome Vitória da Conquista aparece, além do título? Nenhuma. Apenas Conquista, joia do sertão baiano’, ‘Conquista tesouro imenso’, e ‘Conquista terra das rosas’.
P.S.: Para não deixar esquecer, o hino – ou outro documento qualquer – não se refere à ‘pérola fulgente do sertão’ como ‘suíça baiana’.
FOTO DESTAQUE: PRAÇA TANCREDO NEVES (SECOM PMVC)



