Mais do mesmo ou novidades? A corrida eleitoral conquistense, na Coluna de Ronnie Peterson


Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador, quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática
Há anos que, quando falamos em eleições para os cargos legislativos estadual e federal, nossa cidade permanece com nomes bem conhecidos. A cidade vive um momento de consolidação de poder após uma disputa judicial intensa, mas mantém a polarização histórica entre o governo municipal e o estadual/federal.
Desde que ascendeu com a primeira eleição do prefeito Guilherme Menezes, o PT consegue emplacar bons candidatos, seguindo com José Raimundo como deputado estadual e Waldenor Pereira em Brasília. São políticos consolidados e trazem um trabalho regional muito consolidado o que lhes dão importante vantagem quando começar a campanha. Inclusive, não vislumbro outro candidato local a ocupar uma cadeira no Congresso com chances melhores do que Waldenor, que deverá seguir como único representante da cidade em Brasília.
Porém, a falta de renovação no campo da esquerda, em especial do próprio PT, tem sido um entrave na política local, nomes como Viviane e Xandó, com grande atuação no legislativo municipal ainda carecem de maior envergadura para assumirem a dianteira do partido.
Podemos destacar, ainda, Jean Fabrício Falcão, que apesar de não amealhar a mesma quantidade de votos na cidade, sua atuação na região também lhe confere um capital político capaz de lhe reconduzir à Assembleia Legislativa.
Mas, eis que surgem novidades interessantes: pelo lado do grupo político que apoia a prefeita Sheila Lemos, seu esposo Wagner Alves parece querer encabeçar um projeto de fazer um representante local em Salvador. Ele, historicamente, manteve um perfil mais discreto em relação à administração municipal direta, atuando na iniciativa privada como advogado.
No entanto, o cenário mudou recentemente, e Wagner começou a acompanhar sua esposa em todos os eventos políticos. Seu maior problema é a falta de experiência política e, inclusive, de ser mais conhecido da cidade. Provavelmente as obras advindas de mais um empréstimo milionário servirão de mote eleitoral (apesar dos narizes torcidos de parte de aliados), o que pode ser crucial para suas chances de vitória.
No campo político de Jerônimo, quem vem dando as caras, com presença constante no Palácio de Ondina e, também no Planalto, com importante apoio do senador Otto Alencar, é o ex-prefeito de Belo Campo, Quinho Tigre. É conhecido pelo estilo “tocador de obras” e pelo diálogo fácil, transitando bem entre prefeitos de diferentes partidos. Diferente de políticos mais ideológicos, o perfil dele é mais pragmático e municipalista. A eleição de sua esposa, Léia para a Câmara Municipal de Vitória da Conquista, juntamente com seu desejo de um dia ocupar o Paço Municipal, o tem feito atuar nos bastidores, algo que faça parecer sua marca, com capacidade de diálogo com diferentes forças políticas.
Além disso, a proximidade de Quinho com Jerônimo e Rui Costa, tem causado ciúmes em parte da militância petista na cidade. Todavia, será necessário colocar toda sua expertise de negociador político para amealhar alianças regionais para dar mais capilaridade à sua candidatura e aumentar as chances de sucesso.
Entre o velho e o novo, entre inovar ou manter-se no mesmo caminho, as eleições do ano que vem poderão dar a Vitória da Conquista e região uma quantidade de representantes eleitos que há muito tempo não vemos. O cenário é favorável, mas requer a cautela daqueles que sabem que a política é demasiadamente volátil para que se afirmem verdades definitivas, mas sigo acreditando que a cidade poderá contar com representantes em maior número do que o atual.
Texto revisado pelo autor.
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