Vitória da Conquista teve o seu 8 de janeiro histórico. Em 2021, Herzem Gusmão tomava posse do leito da UTI. Reveja o momento

Vitória da Conquista teve o seu 8 de janeiro histórico. Em 2021, Herzem Gusmão tomava posse do leito da UTI. Reveja o momento

Reeleito no segundo turno de uma eleição atípica, com mudanças de regras e prazos em razão da pandemia, Herzem Gusmão, seria empossado, no dia 1º de janeiro de 2021, junto com a vice-prefeita Sheila Lemos (União) e os vereadores. Mas ele não estava em Vitória da Conquista no dia da posse.

Internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, lutava contra as consequências da Covid-19, adquirida, provavelmente, na campanha eleitoral, e de onde enviava mensagens de sua luta e de esperança para os eleitores e os conquistenses em geral. Todos queriam sua volta, recuperado.

Herzem estava fora do cargo havia 15 dias e fora da cidade havia menos de uma semana. O tratamento começara no dia 18 de dezembro, no Samur, mas, no dia 26 de dezembro, sua situação delicada levou à sua transferência para o hospital paulista, e não havia previsão de quando poderia retornar ao município.

Depois daquele dia 1º de janeiro cheio de simbolismos e marcado por alguns equívocos, uma semana de perguntas e respostas, de polêmicas e angústia. Afinal, o prefeito reeleito poderia assumir o cargo? Voltaria para Vitória da Conquista a tempo de cumprir o prazo legal? Poderia ser empossado onde estava?

Pela Lei Orgânica do Município, o prefeito ou o vice-prefeito que não for empossado decorridos dez dias da data fixada para a posse seu cargo será declarado vago, a não ser que haja motivo de força maior. E havia, o prefeito estava acometido de uma doença grave e em tratamento fora do domicílio. Contudo, mesmo frágil, Herzem queria continuar dando sua contribuição para sua cidade e requereu oficialmente para ser empossado.

Com lucidez e flexibilidade, a Câmara Municipal de Vereadores, presidida, então, por Luís Carlos Dudé, com base em precedentes registrados naquele mesmo período pandêmico, entendeu, por quase todos os votos, apenas um contra, que o prefeito poderia ser empossado em solenidade virtual, sendo aceita sua assinatura digital ao termo de posse.

Na tarde do dia 8 de janeiro, direto de São Paulo, com voz rouca, diante de uma plateia emocionada que ele não via, mas festejava o momento histórico com palmas e entusiasmo, Herzem fez o juramento de posse, agradeceu a Deus e ao povo pela reeleição, saudou os vereadores e a vice-prefeita Sheila Lemos e prometeu que honraria o mandato.

O destino, infelizmente, mudou a história e Herzem não voltou para dar continuidade à gestão marcante que fez nos quatro anos anteriores. Ele faleceu 70 dias depois daquele histórico 8 de janeiro. A cidade sente sua ausência, mas sabe que ele, não pela morte, mas pela vida, deixou um legado inesquecível.

JURAMENTO

“Prometo defender e cumprir a Lei Orgânica, observar as leis da União, do Estado e do Município, promover o bem geral dos munícipes e exercer o cargo de prefeito sob a inspiração da democracia e dos princípios previstos na Constituição Federal para a administração pública’.

AGRADECIMENTOS

“Agradecer a Deus e ao povo de Vitória da Conquista por este mandato, que nós vamos honrar. Agradecer à Câmara, cumprimentar o presidente Luís Carlos Dudé, saudar os vereadores que retornaram, saudar os novos, os estreantes, sejam bem-vindos e que Deus possa abençoar todos você. Saudar a nossa vice-prefeita em exercício, Sheila Lemos. Muito obrigado! E que Deus nos abençoe”.

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