O tabuleiro de 2026: o contraste entre a agenda da gestão e o vácuo da oposição. Coluna de Ronnie Peterson

O tabuleiro de 2026: o contraste entre a agenda da gestão e o vácuo da oposição. Coluna de Ronnie Peterson

Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador, quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática

O processo eleitoral que desponta, tera reflexo direto nas eleições proporcionais em cada estado, por isso, daqui da capital do Sudoeste baiano, temos que ficar de olhos abertos, ouvidos atentos e cuca fresca para pensar sobre os fatos nacionais que serão bem relevantes.

​Janeiro de 2026 desponta como o marco zero de uma disputa eleitoral que, embora repita os nomes do lulismo e do bolsonarismo em seu DNA, apresenta uma dinâmica de forças profundamente assimétrica. Enquanto o país retoma o ritmo após as festas de fim de ano, o cenário político revela dois ‘Brasis’: um que governa e colhe frutos de indicadores econômicos robustos, e outro que, mergulhado em crises internas e dilemas jurídicos, luta para encontrar uma pauta que vá além da sobrevivência política de seu líder.

​O campo conservador brasileiro inicia este ano eleitoral em uma posição de vulnerabilidade inédita desde 2018. A condenação e a subsequente prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro criaram um vácuo de liderança que a direita ainda não conseguiu preencher. Em vez de apresentar um projeto alternativo de nação ou soluções para problemas estruturais, o debate nas bolhas digitais bolsonaristas parece orbitar, quase exclusivamente, em torno das condições de saúde do ex-mandatário no cárcere.

Essa fixação no “martírio” de Bolsonaro, embora mantenha a base radicalizada engajada, gera uma fragmentação estratégica. Nomes como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e os próprios filhos do ex-presidente oscilam entre a lealdade ao “capitão” e a necessidade de se viabilizarem como alternativas moderadas para o eleitor de centro. Sem um comando centralizado e com a energia drenada por questões humanitárias e judiciais, a oposição chega a 2026 sem uma pauta econômica ou social clara para oferecer ao país.

​No Palácio do Planalto, a atmosfera é de pragmatismo e ofensiva política. O presidente Lula encerrou 2025 com números que desarmam muitos de seus críticos: o Produto Interno Bruto (PIB) consolidou um crescimento consistente, o desemprego atingiu níveis historicamente baixos e o controle inflacionário devolveu poder de compra a camadas decisivas da população.

Lula tem utilizado a máquina pública não apenas para a gestão, mas como uma poderosa ferramenta de comunicação política. Ao longo do último ano, o Brasil retomou um protagonismo internacional que serve como “agenda positiva” constante. Seja na liderança de blocos como o G20 e os BRICS, ou na defesa contundente dos interesses nacionais em fóruns climáticos e comerciais, o governo federal consegue pautar o debate público. Essa postura confere a Lula uma vantagem competitiva significativa: ele se apresenta como o “homem de Estado” em pleno exercício, enquanto seus adversários ainda discutem quem terá o direito de herdar um espólio político em disputa.

A grande questão que se impõe neste início de 2026 é se a direita conseguirá converter a indignação de seus seguidores em uma proposta eleitoral viável a tempo. A política, como se sabe, não admite vácuos por muito tempo. No entanto, enquanto a oposição gasta seu capital político em narrativas de vitimização nas redes sociais, o governo avança sobre o eleitorado de centro por meio da estabilidade econômica.

Lula inicia a corrida com a tranquilidade de quem tem uma “vitrine” para mostrar. A vantagem do atual mandatário não reside apenas em sua popularidade pessoal, mas na incapacidade momentânea de seus oponentes de saírem do “modo crise”. Se a oposição não conseguir desviar o olhar das celas e das telas de celular para focar nos problemas reais do cidadão, 2026 poderá ser lembrado como o ano em que o bolsonarismo se tornou refém de sua própria nostalgia, enquanto o lulismo consolidava sua hegemonia pela via da entrega de resultados.

TEXTO REVISADO PELO AUTOR

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