Em 32 anos e oito eleições para governador, carlistas e PT venceram quatro disputas cada em Vitória da Conquista; 2026 será o desempate

Em 32 anos e oito eleições para governador, carlistas e PT venceram quatro disputas cada em Vitória da Conquista; 2026 será o desempate

Em pouco mais oito meses os baianos vão decidir se darão mais quatro anos de governo estadual ao PT ou permitirão que um genuíno herdeiro do carlismo chegue ao poder depois de 20 anos. É muito tempo, mas ainda é bem menos do que o período de domínio politico do carlismo.

A primeira vez que o nome Antônio Carlos Magalhães chegou ao Palácio de Ondina foi em 1971. O avô do atual pré-candidato de oposição ao PT foi eleito de forma indireta em 1970, como candidato único, por 47 deputados estaduais (com seis abstenções e duas ausências do MDB). Ele voltaria em 1979, novamente nomeado, e em 1991, eleito pelo povo em 1990. O carlismo só perdeu o poder na Bahia 36 anos depois, com a vitória de Jaques Wagner em 2006 sobre Paulo Souto, que buscava a reeleição.

Desses 36 anos, há quem subtraia os quatro anos de Roberto Santos, escolhido em 1974 pelos militares, contra a vontade de ACM, que queria Clériston Andrade, então prefeito de Salvador; e é necessário abater também da conta os quatro anos do governo Waldir Pires/Nilo Coelho, chapa eleita em 1986. Assim, o tempo de poder pleno do carlismo, descontadas as interrupções, teria sido de 28 anos.

Desse modo, faltariam ao PT dois mandatos para superar ACM. O neto dele, que tem outro estilo de fazer política e gestão, mas tem o mesmo nome, sendo conhecido pelas famosas iniciais acrescidas do sobrenome Neto, vice-presidente nacional do União Brasil e maior liderança da oposição no estado, faz tudo para impedir. E as pesquisas, únicas ferramentas que existem para dizer se isso poderá acontecer ou não, até agora lhe dão vantagem frente ao governador Jerônimo Rodrigues.

Vitória da Conquista é um dos municípios em que o governador estaria atrás nos levantamentos de intenção de voto. Jerônimo gosta de dizer que já veio à cidade 14 vezes e isso pode ser uma demonstração de que ele gosta de Conquista e, mais, que ele quer que Conquista goste dele do mesmo jeito. Na primeira vez em que essa relação foi testada, o petista levou desvantagem.

Em 2022, ACM Neto foi o mais votado no 1º turno, com 46,89% ou 91.460 votos, enquanto o governador ficou com 7,95% ou 74.023 votos. Outros votados foram João Roma (14,21%), Kleber Rosa (0,80%), Giovani Damico (0,12%) e Marcelo Millet (0,01%). No 2º turno, a frente de Neto aumentou e o resultado foi 59,05% ou 119.665 votos para o candidato do União Brasil e 40,95% ou 82.995 votos para Jerônimo Rodrigues.

Foi a segunda vez que o PT perdeu em Vitória da Conquista considerando o período iniciado em 2006. E a outra vez foi justamente no pleito daquele ano, quando se deu a primeira eleição vitoriosa do partido no estado, com Jaques Wagner. Paulo Souto teve 49,43% dos votos no município e o petista, hoje senador, teve 46,89%.

Das três disputas anteriores, a de 2002 foi do PT e as de 1998 e 1994 do carlismo, com Paulo Souto e César Borges. Mas a derrota de 1998 não pode ser colocada diretamente na conta do PT, que não concorreu.

Naquele pleito, Paulo Souto teve 56,73% dos votos dos eleitores conquistenses no 2⁰ turno e João Durval (PMN), apoiado pelo PT, 41,36%. No 1º turno, o PT apoiara Jutahy Magalhães Júnior (PSDB), que teve em Vitoria da Conquista 14%, equivalente a 8.192 votos, enquanto Paulo Souto conseguiu 29.277 votos, 50,06% do total.

Em 1998, César Borges alcançou o maior percentual entre as oito eleições, com 75,69% dos votos, tendo Zezéu Ribeiro, do PT, chegado somente a 16,72%.

A historia começaria a mudar em 2002, ano em que o presidente Luís Inácio Lula da Silva venceu a sua primeira eleição nacional, a quarta que disputou. No 1º turno, em Conquista, Paulo Souto teve 43,44% da votação (53,69% no estado) e Jaques Wagner conseguiu 47,41% (38,47% no estado). Lula chegou a 47,51%, somente 0,10 pontos percentuais a mais que o candidato a governador, e Serra 24,90%; Garotinho, Ciro Gomes, Zé Maria e Rui Pimenta foram os outros votados. No 2º turno, o presidente teve 65,7% dos votos dos baianos e em Conquista ficou em 54,92%, contra 45,08% de José Serra. A eleição de governador se decidiu no 1º turno.

Detalhe de 2002: o governo municipal era petista, com Guilherme Menezes à frente, até abril, quando saiu para ser candidato a deputado federal e, com 50.293 votos, teve apenas 1.320 a menos que Lula no 1º turno (50.293 – 51.613) e 1.161 menos que Wagner (50.293 – 51.454).

Em 2006, com Lula no poder e uma campanha focada na mudança, o PT ganhou na Bahia e começou sua hegemonia no poder estadual, mas em Vitória da Conquista, enquanto Zé Raimundo era prefeito, o partido perdeu, com Paulo Souto obtendo melhor votação (49,43%) do que em 2002, e Jaques Wagner um pouco atrás (46,89%).

Em 2010, na sua reeleição, o governador petista praticamente repetiu o percentual que o adversário alcançara na eleição anterior, 49,53%, enquanto Paulo Souto chegou a apenas 28,74% dos votos entre o eleitorado conquistense. Geddel Vieira Lima teve 13,79% e Bassuma 7,5%.

O PT voltou a vencer em Vitória da Conquista em 2014, com Rui Costa. Ele ficou com 44,8% dos votos, ante 41,86% de Paulo Souto, em sua quarta disputa seguida, todas sem êxito no geral.

Em 2018, depois de meses em que a Bahia contava que o adversário do PT seria ACM Neto, ele preferiu ficar no cargo de prefeito de Salvador e o candidato do grupo foi José Ronaldo, então e atual prefeito de Feira de Santana que perdeu na Bahia e em Conquista, onde conseguiu 32,49% dos votos, enquanto Rui Costa foi a 63,20%. O prefeito era Herzem Gusmão, apoiador de José Ronaldo.

Em 2022, após três eleições em que ficou atrás dos candidatos petistas, o grupo agora liderado pelo neto de ACM teve mais votos em Vitória da Conquista. Ele superou, inclusive, a votação do presidente Lula no 2º turno – 119.665 votos (59,05%) ante 111.892 (55,40%). A prefeita era Sheila Lemos, liderada de Neto.

No tempo referenciado na reportagem, o PT teve quatro vitórias na disputa para governador e o carlismo outras quatro. Este ano, se Vitória da Conquista confirmar a tendência verificada nas pesquisas até o momento, poderá ser a quinta vitória carlista no município desde 1994; se o resultado for diferente, com vitória local de Jerônimo, poderá ser indicativo de que o grupo liderado pelo PT de Jaques Warner, Jerônimo Rodrigues e Rui Costa ficará bem perto de ter tanto tempo no poder quanto ficaram ACM e o carlismo.

Está nas mãos de vossas excelências, senhoras e senhores eleitores.

VENCEDORES DAS ELEIÇÕES PARA GOVERNADOR EM VITÓRIA DA CONQUISTA


NOTA: A PESQUISA SE LIMITA AO PERÍODO DE 1998 A 2022 PORQUE O TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) NÃO DISPONIBILIZA DADOS ANTERIORES DAS ELEIÇÕES PARA GOVERNADOR POR MUNICÍPIO.

MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO CONTÍNUA.

IMAGEM EM DESTAQUE: CRIAÇÃO DO CHAT GPT

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