A culpa foi do estagiário: a flagrante parcialidade do jornalismo da Rede Globo – Coluna de Ronnie Peterson


Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador, quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática

O recente escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro trouxe à tona não apenas as entranhas de um sistema financeiro operando no limite da legalidade, mas também um fenômeno já conhecido do público brasileiro: a seletividade editorial da Rede Globo. Ao tentar desenhar o “mapa das relações” de Vorcaro, a emissora parece ter sofrido de um súbito apagão de memória, focando quase exclusivamente em figuras do atual governo e do PT, enquanto “esquecia” de conexões fundamentais que levam diretamente ao cerne do bolsonarismo e à cúpula do Banco Central.
A narrativa globalista tentou pintar o Caso Master como uma “obra petista”, destacando a presença do empresário Fabiano Zettel — sócio de Vorcaro e apontado como seu cunhado — no “Conselhão” de Lula. No entanto, o jornalismo de “erros técnicos” convenientemente omitiu que a ascensão meteórica de Vorcaro só foi possível graças à caneta de Roberto Campos Neto. Foi sob a gestão de Campos Neto no Banco Central, em 2019, que o antigo e problemático Banco Máxima recebeu o sinal verde para se transformar no Banco Master, ignorando alertas de risco que já piscavam em vermelho nos radares técnicos.
Além disso, enquanto o Jornal Nacional se esforça para vincular o escândalo à atual gestão, os fatos da campanha de 2026 contam outra história. Relatos e investigações apontam que figuras centrais da direita, como Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, foram beneficiários diretos de aportes financeiros vindo de Fabiano Zettel. Ignorar que o financiamento das principais lideranças da oposição em 2026 passa pela mesma árvore genealógica de Vorcaro não é apenas um erro de infográfico; é um projeto de desinformação.
As “Viagens” de Nikolas e o Jatinho da Discordia
Outro ponto que a Vênus Platinada parece tratar com luvas de pelica é a relação promíscua de Nikolas Ferreira com o patrimônio de Vorcaro. O deputado, conhecido por seu discurso de “moralidade”, realizou mais de 10 viagens (ou “viradas” de agenda, como preferem seus defensores) a bordo do jatinho de propriedade do banqueiro e seus sócios. Durante a caravana “Juventude pelo Brasil”, o luxuoso Phenom 300 cruzou o país a serviço da campanha bolsonarista, sem que um centavo dessa “cortesia” fosse devidamente declarado, em um exemplo clássico de uso do poder econômico para influenciar o voto jovem.
Para quem conhece a trajetória da Globo, a parcialidade no caso Master não surpreende. A emissora possui um longo histórico de moldar a realidade política conforme seus interesses:
– Apoio à Ditadura: Durante décadas, a emissora foi o braço ideológico do regime militar, reconhecendo o “erro” apenas 50 anos depois.
– O Debate de 1989: A edição criminosa do último debate entre Collor e Lula, que favoreceu abertamente o “caçador de marajás” na véspera da eleição.
– A Era Lava Jato: A espetacularização das conduções coercitivas e o vazamento seletivo de delações que serviram para desestabilizar o país e pavimentar o caminho para a crise democrática que vivemos.
Em nota que “reconheceu” o erro, lido pela jornalista Andreia Sadi, a emissora deixou claro que transpareceu algo planejado, para causar o impacto que causou. Dizer que “a culpa foi do estagiário” quando um gráfico omite metade dos envolvidos em um esquema bilionário é uma subestimação da inteligência do telespectador. O jornalismo da Rede Globo atua, mais uma vez, como um partido político não eleito. Ao proteger figuras como Campos Neto e silenciar sobre o financiamento de Bolsonaro e Tarcísio por parentes de Vorcaro, a emissora reafirma seu viés de influenciar a política em nome de interesses próprios e corporativos.
O Brasil precisa de uma imprensa que informe, não de uma central de propaganda que escolhe quem deve ser poupado e quem deve ser imolado no altar da opinião pública.
TEXTO REVISADO PELO AUTOR
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FOTO DESTAQUE: QUADRO ESTILO POWER POINT EXIBIDO NO GLOBO NEWS (REPRODUÇÃO DA INTERNET)



