Com mulheres no poder municipal há mais de dois mil dias e a maior bancada de vereadoras da história, Conquista só tem três pré-candidatas a deputada



Nesta terça-feira (16), completam-se 2006 dias que Vitória da Conquista tem uma mulher como prefeita, desde que Irma Lemos assumiu com o afastamento de Herzem Gusmão para tratamento da Covid-19. Irma ficou no exercício do cargo de prefeita por 19 dias, até o fim do mandato.
O prefeito, infelizmente, veio a falecer quatro meses depois, tendo ficado na titularidade do segundo mandato por menos de uma hora. Após ser empossado pela Câmara de Vereadores, virtualmente, da UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ele se licenciou e passou a função à prefeita Sheila Lemos (União), que já estava no cargo de forma interina desde o dia 1º de janeiro.
Portanto, no feriado de São João, dia 24, completam-se dois mil dias desde que Sheila Lemos, reeleita no primeiro turno de 2024, assumiu os destinos da administração municipal e a liderança do grupo político.
No âmbito do legislativo, em 1º de agosto do ano passado, a delegada Gabriela Garrido (PV) passou a ser a quinta mulher vereadora de Vitória da Conquista, desta legislatura, formando a maior bancada feminina da história do legislativo conquistense, que tem 18 homens no total de 23 parlamentares. As mulheres são 21,74%.
Os dois dados históricos – ter uma mulher reeleita em primeiro turno a comandar a gestão municipal, e o aumento da representação feminina na Câmara Municipal de Vereadores – sinalizaram um eventual novo tempo na política local, mas a chegada de novas eleições mostra que o avanço não continua como era esperado.
Na eleição de 2022, Vitória da Conquista lançou seis candidatas, todas a deputada estadual. Foram 29 homens, entre candidatos a estadual e federal. As mulheres representaram 17,14% do total. Até esta data, são apenas três pré-candidatas, 15% dos 20 nomes estão colocados para a disputa da eleição de 4 de outubro.
Duas são estreantes, Dra. Lara Fernandes (para deputada estadual pelo Republicanos) e Gabriela Garrido (para deputada federal), e a terceira é uma veterana de quatro disputas. Lúcia Rocha (MDB) já disputou para deputada federal, em 2006, e três para estadual: 2010, 2018 e 2022 e é novamente pré-candidata a federal.
Na avaliação de jornalistas e fontes políticas experientes, nenhuma das três deve se eleger, com maior possibilidade de Lúcia Rocha aumentar a votação de 2022, mas ainda sem chance, devido à pouca expectativa de votos fora de Vitória da Conquista.
O mais provável é que, apesar de ter a gestão municipal comandada por uma mulher e de ter feito história com a eleição de cinco vereadoras, Vitória da Conquista continuará apenas com a memória do mandato de Margarida Oliveira, deputada estadual eleita em 1990. E só.
| ELEIÇÃO | CANDIDATAS | CANDIDATOS | PERCENTUAL | RELAÇÃO MULHER x HOMEM |
| 2026 | 3 | 17 | 15% | 1 x 5,66* |
| 2022 | 6 | 29 | 17,14% | 1 x 4,83 |
* Quase uma mulher para cada seis candidatos homens
* Quase uma mulher para cada cinco candidatos homens
FOTO DESTAQUE: GABRIELA GARRIDO, LÚCIA ROCHA E DRA. LARA FERNANDES (MONTAGEM COM USO DA IA DO CHATGPT)



