Mudança no marketing impulsiona Wagner Alves, que disputa espaço com Dra. Lara e tenta se aproximar de Zé Raimundo e Fabrício

Mudança no marketing impulsiona Wagner Alves, que disputa espaço com Dra. Lara e tenta se aproximar de Zé Raimundo e Fabrício

Dos seis candidatos a deputado estadual que moram em Vitória da Conquista, dois têm campanhas estáveis, resultado de várias eleições seguidas, que lhes proporcionaram bases locais e regionais, experiência na disputa pelo voto e relações políticas que não precisam ser reconstruídas a cada quatro anos.

Zé Raimundo e Fabrício Falcão estão no quarto mandato e buscam a reeleição. Pouca gente duvida que conseguirão.

Os dois fazem parte do campo político liderado na Bahia pelo governador Jerônimo Rodrigues e, nacionalmente, pelo presidente Lula. Isso não significa que tenham as mesmas bases ou percorram os mesmos caminhos. Cada um construiu seus espaços, com municípios, prefeitos, vereadores, lideranças e grupos que se mantêm próximos mesmo fora do período eleitoral.

Zé Raimundo e Fabrício não precisam ser apresentados à população nem convencer o eleitor de que suas candidaturas são viáveis. A tarefa deles é conservar o que possuem, recuperar eventuais perdas e ampliar o alcance das alianças que construíram ao longo dos mandatos.

Além deles, também visando uma cadeira na Assembleia Legislativa, estão em campanha Dra. Lara Fernandes, Dr. Marcos Adriano, Quinho e Wagner Alves. Os quatro tentam chegar pela primeira vez à Assembleia, contudo partem de lugares diferentes.

Pela ordem: Marcos Adriano concentra suas mensagens nas críticas à gestão municipal, com ênfase direta na prefeita Sheila Lemos. Eventualmente, a Embasa é o alvo. Marcos também procura mostrar suas andanças pela região, mas ainda não aparece fortemente associado a um campo estadual ou nacional que dê maior dimensão política à candidatura.

Quinho faz uma comunicação centrada em sua movimentação regional e na influência que procura demonstrar junto ao governo do estado, principalmente na Seinfra. Ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia, tenta transformar as relações construídas com prefeitos e gestores municipais em uma base regional.

O ex-prefeito de Belo Campo está no campo de Jerônimo, assim como Zé Raimundo e Fabrício, entretanto busca ocupar outro espaço. Enquanto os dois deputados apresentam o resultado de vários mandatos, ele procura ser visto como um articulador municipalista, próximo do governo do estado e com capacidade para encaminhar demandas dos municípios.

No campo de oposição a Jerônimo, Wagner e Dra. Lara estão ainda mais próximos um do outro. Os dois apoiam ACM Neto, têm relações com a administração municipal e buscam votos entre eleitores que aprovam Sheila, fazem oposição ao PT na Bahia e se identificam, em graus diferentes, com a direita.

Lara foca sua comunicação política na associação com Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente da República, e afirma ser a principal representante da direita em Vitória da Conquista. Mais: apresenta-se como “a voz da direita conservadora na Bahia”.

Vereadora pelo Republicanos, Dra. Lara tem mandato, presença nas redes sociais, ligação com lideranças nacionais e o apoio do marido, o vice-prefeito Dr. Alan. Foi eleita por um partido que integrou o campo político de Sheila em 2024, embora diga que nunca pertenceu ao grupo da prefeita e sempre teve atuação independente.

A candidatura de Lara Fernandes, entretanto, contraria objetivamente o projeto de Sheila, que lançou o marido para deputado estadual. Não houve anúncio de rompimento nem manifestação pública de crise, mas as relações políticas e pessoais mudaram. E isso é perceptível.

A movimentação dos grupos e até a presença em eventos populares ajudam a mostrar os novos espaços. Isoladamente, a presença em uma festa não define uma posição política. O conjunto das movimentações, contudo, revela que os caminhos já não são os mesmos.

Dra. Lara e Wagner Alves partem de um espaço político próximo na origem e são pedras no caminho um do outro. Disputam eleitores conservadores, lideranças religiosas, apoiadores da administração municipal e parte dos votos dados a Sheila em 2024. A candidatura de um reduz o espaço disponível para o outro.

Wagner, entretanto, é de todos os estreantes o que mais atrai a atenção da mídia e dos analistas políticos. Marido da prefeita e candidato pela primeira vez a um mandato, iniciou a campanha cercado por grandes expectativas. E conflitos.

Sua candidatura impactou os planos do deputado Tiago Correia, que contava novamente com a força de Sheila, depois de ter sido apoiado por ela em 2022, quando recebeu 10.793 votos em Vitória da Conquista. A escolha de Wagner obrigou Tiago e o PSDB a buscarem outro caminho na cidade.

Wagner está no União Brasil e vincula sua candidatura ao projeto estadual de ACM Neto e ao grupo municipal liderado por Sheila. No plano nacional, não apresenta uma associação presidencial tão definida quanto Lara, mas procura ampliar seu campo por meio de diferentes candidatos a deputado federal.

As dobradinhas anunciadas com Robinho, Roberta Roma, Léo Prates, Arthur Maia e Capitão Vasconcelos permitem que Wagner dialogue com grupos diferentes e tente alcançar votos fora de Vitória da Conquista. Isso será necessário. A linha de corte calculada para a eleição de um deputado estadual pela federação União Brasil-PP está em torno de 65 mil votos.

Sua principal força, contudo, continua sendo Sheila. A prefeita foi reeleita em 2024 com 116.488 votos, o que confere ao marido a expectativa de uma transferência eleitoral importante.

A candidatura, entretanto, precisava ter substância própria. Era necessário tornar Wagner conhecido, apresentar sua trajetória, mostrar capacidade política e oferecer à população razões para votar nele que fossem além da indicação da prefeita

O marketing inicialmente optou por apresentar Wagner como se ele já fosse um político consolidado. Encaminhou documentos ao Senado, fez campanha pela manutenção dos voos da Azul entre Vitória da Conquista e Salvador, criticou a Embasa pelos buracos deixados no asfalto novo e reclamou da ausência de uma unidade do SAC no bairro Brasil.

Eram pautas mínimas, locais e pontuais, bem ao estilo de vereador, embora a candidatura fosse para a Assembleia Legislativa. Em vez de apresentar Wagner, a comunicação agia como se a população já soubesse quem ele era e reconhecesse nele autoridade política para cobrar, propor e encaminhar soluções.

Meses depois, as pesquisas encontraram Wagner Alves ainda como o segundo menos conhecido entre os candidatos a deputado estadual. A indicação de Sheila havia criado expectativa em torno da candidatura, mas não fizera com que o eleitor conhecesse o candidato.

A mudança começou com a troca no comando do marketing. A festejada jornalista Maria Marques deixou a campanha para cuidar da saúde. Lucas Caires, que dividiu com ela a campanha de Sheila em 2024, assumiu. E mudou.

Não é possível dizer ainda que exista uma nova mensagem política. A mudança mais visível está na forma de apresentar Wagner. Há mais agenda, visitas, encontros com lideranças, viagens pela região, presença em eventos populares e manifestações de apoio.

Antes, havia um advogado agindo como se já exercesse um mandato. Agora, há um candidato sendo apresentado, por si mesmo e por terceiros. A campanha ganhou movimento e começou a produzir a sensação de que existe uma candidatura efetivamente em andamento.

Ainda falta explicar por que Wagner deve ser deputado estadual. E é essa resposta que o separa do estágio alcançado por Zé Raimundo e Fabrício. Os dois possuem votos próprios, bases consolidadas, experiência eleitoral e mandatos para apresentar. Quinho procura transformar influência regional e proximidade com o governo do estado em votos. Lara tem mandato, identidade conservadora e uma ligação nacional definida com Flávio Bolsonaro. Marcos Adriano tenta crescer como opositor da administração municipal.

Wagner possui a maior avalista entre todos, a estrutura política do grupo que governa Vitória da Conquista, o apoio de ACM Neto, diferentes candidatos a deputado federal ao seu lado e uma campanha que finalmente ganhou ritmo. São condições importantes. Não são, ainda, uma base eleitoral comparável à de Zé Raimundo e Fabrício.

O desafio do novo marketing é transformar a força de Sheila em capital político próprio, fazer com que Wagner deixe de ser apenas o candidato da prefeita e seja reconhecido por suas próprias qualidades. A campanha já consegue mostrar que ele está em movimento. Agora precisa convencer que o movimento tem uma direção.

ESTA MATÉRIA FOI PRODUZIDA COM O AUXÍLIO DO CHATGPT, INCLUINDO A FOTO DESTAQUE

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