Ataque e defesa: campanhas de ACM Neto e Jerônimo colocam desempenhos da Prefeitura de Salvador e do governo do estado no debate eleitoral

Ataque e defesa: campanhas de ACM Neto e Jerônimo colocam desempenhos da Prefeitura de Salvador e do governo do estado no debate eleitoral

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 entraram no debate da campanha para governador da Bahia. ACM Neto e seus aliados usaram o desempenho da rede estadual para atacar Jerônimo Rodrigues. Integrantes do grupo governista responderam com os avanços apontados pelo Estado e criticaram os resultados da educação municipal de Salvador durante os dois mandatos do ex-prefeito.

Neto governou Salvador entre 2013 e 2020 e elegeu como sucessor Bruno Reis, seu aliado político. Jerônimo comandou a Secretaria Estadual da Educação de 2019 a 2022 e assumiu o governo da Bahia em 2023. Os dois passaram a ser cobrados pelos adversários pelos resultados da rede municipal de enino da capital.

Na quinta-feira (6), ACM Neto criticou os números da rede estadual. Ele destacou que a Bahia ficou na última posição do país no Ideb dos anos finais do ensino fundamental, com queda de 4,0, em 2023, para 3,9, em 2025. Segundo o ex-prefeito, o governo teria recorrido a uma política de aprovação automática para melhorar os indicadores.

No ensino médio, a nota da Bahia passou de 3,7 para 3,8. O estado ficou na 22ª posição nacional e apresentou o menor resultado do Nordeste, empatado com o Maranhão.

A oposição também destacou o componente de aprendizagem do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A rede estadual obteve média padronizada de 4,04 em língua portuguesa e matemática no ensino médio, empatada com o Rio de Janeiro na última posição. A média nacional foi de 4,99 e a do Nordeste, de 4,37.

Em língua portuguesa, a Bahia alcançou 253,99 pontos, o menor resultado do país. Em matemática, registrou 252,49 pontos, o terceiro pior desempenho nacional.

Pelo lado do governo estadual, a defesa é de que a nota do ensino médio mantém uma sequência de crescimento: passou de 3,2, em 2019, para 3,5, em 2021, 3,7, em 2023, e 3,8, em 2025.

A assessoria de Jerônimo informou ainda que houve avanço nas duas disciplinas avaliadas pelo Saeb, com a nota de matemática passando de 250,97 para 252,49, e a de língua portuguesa de 252,49 para 253,99.

O estado da Bahia também registrou redução da reprovação e do abandono escolar. De acordo com os dados divulgados, a taxa de reprovação no ensino médio caiu de 16,6% para 4,4% em três anos, e a evasão passou de 13% para 3,1%.

Na defesa da gestão, o governo informou ter investido cerca de R$ 20 bilhões na educação básica entre 2023 e 2026. O valor inclui R$ 9,7 bilhões em construção, reforma e modernização de escolas, R$ 3,7 bilhões na valorização dos profissionais e R$ 1,9 bilhão em alimentação escolar.

Também foram citados os resultados no acesso ao ensino superior: 23.477 estudantes baianos foram aprovados em universidades públicas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2026, aumento de 6,9% em relação ao ano anterior.

A ex-secretária estadual Adélia Pinheiro respondeu diretamente às declarações de ACM Neto. Ela afirmou que, antes de criticar a educação estadual, o ex-prefeito deveria explicar os resultados da rede municipal de Salvador durante sua gestão.

Nos anos finais do ensino fundamental, Salvador ficou abaixo das metas estabelecidas pelo Inep em três avaliações consecutivas. Em 2013, a rede municipal obteve Ideb 3,0, diante de uma meta de 3,3. Em 2015, alcançou 3,4, abaixo da meta de 3,7. Em 2017, registrou 3,9, quando o resultado esperado era 4,0.

Adélia também acusou a gestão de Neto de não garantir remuneração adequada aos professores, material didático e vagas para todos os estudantes nos anos finais do ensino fundamental. “Antes de criticar os resultados da Bahia, é preciso olhar para o que foi feito durante sua própria gestão”, declarou.

A ex-secretária estadual da Educação e candidata a deputada estadual Rowenna Brito também rebateu o ex-prefeito. Segundo ela, Salvador está atrás de 148 municípios baianos no Ideb. Rowenna classificou a fala de Neto como próxima da “hipocrisia” e cobrou explicações para os resultados da capital.

Na sexta-feira (7), depois das críticas feitas por Adélia Pinheiro e Rowenna Brito, o deputado estadual Luciano Ribeiro, do União Brasil, voltou a criticar o desempenho da rede estadual. Ele não respondeu aos dados apresentados sobre a educação municipal de Salvador e concentrou sua manifestação na trajetória da Bahia nos indicadores de aprendizagem.

Luciano destacou que, em 2019, a Bahia tinha o sexto pior desempenho do país na média de língua portuguesa e matemática do ensino médio. Em 2021, passou para a penúltima posição. O estado chegou à última colocação em 2023 e permaneceu nela em 2025. O deputado lembrou que Jerônimo Rodrigues comandava a Secretaria Estadual da Educação nesse período e depois assumiu o governo.

Para ele, a sequência mostra que o resultado não pode ser tratado como uma oscilação isolada. Ele também criticou o contraste entre a propaganda oficial e as notas do Saeb e cobrou do governo o reconhecimento da gravidade dos indicadores. “Jerônimo é o único professor que, em vez de ajudar, joga contra a educação”, declarou.

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