Quinho: R$ 1 milhão em espécie; Tiago: rebanho com mesmo valor de 2022; Waldenor: sala de R$ 8 mil. Veja curiosidades nas declarações ao TSE


Todos os candidatos mencionados na reportagem foram contatados e as versões dos que responderam está no final.
Um milhão de reais em dinheiro em espécie, uma conta bancária com saldo de um centavo, um rebanho que quatro anos depois continua declarado exatamente pelos mesmos R$ 1,94 milhão e imóveis que aparecem na Justiça Eleitoral com valores muito menores do que os informados pelos próprios candidatos em eleições anteriores estão entre as curiosidades encontradas pelo BLOG DE GIORLANDO LIMA nas declarações de bens dos candidatos a deputado com base em Vitória da Conquista.
Não se trata, neste caso, de comparar quem tem mais ou menos patrimônio, nem de procurar razões para as mudanças. A relação entregue ao Tribunal Superior Eleitoral não informa, por exemplo, por que um imóvel teve o valor alterado, quando determinado bem foi adquirido ou deixou de pertencer ao candidato. A proposta é mais simples: destacar números e situações que chamam atenção quando as declarações atuais são colocadas ao lado das anteriores.
O caso mais vistoso é o de Quinho. Dos R$ 1.316.750 que o candidato a deputado estadual declarou este ano, R$ 1 milhão estão informados como dinheiro em espécie, praticamente 76% de todo o seu patrimônio. É também, com grande distância, o maior valor nessa condição entre os 20 candidatos analisados pelo BLOG.
Outros quatro informaram possuir dinheiro em espécie: Tiago Correia, R$ 90 mil; Marcos Adriano, R$ 60 mil; Vítor Azevedo, R$ 50 mil; e Lúcia Rocha, R$ 25 mil. Somados, são R$ 225 mil, apenas 22,5% do valor declarado em espécie por Quinho. Na eleição de 2020, ele havia informado uma reserva financeira em espécie de R$ 200 mil, então classificada na declaração como moeda estrangeira.
Se Quinho se destaca pelo dinheiro guardado em espécie, Natan da Carroceria aparece pela maior variação percentual do patrimônio. Quando disputou a eleição de vereador, em 2024, declarou apenas R$ 38 mil em cotas de capital de pessoa jurídica. Agora são R$ 717.840, crescimento de 1.789%.
As cotas de dois anos atrás não aparecem mais. Entraram na relação um carro avaliado em R$ 70 mil, uma casa de R$ 369.920 e dois terrenos, um de R$ 65.760 e outro de R$ 212.160. São esses quatro bens que formam todo o patrimônio apresentado por Natan nesta eleição.
Tiago Correia, que tem a maior declaração patrimonial entre os candidatos de Vitória da Conquista, oferece outra curiosidade. Em 2022, informou possuir 970 bovinos avaliados em R$ 1,94 milhão. Quatro anos depois, a quantidade de animais desapareceu da descrição e ficou apenas a palavra “bovinos”, mas o valor permaneceu rigorosamente o mesmo: R$ 1,94 milhão.
Se alguns valores permanecem congelados, outros caminham bastante, inclusive para baixo. A sala comercial de Waldenor Pereira no prédio Manoelito Freitas, no Centro de Vitória da Conquista, havia sido declarada por R$ 50 mil em 2024. Na relação apresentada agora aparece por R$ 8 mil, uma redução de 84% no valor informado à Justiça Eleitoral.
Algo parecido, e em proporção ainda maior, ocorre com Capitão Vasconcelos. O apartamento situado na Rua Cláudia Botelho apareceu na declaração de 2022 por R$ 124.925,27. Quatro anos depois, o imóvel consta por R$ 9.990. A diferença entre um valor e outro é de aproximadamente 92%. A declaração não informa a razão da mudança.
Outros bens do candidato seguiram caminhos diferentes. A casa no condomínio Jardim Pamplona permaneceu exatamente em R$ 204.164,28; o terreno na Morada dos Pássaros passou de R$ 65.547,50 para R$ 80 mil; e a Nissan Frontier, de R$ 23.616,79 para R$ 27.497,60.
Lúcia Rocha tem um histórico que também chama atenção pela mudança de valor informada para um imóvel. Em 2008, ela declarou um prédio residencial na Avenida Crescêncio Silveira por R$ 175.422,11. O bem não apareceu na relação de 2012 e voltou em 2016, novamente identificado na Crescêncio Silveira, mas por R$ 32.260,71. Nas duas eleições mais recentes, em 2024 e agora em 2026, o imóvel residencial em Vitória da Conquista continuou declarado pelos mesmos R$ 32.260,71.
Há também bens que fizeram o caminho oposto. Vítor Azevedo declarou em 2022 uma unidade da Mansão Bellagio, em Salvador, por R$ 555.843, além de R$ 150.524,75 em cotas de construção do mesmo empreendimento. Os dois registros somavam R$ 706.367,75. Agora, o apartamento aparece na declaração por R$ 2.569.426,77, o maior valor individual entre os imóveis informados pelos candidatos de Conquista.
Zé Raimundo também apresenta um imóvel com valor maior. O apartamento na Rua Piauí, na Pituba, em Salvador, passou de R$ 272.657,46 em 2022 para R$ 547.189,35 em 2026. Outros bens dele, entretanto, mantiveram exatamente os valores de quatro anos atrás, entre eles uma Toyota Hilux SW4, R$ 183.500; um imóvel de dois pavimentos da Rua Raul Chagas, no Loteamento Amendoeiras, em Vitória da Conquista, R$ 350 mil; e terrenos declarados por R$ 30 mil e R$ 60 mil.
Já Dr. Augusto Cândido chama atenção menos pelo valor de um bem específico e mais pelo tamanho da lista. Em 2024, a declaração tinha 28 lançamentos, entre imóveis, veículo, aplicações, contas bancárias, ações, participações societárias e equipamentos médicos, que somavam R$ 2.228.931,49. Dois anos depois, há somente uma casa, avaliada em R$ 800 mil.
E, se Quinho está numa ponta com R$ 1 milhão em espécie, Jorge Solla aparece noutra com valores que dificilmente seriam percebidos sem olhar item por item. Uma conta na XP Investimentos tem R$ 0,01. Outra, no Bradesco, aparece com R$ 1,02. Há ainda dois lançamentos no Banco do Brasil com exatamente R$ 100,82 cada. Na declaração de Waldenor Pereira, um crédito contra o Bradesco aparece com R$ 1,71.
Isaac Nolasco está em situação diferente de todos esses exemplos. Candidato pela primeira vez, informou ao TSE que não há bens a declarar. Wagner Alves também estreia numa eleição, mas apresentou uma lista de 21 itens que soma R$ 2.899.555,40.
As relações de bens não explicam por que um imóvel muda de valor, um patrimônio deixa de aparecer ou uma aplicação aumenta. Também não se pode dizer, apenas pela comparação, que determinado candidato comprou ou vendeu um bem entre uma eleição e outra. Os números acima dizem somente aquilo que está nas declarações entregues pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral.
O QUE DIZEM OS CANDIDATOS

Capitão Vasconcelos: “Esse ano fiz a declaração do Imposto de Renda na modalidade pré-aprovada, acredito ter sido isso o erro, mas o valor correto do apartamento é R$ 124 mil, por ser financiado ainda estou pagando. A Frontier também está errado, esse valor foi pelo fato de ser financiada, agora já está quitada.
Vou pedir a meu contador para fazer as alterações, obrigado pela informação, se não fosse a sua diligência, sinceramente não saberia, talvez descobrisse ano que vem e olhe lá. O terreno na declaração utilizei o valor do IPTU, mas se fosse o valor de compra seria R$ 13 mil, o valor que paguei na época.”

Jorge Solla: “Saldos em conta bancária XP com 0,01 e Bradesco com 1,02 são saldos bancários corretos. Dois lançamentos no BB com 100,82 cada foi duplicado indevidamente. Erro.


