Não tem apenas Jerônimo e ACM Neto: conheça os outros cinco nomes que querem governar a Bahia; dois ainda disputam no mesmo partido


A eleição para governador da Bahia é tratada, quase sempre, como um novo confronto entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Os dois concentram as atenções, as intenções de voto e repetem a disputa de 2022, mas os líderes nas pesquisas não estão sozinhos na disputa pelo Palácio de Ondina.
Além deles, cinco nomes apresentaram pedidos de registro à Justiça Eleitoral: Ronaldo Mansur, do PSOL; Aroldo Félix, da Unidade Popular (UP); Ariel Capistrano e José Estêvão, ambos da Democracia Cristã (DC); e a única mulher a concorrer este ano ao governo do estado, Maria Bona, do Partido da Causa Operária (PCO);
A lista chega a sete nomes, mas não significa que haverá sete candidatos na urna, pois o DC realizou duas convenções rivais, cada uma com uma chapa diferente. Como apenas uma poderá representar o partido, a eleição terá, no máximo, seis candidaturas válidas.
Entre os cinco nomes menos conhecidos, somente Ronaldo Mansur estava com o registro deferido até esta terça-feira (18). Aroldo Félix, Maria Bona, Ariel Capistrano e José Estêvão aguardavam julgamento.
Nas pesquisas, eles aparecem distantes dos dois primeiros colocados. No levantamento Real Time Big Data divulgado em 11 de agosto, Ronaldo Mansur teve 2%. José Estêvão marcou 1% em um dos cenários, enquanto Aroldo Félix não pontuou. Em outro cenário, Ariel Capistrano também não pontuou. Maria Bona ainda não havia sido incluída.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 6 e 10 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada no TSE sob o número BA-00277/2026.
Maria Bona
Maria Bona Carrara de Sumbuy é a única mulher entre as candidaturas para o governo da Bahia. Tem 73 anos, nasceu em São Paulo e possui domicílio eleitoral em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, desde 1989.
Ela se declarou branca, divorciada, com ensino superior completo e aposentada, exceto do serviço público. Informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 200 mil, correspondente a um imóvel residencial. Esta é a primeira candidatura de Maria Bona. Seu candidato a vice é José Ricardo de Lima Chaves, conhecido como Zé Ricardo.
O programa registrado não é específico para a Bahia. Trata-se do documento nacional do Partido da Causa Operária para as eleições de 2026. Nele, a legenda afirma que não participa das eleições para fazer promessas e considera a disputa eleitoral uma “tribuna” para divulgar seu programa de organização dos trabalhadores, socialismo e governo operário.
Entre as propostas estão salário mínimo de R$ 7.500, jornada máxima de 35 horas semanais, proibição de demissões, cancelamento das privatizações, reforma agrária com expropriação de latifúndios, dissolução da Polícia Militar, fim do Supremo Tribunal Federal e eleição de juízes e procuradores.
O documento também defende o cancelamento das concessões da Rede Globo e de outros grandes meios de comunicação, com estatização das empresas sob controle dos trabalhadores.
Ronaldo Mansur
Ronaldo Mansur Santos Silva tem 47 anos e nasceu em Alagoinhas. Aparece no sistema do TSE como pardo, solteiro, com ensino médio completo e sem ocupação informada. Informou patrimônio de R$ 91.397,22.
É técnico em meio ambiente, estudante de Direito, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), integrante da Executiva Nacional do PSOL, do qual foi fundador e é presidente estadual. Também preside a Federação PSOL-Rede na Bahia.
Esta é sua quarta participação em uma eleição. Foi candidato a vice-governador em 2014 e 2022 e disputou uma vaga de deputado federal em 2018. Não se elegeu em nenhuma das três oportunidades. Agora concorre ao governo pela primeira vez, tendo como candidata a vice a professora Meire Reis, também do PSOL.
O partido apoia a reeleição do presidente Lula, mas decidiu não integrar a coligação de Jerônimo Rodrigues na Bahia. Ao justificar a candidatura própria, Mansur afirmou que o PSOL diverge da forma como o governador e seus aliados conduzem o Estado.
A federação procura ocupar o espaço de uma esquerda alternativa ao PT, sem se aproximar do grupo político de ACM Neto. Seu programa critica os quase 20 anos de governos petistas e propõe um projeto “democrático e popular”, com maior participação dos movimentos sociais e da população nas decisões do Estado.
Entre as propostas estão fortalecimento dos serviços públicos, estímulo à economia solidária e ao cooperativismo, criação de conselhos populares, reparação social para negros e indígenas, desmilitarização das polícias e ampliação dos investimentos em saúde e educação.
Aroldo Félix
Aroldo Félix de Azevedo Junior tem 43 anos, nasceu em João Pessoa, na Paraíba, e mora em Salvador desde 2023. Declarou-se branco, casado, com ensino superior completo e professor universitário. Seu patrimônio declarado é de R$ 857.485,32.
É doutor em Engenharia Química, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e dirigente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). Também está entre os fundadores da Unidade Popular.
Aroldo começou a atuação política no movimento estudantil e presidiu o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Em 2022, disputou o Governo de Sergipe pela UP. Na disputa deste ano, ele concorre tendo como canidata a vice-governador Marília Regina, conhecida como Marília do MLB, liderança do movimento de luta pela moradia.
A candidatura defende o fortalecimento dos serviços públicos, a geração de empregos por meio de obras de infraestrutura, a reforma agrária, a construção de escolas e creches e a ampliação das políticas para a população de baixa renda.
Na segurança pública, Aroldo propõe a desmilitarização da polícia, investimentos em inteligência e educação policial e punição de agentes envolvidos em abusos. Durante a convenção da UP, apresentou como objetivo “melhorar a qualidade de vida do povo baiano” e afirmou: “Queremos ouvir essas pessoas e, a partir daí, governarmos juntos”.
Ariel Capistrano
A Democracia Cristã aparece no sistema do TSE com dois candidatos a governador da Bahia. O DivulgaCand mantém os dois nomes como concorrentes enquanto a Justiça Eleitoral decide qual convenção e qual chapa têm validade.
Um dos pretendentes é Ariel da Silva Capistrano, 39 anos, nascido em Feira de Santana. Declarou-se preto, casado, empresário e com ensino médio incompleto. Informou patrimônio de R$ 500 mil, referente a um terreno.
Ariel integra o grupo do DC que realizou convenção em 1º de agosto. Na ata, apresentou-se como vice-presidente estadual no exercício da presidência do partido. Sua chapa tem José Augusto Maciel Torres, o Zé Augusto, como candidato a vice.
O plano registrado tem cinco páginas e utiliza o slogan “Terceira Via: Uma Bahia para Todos”. O documento apresenta propostas para segurança, saúde, educação, emprego, agricultura, infraestrutura, meio ambiente, turismo, assistência social e gestão pública.
Entre elas estão ampliação dos efetivos das polícias Civil, Militar e Técnica, implantação de centros regionais de perícia, expansão do videomonitoramento, construção e modernização de hospitais regionais e reestruturação da regulação de consultas e procedimentos.
Na educação, Ariel propõe escolas cívico-militares, expansão do ensino profissionalizante e incentivo ao ensino técnico e científico. Para a economia, defende redução da burocracia para abertura de empresas, qualificação profissional, apoio aos pequenos produtores e incentivos à indústria, ao comércio e aos serviços.
José Estêvão
O outro nome da DC é José Estêvão dos Santos Barbosa. Ele tem 68 anos, nasceu em Floresta Azul e foi criado em Itapetinga. Declarou-se preto, casado, administrador e com ensino superior completo. Seu patrimônio declarado é de R$ 600 mil, correspondente a participações empresariais.
Além de administrador, atua como empresário e profissional de marketing eleitoral. Passou mais de 40 anos no PDT, pelo qual foi candidato a deputado estadual em 2006 e ficou na suplência. Se filiou à Democracia Cristã em abril deste ano, quando assumiu a presidência estadual da legenda. Em 2026, concorre ao lado de Neuzimar Camacam, candidata a vice-governadora.
O programa “Um Novo Olhar para a Bahia” tem como eixo principal a geração de trabalho e renda. Estêvão sustenta que o crescimento econômico somente pode ser considerado desenvolvimento quando melhora a renda e a qualidade de vida da população.
Seu projeto defende a industrialização do interior, a agregação de valor aos produtos baianos, incentivos para instalação de empresas, fortalecimento das cooperativas e integração entre as regiões.
Na saúde, propõe concentrar esforços na atenção básica e na medicina preventiva, com médicos de família e agentes de saúde. Na educação, defende escolas em tempo integral e um modelo baseado na participação do Estado, das famílias e dos estudantes.
No plano apresentado à Justiça Eleitoral, Estêvão afirma que sua candidatura nasceu da convicção de que a Bahia precisa romper com “ciclos históricos de concentração de poder, promessas não cumpridas e ausência de transformação estrutural”.
A convenção que escolheu José Estêvão foi realizada em 2 de agosto, um dia depois da reunião do grupo de Ariel Capistrano. A direção nacional do DC havia destituído a comissão da qual Ariel participava, enquanto uma decisão judicial posterior restabeleceu o diretório presidido por Estêvão. Mesmo assim, os dois grupos conseguiram apresentar pedidos de registro.


