Opinião | Nenhuma cadeira a menos. Vitória da Conquista precisa e pode ter mais cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados

Opinião | Nenhuma cadeira a menos. Vitória da Conquista precisa e pode ter mais cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados

Dois deputados estaduais e um deputado federal. É pouco para Vitória da Conquista, a terceira cidade mais populosa da Bahia, com população estimada pelo IBGE em 396.613 habitantes. É pouco para o terceiro maior colégio eleitoral do estado, com 264.091 eleitores aptos a votar nas eleições deste ano. É pouco para a quinta maior economia baiana, com PIB de R$ 12,667 bilhões em 2023. E é pouco para uma cidade que não se limita a si mesma, porque funciona como referência regional de comércio, saúde, educação e serviços para uma extensa área do interior da Bahia.

Hoje, Zé Raimundo (PT) e Fabrício Falcão (PCdoB) ocupam as cadeiras conquistenses na Assembleia Legislativa da Bahia e na Câmara dos Deputados está Waldenor Pereira (PT). São três parlamentares com origem e base política diretamente ligadas a Vitória da Conquista. Três cadeiras que precisam ser mantidas, mas que não deveriam representar a medida da ambição política de uma cidade com esse tamanho.

Já tivemos cinco

Vitória da Conquista precisa aumentar sua representação e a história mostra que isso não é uma pretensão desmedida. Na legislatura iniciada em 1983, tínhamos três deputados estaduais, Coriolano Sales (PMDB), Iran Gusmão (PMDB) e Leônidas Cardoso (PDS), e dois federais, Elquisson Soares (PMDB) e Raul Ferraz (PMDB). Eram cinco parlamentares de base conquistense entre a Assembleia e a Câmara dos Deputados.

E há um número que torna a comparação com o presente muito mais expressiva. Na eleição de 1982, Vitória da Conquista tinha 69.377 eleitores e o Censo de 1980 registrava 170.624 habitantes. Hoje são 264.091 eleitores e uma população estimada em 396.613 pessoas (IBGE/2025). O eleitorado conquistense cresceu quase quatro vezes e a população mais que dobrou.

Para a Assembleia, Conquista conseguiu eleger três estaduais em quatro eleições consecutivas, 1982, 1986, 1990 e 1994. A representação tripla permaneceu até o fim de 1996, quando Guilherme Menezes renunciou para assumir a Prefeitura. Na Câmara, o máximo simultâneo sempre foi de dois deputados federais, mas esse patamar foi alcançado em diferentes momentos.

Além de Elquisson e Raul na legislatura iniciada em 1983, Coriolano Sales teve a companhia de Vonca Gonçalves a partir de 1999, primeiro como suplente e depois como titular. Em 2003, Guilherme Menezes se juntou a Coriolano, que acabou renunciando em agosto de 2006. Na legislatura seguinte, Guilherme começou como o único federal eleito de base conquistense e em março de 2007 chegou Edigar Mão Branca, que assumiu como suplente de Geddel Vieira Lima.

Os registros mostram que desde 1946, há 80 anos, Vitória da Conquista teve representação na Câmara dos Deputados em todas as legislaturas, mas pelo menos uma terminou sem ninguém da cidade. Guilherme havia sido reeleito deputado federal em 2006 e renunciou em 1º de janeiro de 2009 para assumir novamente a Prefeitura. Mão Branca permaneceu na Câmara até abril de 2010, até que Geddel deixou o ministério e voltou para a Câmara. Com a saída de Mão Branca, que tinha domicilio eleitoral em Itapetinga em 2006 mas fazia campanha em Conquista, ficamos sem nenhum deputado federal até o fim da legislatura. O município voltou a ter uma cadeira com a eleição de Waldenor Pereira.

Desde a eleição de 2010, o quadro se estabilizou em dois estaduais e um federal: Fabrício e Zé Raimundo na Assembleia, Waldenor na Câmara. Houve uma ampliação temporária entre 2015 e 2016, quando Herzem Gusmão, primeiro suplente de sua coligação, assumiu uma cadeira na Alba. Naquele período, Conquista voltou a ter três estaduais em exercício, embora apenas Fabrício e Zé Raimundo tivessem sido eleitos titulares.

A força do voto

Uma hipótese aritmética ajuda a enxergar a dimensão do eleitorado conquistense. Se os 264.091 eleitores fossem divididos entre quatro candidatos a deputado estadual, seriam pouco mais de 66 mil votos para cada um. Na eleição para a Câmara, divididos entre apenas dois candidatos, seriam cerca de 132 mil votos para cada.

Não há a menor possibilidade do eleitorado concentrar seus votos em quatro candidatos estaduais e dois federais. Por efeito da democracia e da dimensão eleitoral do município, há uma enorme dispersão de votos em dezenas de candidaturas, inclusive locais sem qualquer perspectiva de viabilidade.

A conta serve como régua, para mostrar o tamanho da matéria-prima eleitoral que Vitória da Conquista tem nas mãos.

Quanto mais votos uma candidatura realmente competitiva conseguir obter aqui, menor será sua dependência da votação de outros municípios. E quanto maior a capacidade de Conquista de transformar seu próprio eleitorado em votações fortes para candidatos com possibilidade real de eleição, maior será a chance de acrescentar cadeiras às que já possui.

Mais cadeiras não garantem automaticamente mais obras, mais dinheiro ou mais atenção dos governos. Um deputado não deixa de representar toda a Bahia porque sua base está em Vitória da Conquista. Mas a quantidade de representantes de uma região de enorme importância.

Três deputados estaduais podem ocupar espaços diferentes, manter relações políticas diferentes, atuar em áreas diferentes e abrir portas diferentes. Dois federais podem dividir agendas, buscar recursos em áreas distintas e ampliar a presença de Conquista em Brasília. Uma bancada politicamente plural pode ser ainda mais útil, porque permite interlocução com governo e oposição, diferentes partidos e diferentes estruturas de poder.

Cadeiras a mais

Nenhum eleitor é obrigado a votar em alguém simplesmente porque o candidato é de Vitória da Conquista. O eleitor deve considerar propostas, trajetória, posição política, capacidade, confiança e todos os critérios que julgar necessários. Mas também pode avaliar sob o ponto de vista do fortalecimento político da cidade, visando benefícios coletivos que essa força pode ajudar a trazer.

Nas eleições deste ano, preservar as cadeiras que já temos deve ser o piso, não o teto. O desafio maior é fazer a força eleitoral, econômica e regional de Vitória da Conquista aparecer também na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Isso implica em que o eleitor avalie quais os candidatos, além de Waldenor, Zé Raimundo e Fabrício, têm maior potencial de largada, de votos no município e, se concordar com a tese, votar pensando nisso: nenhuma cadeira a menos, precisamos e podemos ter cadeiras a mais.

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo