Vitória da Conquista: as oposições em busca de um rumo político – e de nomes – de olho em 2028 – Coluna de Ronnie Peterson

Vitória da Conquista: as oposições em busca de um rumo político – e de nomes – de olho em 2028 – Coluna de Ronnie Peterson

Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador, quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática. Sua coluna sai sempre às terças-feiras.

Na semana passada, dediquei estas linhas a dissecar o momento delicado vivido pelo grupo político encabeçado pela prefeita Sheila Lemos, cujo horizonte aponta para um claro esfacelamento de sua base aliada. Naturalmente, a política não tolera o vazio e, mesmo diante da distância que ainda nos separa do pleito municipal de 2028, o olhar do analista precisa se voltar para o outro lado do tabuleiro. Contudo, se a situação patina em crises internas, o panorama da oposição em Vitória da Conquista não é mais animador, o campo oposicionista caminha, aparentemente, sem rumo certo e sem uma bússola clara.

Para compreender esse impasse, é preciso revisitar a história recente. O Partido dos Trabalhadores governou Conquista por 20 anos ininterruptos. Foram duas décadas marcadas por avanços inegáveis, com políticas públicas e modelos de participação popular que chegaram a inspirar administrações petistas em outros cantos do país. Todavia, o tempo cobra seu preço. A aliança histórica, sustentada em siglas tradicionais como o PSB e o PCdoB, acomodou-se em torno de lideranças que hoje carregam um perfil visivelmente desgastado. Essa insistência em velhos arranjos travou o surgimento de nomes com fôlego e viabilidade eleitoral para encabeçar um projeto majoritário renovado. Assim, ironicamente, nem mesmo o visível desgaste da gestão de Sheila Lemos garante o retorno do PT ao Paço Municipal, pelo contrário, o vácuo político gerado pela inércia oposicionista põe em xeque esse sonhado retorno.

Acontece que a oposição conquistense já não cabe mais, com exclusividade, sob a aba da esquerda tradicional. O cenário atual apresenta coadjuvantes que começam a reivindicar protagonismo e que, a depender do saldo das urnas, poderão despontar como alternativas reais em 2028.

O primeiro caso a observar é o do ex-prefeito de Belo Campo, Quinho Tigre. Sua desenvoltura na atual campanha estadual tem chamado a atenção dos bastidores e de analistas atentos. Dono de inegável prestígio junto a pesos-pesados da política baiana, como os senadores Otto Alencar e Rui Costa, Quinho deu uma demonstração de força e articulação no tabuleiro local ao viabilizar e eleger para a Câmara de Vereadores a sua esposa, Leia Tigre, até então um nome distante do grande público conquistense. O desempenho eleitoral de Quinho nesta rodada servirá como o grande termômetro para saber se ele reúne condições de cruzar a ponte da articulação regional e se consolidar como postulante viável à chefia do Executivo em Conquista.

Na outra margem desse espectro surge Marcos Adriano. Desconhecido de grande parte do eleitorado até disputar a prefeitura em 2024, o advogado encontrou nas redes sociais o seu palanque mais eficaz. Hoje, não há na cidade voz de oposição que critique a gestão de Sheila com tanta intensidade, frequência e alcance visual. Marcos preencheu um espaço de cobrança direta que as lideranças tradicionais abandonaram ou desempenham com timidez. Contudo, entre o engajamento digital e o voto consolidado nas urnas há um abismo. Resta saber se essa tática agressiva se converterá em densidade política capaz de credenciá-lo a comandar um projeto amplo para a terceira maior cidade da Bahia.

Enquanto isso, a esquerda histórica segue emaranhada em suas próprias contradições. O PT local sofre de um vício crônico, disputas internas e rituais de tendência que atrasam escolhas e sufocam a renovação. Em uma cidade que sinaliza, a cada pesquisa e esquina, o desejo por novidades, as velhas lideranças insistem em eclipsar novos quadros. Se o petismo compreendesse a necessidade de abrir mão de sua tradicional postura hegemônica para apostar nos parceiros de jornada, encontraria no deputado Fabrício Falcão, do PCdoB, uma via natural. Fabrício há muito deixou de ser aposta, tem trânsito político fluente em praticamente todas as correntes e mantém uma atuação parlamentar visível e conectada às demandas da região.

Aponto aqui nomes, movimentos e possibilidades, mas cumpre ser honesto com o leitor: não enxergo, no momento, solidez nem envergadura política incontestável em nenhum desses atores para aglutinar, isoladamente, as forças dispersas da oposição. Falta-lhes ainda a musculatura que transforma pretensão em liderança indiscutível. Por isso, a votação deste 4 de outubro será decisiva, mais do que eleger deputados ou senadores, as urnas servirão de atalho, ou de filtro implacável, para quem pretende sonhar, de fato, com o horizonte de 2028.

Por último, gostaria de agradecer o convite e a confiança do amigo e editor desde blog, Giorlando Lima, que há um ano convidou-me para escrever esta coluna, algo que faço com prazer e dedicação. Além de agradecer a todos que leem semanalmente meus artigos, cujo o objetivo é sempre suscitar o bom debate de ideias, na perspectiva de que, apesar de ser um artigo opinativo, sirva para uma discussão maior sobre temas importantes para nossa cidade.

TEXTO REVISADO PELO AUTOR

FOTO DESTAQUE MERAMENTE ILUSTRATIVA CRIADA COM AUXÍLIO DO CHATGPT

As opiniões manifestadas pelos artigos publicados não representam, necessariamente, a opinião deste BLOG. São uma forma de estimular o debate e o pensamento, estando o espaço aberto para outras manifestações de articulistas (independente de partido ou ideologia política) interessados em discutir o momento da vida nacional.

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