Série Sucessão de Sheila Lemos | No grupo político que elegeu a prefeita em 2024 a largada foi dada no gabinete, mas vai além dos presentes à reunião

José Fernandes Pedral Sampaio (1925-2014) foi eleito prefeito três vezes e governou Vitória da Conquista por nove anos e 214 dias, descontados os anos finais do primeiro mandato, quando foi cassado pela Câmara de Vereadores sob pressão da ditadura militar, e o período de um ano, cinco meses e dois dias que passou como secretário estadual, no meio do segundo mandato. Pedral foi o avalista das eleições de Jadiel Matos (1972) e Raul Ferraz (1976), enquanto estava cassado, e de Murilo Mármore (1988), como seu sucessor. Do alto de sua experiência, ele dizia que antecipar discussões sobre eleição só era bom para a oposição. A quem estivesse no poder, a escolha de um nome poderia até ser feita cedo, mas teria que se manter guardada, para evitar desgaste precoce.
Se Pedral ainda estivesse vivo, provavelmente não entenderia os movimentos ‘oficiais’ que anteciparam pré-candidaturas no seio do grupo que administra o município. Segundo um dos prefeituráveis governistas, a prefeita Sheila Lemos (União) reuniu três aliados no gabinete, na primeira semana após o primeiro turno das eleições deste ano, para informar que eles são as suas opções para a disputa de 2028. “Ela não pediu segredo e disse que dali sairia o candidato dela a prefeito”, afirmou a fonte. Na sala estavam Ivan Cordeiro (PL), presidente da Câmara de Vereadores, Coronel Ivanildo (sem partido), secretário da Casa Civil, e Luís Carlos Dudé (União), líder da prefeita no Legislativo. Outro cotado para uma candidatura ao maior cargo do município, o vice-prefeito Dr. Alan, não foi convidado.
Ivan já demonstrou disposição de disputar a Prefeitura, mas concorda com a lição de Pedral e afirma que é cedo para o debate sobre a sucessão da prefeita conquistense. Reeleito presidente da Câmara Municipal para o biênio 2027-2028, tem uma posição institucional própria e mantém relações com dirigentes de diferentes partidos. Embora reconheça a liderança de Sheila, ocasionalmente sinaliza que sua candidatura não dependeria necessariamente da indicação da prefeita.
A relação ganhou um episódio de tensão em 21 de outubro, quando Sheila esteve em Brasília para uma reunião com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, acompanhada do secretário municipal da Casa Civil, Coronel Ivanildo, e do empresário João César Guimarães, presidente municipal do PP. Ivan, único vereador do PL em Vitória da Conquista, não havia sido informado previamente do encontro e reclamou para fontes mais próximas.
Com gabinete ao lado do de Sheila na Casa Rosada da Praça Joaquim Correia, Coronel Ivanildo ocupa uma posição singular. Acompanha decisões administrativas e participa das análises políticas da gestão. Sua presença na reunião com Valdemar Costa Neto representou um sinal importante da valorização que a prefeita dá à sua possível pré-candidatura. Ivanildo nunca foi filiado a partido político e precisará ingressar em uma legenda caso pretenda disputar a eleição. A atividade administrativa e a proximidade com Sheila não substituem a organização partidária necessária para sustentar uma candidatura.
O vereador Luís Carlos Dudé, ex-presidente da Câmara e atual líder da prefeita, também manifesta disposição de concorrer. Amigo de Sheila há muitos anos, mantém uma relação política que vem desde as candidaturas a vereadora da mãe dela, Irma Lemos, atravessou o governo de Herzem Gusmão e chegou à atual administração.
Dudé declarou em outubro que ele, Ivan Cordeiro e Coronel Ivanildo foram liberados pela prefeita para anunciar publicamente que são as opções dela para a sucessão. Mas, diferente de Ivan, que tem na presidência da Câmara uma vitrine e ainda tem partidos (além do PL, o PSDB) que admitem apoiá-lo independentemente da escolha de Sheila, e de Ivanildo, que trabalha em uma sala ao lado do gabinete da prefeita, onde atende políticos e demandas antes que cheguem à gestora, Dudé não dispõe, até agora, de uma estrutura política própria que tenha demonstrado capacidade para sustentar uma pré-candidatura em condições de igualdade com os demais. Depende mais de si mesmo.
Já o vice-prefeito Dr. Alan (Republicanos), politicamente afastado de Sheila desde a eleição deste ano, tem seu nome destacado nas discussões, mas parece estar fora dos planos da prefeita. Enquanto a prefeita apoiou o marido, Wagner Alves (União), para deputado estadual, Alan participou da campanha da mulher, Dra. Lara (Republicanos), e isso afastou os dois. O vice afirma que ser candidato a prefeito não está entre suas prioridades, mas é um dos nomes que aparecem melhor nas sondagens públicas e não descarta a possibilidade quando questionado.
Próximo capítulo da série: A escolha petista: tão ou mais difícil que no grupo governista
Foto destaque: O BLOG passou horas pensando se deveria repetir a foto de matéria anterior sobre o assunto (abaixo), ATÉ que o ChatGPT fez uma variação SOBRE O MESMO TEMA.
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