Série Sucessão de Sheila Lemos | A escolha petista: tão ou mais difícil que no grupo governista; lista de opções da oposição cresce com PSD e PCdoB

Série Sucessão de Sheila Lemos | A escolha petista: tão ou mais difícil que no grupo governista; lista de opções da oposição cresce com PSD e PCdoB

A primeira eleição de Guilherme Menezes a prefeito de Vitória da Conquista, em 1996, representou um corte no tempo da política local, ao interromper uma hegemonia de 24 anos do grupo pedralista, cujo líder, José Pedral, havia sido o último prefeito antes da chegada do PT, que permaneceria por 20 anos consecutivos no comando da gestão municipal.

A escolha do candidato que enfrentaria o pedralismo rachado, com Vonca Gonçalves e Murilo Márnore como candidatos, teve muita discussão e envolveu políticos de vários partidos. Nas eleições seguintes, isso mudou e as discussões, ainda que o PT se apresentasse como um partido de debates, não se alongavam. Em 20 anos, a Prefeitura foi comandada por apenas dois petistas: Guilherme, durante três mandatos e meio, e Zé Raimundo, por um mandato e meio. O sucesso da primeira gestão de Guilherme, continuado na administração de seu sucessor, facilitou a definição de quem seria o candidato em 2000, 2004, 2008 e 2012.

Essa facilidade na escolha do candidato, entretanto, deixou de existir na eleição de 2016. Uma prévia chegou a ser marcada com pelo menos quatro nomes indicados. Guilherme chegou a apresentar seu amigo e secretário de governo Odir Freire e a iniciar conversas fora do PT com o empresário Jaymilton Gusmão Filho. A decisão pelo nome de Zé Raimundo só aconteceria quase no meio do ano da eleição.

Em 2020, sem o interesse de Guilherme em concorrer, o escolhido natural foi Zé Raimundo, em sua quinta candidatura como prefeito ou vice-prefeito. Em 2024, o espaço foi aberto, sem conflitos, para o deputado federal Waldenor Pereira, apenas o terceiro nome petista a ser candidato em 28 anos.

Agora, com a eleição de 2028 à vista e o debate antecipado, o PT vive uma situação parecida com a de 2016, mas com duas diferenças: não tem uma pessoa no poder municipal para exercer a primazia da indicação e não apresenta conflito interno aparente sobre quem deverá ser o candidato ou a candidata para suceder a prefeita Sheila Lemos (União).

Guilherme, Zé Raimundo e Waldenor já teriam declinado de entrar no páreo. A interpretação é de que as três derrotas consecutivas, duas para Herzem e uma para Sheila, acionaram o modo unidade no partido. Nessa vibe, por enquanto, as conversas giram em torno de Márcia Viviane e Alexandre Xandó, ambos vereadores. Isso não significa que não existam outras possibilidades, ainda mantidas discretamente ou à espera de uma decisão sobre entrar na disputa. Tampouco está descartado que algum dos três nomes do escalão superior seja convocado se, ao longo do caminho, os dois vereadores não demonstrarem vitalidade suficiente para vencer o grupo que está no poder.

Mas o PT não está sozinho na reivindicação de escolher quem enfrentará o candidato, ou os candidatos, do grupo de Sheila Lemos. Na Federação Brasil da Esperança, o PCdoB tem o nome de Fabrício Falcão, deputado estadual reeleito para o quinto mandato, em uma sequência de sete eleições, incluindo duas de vereador. Ele já foi candidato a prefeito em 2016, quando diferentes grupos políticos acreditavam que poderiam vencer a eleição. Para 2028, só se for com a anuência dos antigos aliados.

E, fora do grupo tradicional que acompanha o PT, batizado desde 1996 como Frente Conquista Popular (PT, PCdoB, PSB e PV), o PSD, parceiro do PT no estado, tem um nome. Quinho já avisou que deseja ser candidato a prefeito de Vitória da Conquista, depois de ter sido de Belo Campo, município com menos de 5% da população conquistense e menos de um quinto da área territorial. Quem o conhece afirma que dificilmente ele abrirá mão de sua meta.

Alexandre Xandó e Viviane

Os dois vereadores disseram ao BLOG DE GIORLANDO LIMA que colocaram seus nomes à disposição do partido como possíveis pré-candidatos. Segundo eles, cada um trabalha para reunir condições políticas de apresentar uma candidatura viável e enfrentar os eventuais candidatos da direita. Ambos reconhecem que a decisão envolverá outras lideranças e dependerá das negociações partidárias.

Sobre Viviane, circula a informação de que Guilherme Menezes teria manifestado ao governador Jerônimo Rodrigues sua preferência pela vereadora, provocando contrariedade entre outros integrantes do PT. O episódio ainda não tem confirmação pública, mas demonstra a movimentação nos bastidores da legenda.

Nas pesquisas a que o BLOG teve acesso, Xandó aparece em ligeira vantagem sobre Viviane, o que é atribuído à oposição mais contundente que faz à prefeita Sheila Lemos e ao envolvimento com movimentos culturais e da juventude. Os dois foram candidatos a deputado em 2022, Xandó a federal e Viviane a estadual. Ele teve 18.230 votos no município e Viviane 7.014. Para a Câmara de Vereadores, Xandó foi o quarto mais votado no geral e o primeiro no PT, com 3.729 votos, e Viviane foi a 13ª no geral e a terceira no partido.

Os três nomes tradicionais, Waldenor, que não conseguiu se reeleger deputado federal, e Zé Raimundo, reeleito deputado estadual, e Guilherme deverão ser balizadores das discussões, mas também aparecem nas sondagens de intenção de voto e não há como descartar nenhum dos três como opção do PT, onde mais provável é uma definição pela candidatura própria, deixando de fora Fabrício e obrigando Quinho a caprichar nas articulações.

Quinho e Fabrício

O PSD de Quinho integrou a coligação que apoiou Waldenor para prefeito em 2024, mantém uma aliança sólida com o governo estadual e participa de composições com os petistas em importantes cidades baianas. A candidatura do ex-prefeito de Belo Campo a deputado estadual neste ano contou com o apoio direto do ex-governador e senador eleito Rui Costa, uma ligação que também pode ter importância nas negociações para 2028. Assim, ele terá que examinar cuidadosamente as condições de uma candidatura paralela à do PT, o que não significa desistir.

Quinho recebeu 17.791 votos em Vitória da Conquista para deputado estadual, não conseguiu se eleger, mas na primeira suplência pode assumir o mandato se o governador Jerônimo Rodrigues convocar algum deputado do PSD para o secretariado. Isso aumentaria o seu cacife para entrar na disputa. Para ter o apoio dos petistas, entretanto, terá de participar de uma negociação com um partido acostumado a conduzir a escolha do candidato. Mas há uma alternativa: lançar candidatura própria no primeiro turno, como ocorreu com partidos aliados em 2016, sem necessariamente romper os laços com o partido do governador, e deixar aberta a possibilidade de uma composição em um eventual segundo turno.

Fabrício também depende de uma negociação com o PT, mas não tem a mesma liberdade partidária de Quinho. Reeleito com 21.456 votos em Vitória da Conquista, já disputou a Prefeitura em 2016, quando recebeu 11.502 votos no primeiro turno. Naquela eleição, o PCdoB apresentou candidatura própria, com Mão Branca (PV) como vice, mesmo integrando o campo político da antiga Frente Conquista Popular, que reunia PT, PCdoB, PV e o PSB, que teve Joás Meira como candidato. Havia o entendimento de que os partidos poderiam disputar separadamente o primeiro turno sem desfazer necessariamente suas relações políticas.

Essa possibilidade deixou de existir para Fabrício com a formação integrada por PT, PCdoB e PV. As três legendas precisam apresentar uma candidatura conjunta, o que impede o deputado de disputar o primeiro turno contra um candidato petista enquanto permanecer na federação.

O crescimento de sua votação em Vitória da Conquista, de 11.315 votos em 2022 para 21.456 neste ano, é um dos argumentos apresentados para quem defende deputado como opção da esquerda. Mas Fabrício não confirma seu interesse. Em entrevista a este BLOG, publicada em 17 de outubro, defendeu que a federação construísse uma candidatura capaz de reunir os partidos de oposição, sem antecipar a escolha de um nome.

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