Futebol: Bode precisa muito da torcida na prova de fogo deste domingo. Mas, torcedores têm fugido do Lomantão

Sem Bahia e Vitória média de público nos jogos do Vitória da Conquista no Lomanto Júnior não chega a dois mil torcedores, de 2010 para cá

À exceção de 2015, quando o ECPP Vitória da Conquista fez a sua melhor campanha e foi vice-campeão baiano, desde 2011, último ano do programa Sua Nota é um Show, a média de público dos jogos do ECPP Vitória da Conquista não passa de três mil pessoas. Mesmo naquele ano, a média de torcida foi de 4.554,67 pagantes e isso porque os dois jogos contra o Bahia tiveram 14.095 pessoas, mais da metade da soma do público dos seis jogos. Naquele torneio, o alviverde conseguiu 78% dos pontos em casa, com quatro vitórias, sendo duas frente ao Bahia, e dois empates. Na vitória no primeiro jogo final a arquibancada lotou. O time venceu por 3 a 0 e carregou a torcida junto, mas a esperança de ser campeão foi decepada com uma fragorosa derrota por 6 a 0, na Fonte Nova.

Time que foi vice-campeão em 2015. Ao fundo, a torcida. Havia quase 10 mil pessoas no estádio, 8.369 pagantes.

No Baianão de 2014, 12.735 pessoas pagaram para assistir aos jogos do Vitória da Conquista no Lomantão, média de 2.547 torcedores para cada um dos sete jogos. Foi um dos anos mais decepcionantes, o último da rivalidade com o Serrano. O último jogo entre os dois times conquistenses deu apenas 189 pagantes, o segundo pior público do Bode no Lomantão. Os dois jogaram três vezes naquele ano e foram para as semifinais. O primeiro jogo do Clássico do Café teve 1.850 torcedores, e somente 590 nas duas partidas de disputa de 3º e 4º lugares.

Em 2016, menos gente ainda saiu de casa nos dias do jogo de Vitória da Conquista para ir ao Lomantão. Foram apenas dois jogos em casa, já que o time foi obrigado a mandar o campo no estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, porque o estádio conquistense estava em reforma. Os dois jogos tiveram 2.121 pagantes, fazendo uma média de 1.260,5 torcedores por jogo. Em 2017, tendo feito seis partidas em casa, a média de público foi de apenas 1.835,5 pagantes. E isso porque jogos com Bahia e Vitória atraíram 6.593 torcedores, 60% do total do público dos cinco jogos que o Bode fez em casa naquele ano.

No dia 4 de fevereiro de 2018, 723 pagantes do Bode viram a derrota para o Juazeirense

No ano passado, a torcida resolveu sumir de vez. Foram cinco jogos e o número de torcedores que pagaram ingresso foi 6.011, uma média de 1.202,2 pessoas por jogo, a menor da história, menor até que do campeonato de 2016, quando o Vitória da Conquista só fez duas partidas no Lomantão.

MENOS DE CEM

Em 2013, o Bode teve oito jogos em casa, com 16.375 torcedores ao todo, média de 2.046,8 por jogo. Mas, fora as partidas com o Bahia, que registrou 8.744 pagantes, e o com o Juazeiro, com 2.583, somando, os dois, 11.327, 69% do total, o restante foi totalmente decepcionante. Foi quando o Vitória da Conquista teve um jogo contra o Feirense que só 92 torcedores viram. O menor público da história do clube e, provavelmente, do Lomantão. Naquele ano, Bahia e Vitória não jogaram em Vitória da Conquista, uma dessas peripécias que se viam no campeonato baiano.

No ano anterior o alviverde conquistense fez 14 jogos no Lomantão, apenas pelo Baianão, um deles como visitante, contra o Serrano. Foram ao estádio e pagaram ingresso 19.768 torcedores, com média de público por jogo de 1.412 pessoas. Naquele ano o maior público foi de Vitória da Conquista e Bahia, pela disputa da semifinal, com 4.859 pagantes. Fora este o jogo com o Vitória (2.404 pagantes), nenhuma partida teve mais que 1.722 pagantes e com o Juazeiro foram apenas 386.

NOTAS FISCAIS E MAIS TORCIDA

Mesmo nos anos do Sua Nota é um Show a média de público não foi tão alta, em razão da grande quantidade de jogos. Para efeito de comparação: este ano o Vitória da Conquista fará apenas quatro jogos em casa, 2018 foram cinco, 2017 seis, em 2016 seriam quatro e 2015 seis, 2014 sete e 2013 oito. Em 2012, quando havia a esperança de que o governo do Estado iria prorrogar a parceria, a competição foi definida com 12 clubes, como nos torneios anteriores, afinal, era rentável. Segundo o então presidente da Federação Baiana de Futebol (FBF), o Sua Nota é um Show levou mais de 220 mil pessoas aos estádios de futebol do interior durante o campeonato de 2011, 85% do público presente em todos os jogos da competição.

Em 2011, quando dez notas fiscais podiam ser trocados por um ingresso, o total de público nos jogos do Vitória da Conquista no estádio Lomanto Júnior chegou a 38.805 torcedores, média de 4.311,66 por jogo, a segunda maior desde 2010. Todos os jogos tiveram acima de 1.300 pagantes. O maior público, como sempre, foi em jogo contra o Bahia: 6.610 pagantes e o menor no jogo com o Camaçari: 1.348. Naquela competição, o ECPP perdeu duas em casa (para Vitória e Bahia de Feira), empatou também duas e ganhou cinco, inclusive do Serrano (3 a 2), com aproveitamento de 63% dos pontos.

A pesquisa sobre o público pagante em jogos do Vitória da Conquista no estádio Lomanto Júnior só contempla os campeonatos de 2010 a 2018. Os dados sobre público dos torneios anteriores não estão disponíveis no portal da Federação Baiana de Futebol e nem foram encontrados na internet. Em 2010, ainda no tempo da troca de notas por ingressos, o Bode jogou com nove partidas em casa, que recebeu 31.144 pagantes, média de 3.640,44 por jogo. Os jogos contra Bahia (4.539) e Vitória (5.968) tiveram os maiores públicos. Todos tiveram mais de três mil pagantes, à exceção do jogo contra o Bahia de Feira (2.114) e Atlético de Alagoinhas, que teve 541 pagantes.

A queda abrupta de público nesse jogo se explica: nos seis jogos anteriores o Vitória da Conquista perdeu quatro, empatou um e ganhou apenas um, aproveitamento de 28%. Perdeu antes para Bahia de Feira (fora), Vitória (fora) e empatou com o Atlético, depois de ganhar do Ipitanga na casa deles, perder para o Bahia (fora) e empatar com o Feirense (fora). De 18 pontos ganhou 5 (27,77%).

De 2010 para cá o Vitória da Conquista fez 66 jogos no estádio Lomanto Júnior pelo Campeonato Baiano, perfazendo um público de 165.700 pagantes, média de 2.510. Sem os nove jogos contra o Bahia e sete contra o Vitória, a média cai para 1.871,58. Considerando que em alguns jogos os times visitantes atraem também torcedores, pode-se arredondar a média para 1.900 pagantes por jogo, sem os dois maiores times do estado. Cabe a pergunta, seria esta a quantidade de torcedores fiéis do Bode na cidade?

Contra a Jacuipense, última vitória do Bode no Baianão, em 14 de fevereiro de 2018: 381 pagantes.

O desempenho do time no ano passado – quando perdeu quatro em casa e ganhou apenas uma, tendo a menor participação da torcida em toda a história do clube -, somado aos primeiros resultados do começo do campeonato, com duas derrotas para Vitória e Bahia de Feira, que deixaram o Vitória da Conquista em último, provocam uma dúvida natural: o torcedor vai ao Lomantão neste domingo ou vai preferir subir a serra do Periperi para ver o pôr do sol?

Eu vou ao campo, na condição de repórter, mas torcedor que é torcedor vai. Sem torcida, não há esperança. Como disse o presidente do ECPP Vitória da Conquista, Ederlane Amorim, “a nossa torcida não é o 12º jogador, mas nosso jogador mais importante. [Com ela] Aqui dentro, sempre foi muito difícil perdermos jogos.”

Aqui, vale um registro: jogando pela Série D, no mês de maio do ano passado, o Vitória da Conquista ficou invicto em casa. De três jogos, venceu dois e empatou um. Os três jogos foram vistos por 1.350 torcedores. O time terminou em terceiro no grupo A9, que tinha Treze, da Paraíba; o Itabaiana, de Sergipe e o Santa Rita, de Alagoas.

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