Polêmica | Mãe de Santo denuncia homofobia, racismo e intolerância religiosa em Conquista

Polêmica | Mãe de Santo denuncia homofobia, racismo e intolerância religiosa em Conquista


Em um momento em que se verifica postura histórica do Poder Público Municipal, que, por meio da Coordenação de Igualdade Racial, realiza um mapeamento das comunidades de terreiro do município, com o fim de montar um banco de dados que ajude no reconhecimento jurídico e administrativo dos terreiros, atendendo a decreto municipal de novembro de 2017, que reconhece os povos e casas de terreiros como templos sagrados, acontece o registro de uma ocorrência de intolerância religiosa e homofobia que teve como vítima a yalorixá Rosilene Santana, a Mãe Rosa.

Segundo ela, uma mulher ligada a uma igreja evangélica a agrediu por sua condição homossexual e religiosa, o que a levou a procurar o pastor Wellington da Silva, dirigente da igreja da suposta agressora, para relatar o ocorrido e pedir providências, quando o próprio dirigente religioso a ofendeu e agrediu fisicamente. A polícia foi acionada e registrou o boletim de ocorrência. Hoje pela manhã, Mãe Rosa compareceu ao Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep), acompanhada da defensora pública, Jeane Meira Braga, e reforçou a denúncia, segundo o blog Blitz Conquista.

Em entrevista ao blog, Mãe Rosa contou que os insultos de intolerância religiosa começaram a partir de uma mulher que frequenta uma igreja evangélica próximo ao seu terreiro. “Eu saí para ir ao mercado comprar pão. Na volta vim conversando com uma senhora. Na porta do terreiro ela me perguntou se era minha casa. Respondi que sim, e ela começou a dizer que eu precisava de oração. Tentei explicar que tinha minha religião, minha crença própria e ela questionou minha orientação sexual: “Você é sapatão, né?”, e começou a me xingar me chamando de macumbeira, sapatão”.

Na tarde de ontem (30), de acordo com o BConquista, a yalorixá foi à residência do pastor relatar os insultos da frequentadora da igreja e, para surpresa dela, as agressões continuaram. “Fui até a casa do pastor e a filha dele disse que ele estava na igreja, mas eu poderia ir lá. Pedi pra conversar, mas ele já veio me agredindo fisicamente, com o dedo em riste, batendo no meu peito”, contou. “O pastor começou a falar que minha casa era um antro de perdição, cheio de negrinhas, e que enquanto ele tiver Jesus vai fazer de tudo para tirar o terreiro de lá porque lá é um ponto do Satanás”, completou.

O BLOG não conseguiu contato com o pastor.

O caso também foi assunto de matéria no Bahia Meio Dia, da TV Sudoeste, que trouxe uma versão do pastor. Segundo Wellington da Silva, ele e Rosilene se conhecem há muito tempo e tinham uma boa relação. O pastor não gravou, mas disse à repórter Ariela Bonfim que a Mãe de Santo estaria embriagada quando conversou com a membro da igreja que ele dirige. Rosilene teria dito à outra mulher que pediria aos orixás que a abençoassem, tendo ouvido da evangélica que ela faria orações pela Mãe de Santo. Wellington falou à repórter que, depois disso, Rosilene entrou na igreja muito chateada, causando alvoroço, para conversar com ele, e afirmou que em nenhum momento houve agressão, o que pode ser testemunhado pelas pessoas que estava no templo.

Assim como fez Rosilene Santana, o pastor também registrou um boletim de ocorrência no Disep, segundo a jornalista da TV Sudoeste. Clique AQUI e veja a matéria do Bahia Meio Dia.

2 comentários sobre “Polêmica | Mãe de Santo denuncia homofobia, racismo e intolerância religiosa em Conquista

  1. A defesa do Pastor Welligton da Silva está absolutamente tranquila e entende que tudo não passa de ‘glamuralização’ do episódio por uma pequena parte da comunidade LGBTQQICAPF2K+ que ainda não foi devidamente esclarecida quanto ao novo tipo penal criado recentemente pelo Egrégia Magna Corte.
    Cumpre salientar que o fato noticiado até a presente data sequer foi objeto de início de persecução criminal e que todos que contribuírem direta ou indiretamente para denegrir a imagem do Pastor ou de sua igreja serão devidamente acionados após o término da ação penal por ocasião de sua absolvição, se é que haverá oferecimento de denuncia pelo MP e consequente aceitação por parte do Estado-Juiz.

    Jean Ricardo Gusmão Vieira
    Advogado

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