João Roma: PL ainda pode se unir a Sheila, apesar de ter um pré-candidato agora e outro sendo aguardado. Lúcia também é uma opção

João Roma: PL ainda pode se unir a Sheila, apesar de ter um pré-candidato agora e outro sendo aguardado. Lúcia também é uma opção

De agora até as convenções partidárias, que devem ocorrer no período de 20 de julho a 5 de agosto do ano que vem, muita gente vai falar de política, partidos e candidatos. Afinal, instituída duas eleições atrás, a pré-campanha é um fato cada vez mais antecipado. A algumas falas é bom prestar atenção, porque são de pessoas que estão imbuídas da autoridade ou da responsabilidade de falar por um grupo inteiro e o que elas disserem pode ter o impacto de uma bomba ou o estalar de um traque de São João e isso alterar cenários e opiniões.

Um desses personagens que vale prestar atenção falou, ontem (31), em entrevista pelo telefone ao vereador e radialista Luís Carlos Dudé, no programa Jornal 107, da Brasil FM. João Roma, presidente estadual do PL, nada menos que ex-ministro prestigiado do presidente Jair Bolsonaro, ex-deputado federal, ex-secretário mais forte do prefeito ACM Neto, ex-candidato a governador da Bahia, que ficou na terceira colocação em 2022.

Esperava-se que Roma fosse categórico, menos subjetivo, como ele disse, e esclarecesse de uma vez por todas, como fez Lúcio Vieira Lima, presidente de honra e porta de voz de fato do MDB, em relação a Lúcia Rocha: a vereadora será candidata prefeita, sem chance de ser vice ou de desistir, e tudo o que for dito diferente disso é estratégia dos adversários para enfraquecer a pré-candidatura dela.

Mas, o ex-ministro, que fala muito bem, abriu uma cratera ainda maior de dúvida em relação aos planos do PL em Vitória da Conquista. Foi retórico e dialético ao mesmo tempo. Senão, vejamos:

Pré-candidaturas são experimentais: “Em Conquista, nós temos, sim, como primeiro interesse ter uma candidatura própria. Em não sendo viável, em não surgindo um nome que realmente demonstre essa expectativa de vitória, é possível ter um entendimento”;

Dobradinha com Sheila depende de mais conversa: “No começo do ano, eu tive uma conversa com a prefeita Sheila, mas, de lá para cá, termina que nós não voltamos a avançar em entendimentos, inclusive em propostas, porque mais do que uma candidatura, o PL tem bandeiras que precisa defender, em respeito ao nosso eleitorado, às pessoas vinculadas ao nosso partido”.

Na fala acima, João Roma diz claramente que, na primeira conversa com a prefeita colocou algumas condições, talvez ideológicas, talvez táticas, e que ela não topou. Mas, depreende-se do que disse o ex-ministro, que se Sheila aceitar as bandeiras do PL a costura será feita.

Com Ivan Cordeiro, a proposta inicial que pode ser a final

Como não houve o avanço que interessava ao PL, o plano A era Ivan Cordeiro: “Então dentro disso, o que é nós começamos a fazer? Estimulamos a candidatura do vereador Ivan Cordeiro, inclusive com convite oficial para ele vir ao partido, coisa que ele ainda não consolidou, mas é um nome, sem dúvida nenhuma, de muito peso para a cidade de Conquista, então, ele continua bem-vindo aos quadros do PL, ele chegando aqui é uma das hipóteses que a gente considera com todo carinho e é um nome que eu acredito muito viável”.

Ivan não pôde dizer sim, logo, abriu espaço para Washington: “Mas, no momento atual, nós estamos com o nome do Washington, que está desenvolvendo um trabalho de estruturação partidária, acredito que ainda este ano nós teremos um grande encontro em Conquista para que a gente possa, justamente, juntar toda essa base e buscar, sim, todos os meios para fortalecer uma candidatura do PL em Vitória da Conquista”.

Com Washington, ao centro, e com o presidente local do PL, Flávio Farias

Mas, se Ivan quiser, a conversa muda: “Enfim, só para ser mais claro e não ser tão subjetivo: hoje nós estamos com o nome de Washington, trabalhando para que ele se viabilize como candidato que levante nossas bandeiras na sucessão aí em Conquista, mas o nome do vereador Ivan Cordeiro é sempre um nome cogitado, é um nome bem-vindo no PL e aqui as portas estão abertas para que ele também venha fazer parte desse projeto. Não só pelas nossas relações pessoais, mas pelo trabalho que ele tem desempenhado”.

Duas opções, estilo ACM: “Então, nós temos, portanto, já de cara, sinalizado duas opções importantes e que têm a ver com o dia a dia da cidade de Conquista. Hoje, já filiado ao partido, já com nosso aval, o Washington, já pré-candidato a prefeito; e o convite para vir se integrar, participar do projeto, já oficializado também, para o vereador Ivan Cordeiro”.

Sobre o trecho acima, lembro-me de uma conversa que tive com um jornalista carlista acerca do método que teria sido utilizado pelo ex-governador Antônio Carlos Magalhães para resolver o impasse de ter mais de um nome querendo ser candidato ao cargo de governador em 1994. Os pretendes seriam Paulo Souto, Waldeck Ornelas e Benito Gama. Conta o meu colega que, embora já tivesse o nome de sua preferência, ACM disse aos três para buscarem viabilizar os nomes e quem aparecesse melhor na proximidade da convenção seria o escolhido. Deu Paulo Souto. Roma, no caso conquistense, parece seguir a cartilha.

Vai ter conversa com Lúcia também: “Não há portas fechadas [para a prefeita Sheila Lemos], mas também não há, digamos, nada consolidado nesse sentido [de associação política com a prefeita]. Como também não tem portas fechadas para o entendimento, por exemplo, com a própria Lúcia, que se destacado nas pesquisas em Conquista. Já nos procurou, ainda não sentamos, mas ela pediu contato conosco, que queria somar esforços”.

Com a prefeita Sheila Lemos e a vereadora Lúcia Rocha, à direita

Se aceitar as regras, tem jogo: “Agora, o que vai nortear, obviamente, tudo isso, são as regras que falei no início: o fortalecimento do PL por todo o estado da Bahia e a proximidade com as bandeiras. O meu encontro com o prefeito Bruno Reis não foi um encontro para tratar de cargos, mas foi tratar de propostas para a cidade de Salvador”.

Só não o PT: “Uma bandeira muito importante que é inerente ao PL, inclusive muito marcada no governo do presidente Bolsonaro, que é a diminuição de impostos; nós defendemos a liberdade do cidadão, a autonomia para que as pessoas tenham acesso ao seu sustento, melhorar de vida. Então, nós queremos um país com menos impostos, portanto, essa é uma das principais bandeiras que nós abraçamos e é legítima dentro do PL, então, por conseguinte, eu não vou conseguir ter uma conversa dessa com um integrante, por exemplo, do PT, lá em Salvador, uma vez que o PT só faz aumentar impostos”.

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