Barragem do Rio Pardo, um sonho que não morre nem viceja
No mês passado, a prefeita Sheila Lemos entregou uma cópia do projeto da barragem do Rio Pardo para o ministro Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional. Ela também entregou o mesmo pleito ao então presidente Jair Bolsonaro, quando ele passou pela cidade, em setembro de 2021. Herzem também levou uma cópia ao ministro da Integração Nacional do governo Temer e ao próprio Temer. E quando Bolsonaro esteve em Vitória da Conquista para inaugurar o novo aeroporto, o ex-prefeito reforçou o pleito.
Antes de Sheila e Herzem, Guilherme Menezes apresentou o projeto à presidente Dilma Rousseff e aos dois ministros da Integração Nacional do governo dela, Fernando Bezerra Coelho e Francisco José Teixeira.
E ainda antes deles todos, Murilo Mármore, José Pedral Sampaio e Raul Ferraz fizeram o mesmo pedido a vários ministros de vários governos.
A ideia da barragem do Rio Pardo data dos anos 1930, mas ganhou força como projeto fundamental nos anos 1980. Pedral só falava nisso. O sonho da barragem chegou a se tornar uma campanha regional, com reuniões, material de divulgação, camisetas e discursos, mas esbarrou em dois pontos cruciais: a falta de dinheiro e a complicada relação política dos principais líderes locais com os governantes estaduais (isso até 1992, quando Pedral se aliou a ACM) e a pouca força no plano federal.
Entre 2013 e 2015, no governo de Guilherme Menezes, a ideia virou um projeto. A Prefeitura contratou, com recursos do governo federal, a empresa IBI Engenharia, responsável pelos projetos básico, executivo, de impacto ambiental e do sistema adutor de 49 quilômetros para levar a água da barragem até a estação de tratamento em Barra do Choça. O projeto custou pouco mais de R$ 4 milhões.
De lá para cá, a importância da barragem é ressaltada por todos os políticos em atuação, com e sem mandato. E tem sido uma das bandeiras de pré-candidatos a prefeito.
Entretanto – sempre tem um entretanto – o custo atualizado para construir a barragem do Rio Pardo é de cerca de R$ 610.388.938,61, valores atualizados pela calculadora disponibilizada pelo Banco Central, com base no último orçamento feito pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) em abril de 2017.
Considerando que a barragem do Catolé já consumiu quase R$ 50 milhões e ainda custará R$ 180 milhões do PAC 3, é quase utópica a crença de que o governo federal – só ele disporia dos recursos – investirá quase R$ 1 bilhão para fazer duas barragens, se uma delas, a do Catolé, segundo dados do governo estadual, terá capacidade para abastecer Vitória da Conquista, Belo Campo e Tremedal “pelos próximos 60, 70 anos”, agora pelas contas do governador Jerônimo Rodrigues. Antes, com Rui, seriam 30 anos.
Creio que teremos que esperar esses 30 anos para ver se a ideia da barragem do Rio Pardo continuará no discurso, nas reuniões de gabinetes ministeriais ou virará realidade. Por enquanto, é um sonho que não morre nem viceja.
Em novembro de 2018, o BLOG publicou uma matéria sobre a história do movimento pela construção da barragem do Rio Pardo. Sua leitura ajuda a conhecer melhor esse sonho prolongado. Para ler, clique aqui.



