Eleição conquistense | Polarização, como querem Sheila e Waldenor, só será real sem Lúcia no caminho. Mas, ela segue firme
O pré-candidato do PDT a prefeito de Vitória da Conquista, o advogado Marcos Adriano, já disse que a coincidência das falas da prefeita Sheila Lemos (União) e do PT de que a eleição deste ano será uma disputa polarizada, tendo ela de um lado e Waldenor Pereira de outro, não é uma estratégia combinada diretamente, mas é uma tática conveniente para ambos e objetiva afastar o eleitor das demais opções. Marcos Adriano fala dele, de David Salomão (sem partido), Doutor Washington (PL), Edilson Gusmão ou Romilson Filho (PP) e Lúcia Rocha (MDB).
Pode-se dizer que o pré-candidato do PDT está certo. Contudo, a despeito do valor e da legitimidade das possíveis candidaturas reunidas no grupo Reage Conquista, que podem crescer e se tornar viáveis, como pode acontecer com qualquer uma (lembrando que o coronel Ivanildo tem sido lembrado nome a prefeito), as pesquisas de intenção de voto apontam que são pré-candidaturas ainda longe de significar uma ameaça a essa dualidade poder municipal versus Partido dos Trabalhadores em Vitória da Conquista. Essa ameaça tem outro nome: Maria Lúcia Santos Rocha.
Do alto de seus oito mandatos de vereadora, 32 anos de política, três excelentes votações como candidata a deputada e uma proximidade inédita com a população da periferia e da zona rural, Lúcia Rocha é a candidata a ser vencida. E vencida agora, antes da eleição, porque sua estabilidade nas pesquisas, a força que parece obter a cada visita, a cada contato com as pessoas nas feiras, nas casas, nos bairros, na roça, fazem da candidatura dela a ameaça mais letal aos projetos tanto de Waldenor quanto de Sheila.
‘Desidratar’, este é o verbo que usam os analistas que torcem para que Lúcia não avance. ‘Falta de estrutura’, é a explicação que dão os especialistas que desejam que Lúcia desidrate. Nisso tudo, o mais incrível é que essa turma faz de conta que não vê que a pré-candidata do MDB se mantém à frente dos dois adversários principais, mesmo com toda tentativa de isolamento, que une empresários interessados em manter o mesmo grupo na Prefeitura, e lideranças que querem agradar ao governador Jerônimo Rodrigues e à fortíssima linha de poder que inclui o presidente da República.
Outra opção oferecida ao eleitor que diz, desde já, pretender votar em Lúcia Rocha para prefeita de Vitória da Conquista, é tê-la como vice-prefeita. Quase sempre de Waldenor, cujo partido, o PT, tem um excelente entendimento com o o MDB, ao ponto de apoiar o vice-governador Geraldo Júnior, correligionário de Lúcia, e receber do seu partido o apoio para o candidato petista em Feira de Santana, Zé Neto. Mas, o nome de Lúcia para vice tem lugar até nos sonhos de muitos sheilistas. Daí se dizer que a vereadora é o fiel da balança: para onde ela fosse, o ponteiro viraria e poderia significar eleição certa para quem dela tivesse o apoio.
A estratégia de desidratação, de minar uma pré-candidatura fazendo de conta que ele não existe ou lhe dando papeis que ela não assume, pode até dar certo. É tudo tática eleitoral e cabe em uma campanha, mas, eu lembro de um discurso feito pelo candidato Claudevane Leite, o Vane de Renascer (que também não tinha “estrutura na sua candidatura a prefeito de Itabuna em 2012): “Primeira pesquisa, Vane 10%; aí os nossos concorrentes (diziam) é o teto dele, ele não passa de dez, de jeito nenhum. Uma semana depois, 15. ‘Não, é o teto dele, não passa de 15’. Quinze dias depois, 20%, ‘é o teto dele, ele não passa de 20’. Com 15 dias depois, 25%, depois 30, 35 e estamos em primeiro lugar nessa cidade. Por isso, o desespero”.
Vane era vereador, um homem simples e popular, como é a mulher Lúcia Rocha. Venceu o preconceito. Foi eleito prefeito.


