Muito candidato e pouco partido, os efeitos das novas regras para a eleição de vereador

Muito candidato e pouco partido, os efeitos das novas regras para a eleição de vereador

Não está fácil fechar a conta. Este ano, cada partido ou federação (união de dois ou mais partidos válida por quatro anos) poderá lançar 24 candidatos a vereador, um a mais que as 23 cadeiras que a Câmara de Vitória da Conquista terá no ano que vem. Na eleição passada podiam ser 50% a mais. Tem partido com pré-candidato sobrando e líder partidário com medo de perder a legenda e não ter onde colocar seu grupo, enquanto há outros ávidos por ‘tomar’ esses partidos, para poder distribuir o excesso de gente que quer se candidatar.

Isso é mais complicado no lado da prefeita Sheila Lemos, onde, pelo menos, dez vereadores da bancada de situação devem sair dos atuais partidos para achar um lugar onde seja menos complicado se eleger. O que acontece, então? A chegada desses medalhões assusta e afasta os pretendentes sem mandato. Ninguém que ser escada e mesmo aqueles pré-candidatos com uma expectativa melhor de votação sabem que o vereador com mandato chega mais forte.

O fantasma também ronda o ambiente da oposição, no caso específico da federação que apoia Waldenor, que tem dois partidos que saíram com chapas completas em 2020, PT e PCdoB, e agora ainda tem o PV para colocar na mesma conta de 24 candidatos.

E as contas quase sempre são feitas considerando apenas 16 e não 24 vagas, porque oito são reservadas para mulheres. Como a cultura política brasileira praticamente exclui a mulher da condição de candidata, quase todo mundo que aparece como pré-candidato é do sexo masculino por isso, em alguns partidos, até para colocar mulher está difícil. Há duas explicações:

1. A Justiça Eleitoral está atenta ao golpe da cota, que levou à cassação de vereadores pelo país inteiro, por inscreverem mulheres apenas para preencherem a cota e usarem o recurso do fundo eleitoral, mas sem campanha efetiva, cabendo a elas o papel de ‘escadas’, de fato. Se vai ter mulher, precisa fazer campanha de verdade;

2. Pela falta da tradição já mencionada, poucas mulheres têm densidade eleitoral para serem consideradas viáveis em uma eleição de vereador. Como são apenas 24 vagas na chapa e existe a necessidade de o partido alcançar o chamado quociente eleitoral (este ano poderá ficar em torno 8.700 votos), a tendência é não ir além da cota obrigatória de 30%.

Contudo, como candidato a vereador é cabo eleitoral, aquele que pode exercer uma busca do voto mais eficaz até do que os profissionais contratados, não dá para abrir mão de candidata de 200 ou 300 votos, embora os candidatos masculinos que tenham histórico nessa faixa estejam no fim da fila e podem nem entrar na lista. Então, o jeito é tentar aumentar a rede de partidos. Mas, isso é assunto para outro momento.

Um comentário em “Muito candidato e pouco partido, os efeitos das novas regras para a eleição de vereador

  1. Diante do quadro atual, quem tem a ideia de ser eleito precisa entender que com menos de 1900 votos, ficará muito difícil, principalmente em partidos ou federação grande. Já os aventureiros das sobras também precisa entender que com menos de 1500 votos será impossível.

    Portanto aos amadores iludidos pelos ‘ caciques’, de plantão. Prestem atenção!

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