Índice coloca Conquista entre as últimas em avaliação do ambiente de negócios nas 101 cidades mais populosas do Brasil
Neste período em que pré-candidatos se preparam para buscar o voto dos mais de 254 mil eleitores conquistenses, o BLOG vem publicando estudos realizados por instituições e organizações nacionais que avaliam diversos índices relacionados ao estágio de desenvolvimento de Vitória da Conquista, nas mais diversas áreas, em especial economia, sustentabilidade e educação. Os estudos oferecem a quem está interessado nas questões da cidade, em especial os prefeituráveis, ferramentas para entender melhor as demandas e o potencial do município, onde as coisas estão melhores e piores, de modo a preparar com maior margem de acerto as suas propostas para o futuro.
O ranking a seguir foi elaborado pela parceria Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e Endeavor. O Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) analisa o ambiente de negócios das 101 cidades mais populosas do Brasil para avaliar quais possuem as condições mais propícias para o empreendedorismo, segundo os organizadores do estudo. Para isso, são analisados 48 indicadores, divididos entre 7 determinantes: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura.
Da Bahia, são avaliados quatro municípios, além de Vitória da Conquista, Salvador, Feira de Santana e Camaçari. Dos quatro, Conquista está em último no índice geral, sendo o 95º em nível nacional. Somente em dois determinantes, aparece fora da última posição entre os municípios baianos: Acesso a Capital, à frente de Feira de Santana e Camaçari; e Capital Humano, antes de Salvador e Camaçari. No determinante Mercado, Vitória da Conquista é o último lugar nacional.
Em relação ao ICE de 2022, apresentado no ano passado, o município caiu sete posições, de 87º para 95º. A oscilação foi negativa em quase todos os determinantes, à exceção de Acesso a Capital, onde saiu de 61º para 59º, e Inovação, deixando a posição 98º para 90º. Na tabela abaixo, o número à esquerda refere-se ao ICE 2023, o número após a barra é de 2022.
| Município | Geral | Ambiente Regulatório | Infraestrutura | Mercado | Acesso a Capital | Inovação | Capital Humano | Cultura Empreendedora |
| Salvador | 47 | 43 | 22 | 75 | 22 | 43 | 59 | 37 |
| Camaçari | 71 | 70 | 91 | 8 | 83 | 45 | 85 | 73 |
| Feira de Santana | 74 | 55 | 88 | 98 | 60 | 76 | 49 | 42 |
| Vitória da Conquista | 95 | 87 | 82 | 77 | 98 | 94 | 101 | 98 | 59 | 61 | 90 | 98 | 50 | 46 | 84 | 69 |
Segundo o relatório, os indicadores são calculados a partir de dados primários (coletados diretamente) e secundários (provenientes de outras pesquisas e bases já publicadas), e posteriormente, padronizados e então ponderados por meio de análise fatorial, que nos permite avaliar como as variações naquele indicador contribuem para o resultado final.
Desta forma, o ranking final é calculado exclusivamente com base em dados numéricos. Nenhuma informação qualitativa ou percepção subjetiva dos pesquisadores interfere na classificação de uma cidade no Índice. As políticas ou os programas específicos que forem implementados por um município só serão refletidos na classificação da cidade no índice caso provoquem efeitos (positivos ou negativos) em algum dos indicadores analisados no estudo.
Entenda cada determinante
De acordo com o relatório, no determinante Ambiente Regulatório estão retratados o tempo gasto com processos (burocráticos e judiciais), os custos dos impostos e a complexidade burocrática, que afetam diretamente a capacidade de empreendedores abrirem e manterem suas empresas, assim como de torná-las rentáveis.
Já o determinante Infraestrutura está diretamente ligado às conexões com outras cidades e países e aos custos envolvidos na manutenção da estrutura do negócio nas cidades. As condições urbanas e os custos de cada cidade — por exemplo, o custo do metro quadrado dos imóveis, o acesso à internet rápida ou a segurança urbana — são fundamentais para a decisão de o empreendedor abrir ou não um negócio na região e variam muito entre as cidades brasileiras. As oportunidades de negócio e o acesso a mercados são também resultado da infraestrutura das cidades uma vez que a existência de uma rede adequada de transporte interurbano proporciona maior inserção do empreendedor a novos mercados.
O determinante Mercado aponta para as condições básicas da economia local, as quais influenciam diretamente o potencial empreendedor de uma cidade: há mais oportunidades para empreender em mercados maiores, mais desenvolvidos e em crescimento. Isso porque há mais clientes potenciais em locais em que a população tem renda maior, e nos quais os governos e as empresas detêm mais capacidade de compras. Além disso, o nível de desenvolvimento da cidade, influenciado pelo índice de desenvolvimento humano e pelo seu crescimento econômico, também impacta na performance das empresas locais.
Se o ambiente regulatório, a infraestrutura e as condições de mercado definem as oportunidades para o empreendedor, o determinante Acesso a Capital é um fator chave para que as oportunidades se concretizem em empreendimentos. O acesso a capital é particularmente crítico para novos empreendedores e startups, para os quais o risco avaliado de seus negócios dificulta ou aumenta os custos de obter recursos financeiros. Apesar de convencionalmente se assumir que a oferta de capital não deveria ser objeto de política pública, a dificuldade de novos negócios obterem capital em virtude do risco que oferecem tornam necessárias políticas públicas de financiamento a empresas nascentes. Por essa razão, a disponibilidade de recursos financeiros nas cidades é um importante indicador de possibilidades de criação de novos empreendimentos.
O determinante Inovação é aquele com o qual o empreendedorismo está mais conceitualmente associado, devido à sua forte relação com a identificação de novos produtos, processos e mercados. Desse modo, apesar da importância das oportunidades de negócio e do acesso a capital para explicar a variação da atividade empreendedora entre cidades, a relação entre ambos é de mão dupla: de um lado, a inovação e o desenvolvimento tecnológico são a força motora do empreendedorismo; de outro, espera-se que os empreendedores sejam os agentes responsáveis pela disseminação da inovação e das transformações nos modelos de negócios. No ICE, o determinante de Inovação contempla grande parte dos insumos (os inputs) necessários para as empresas inovarem e os resultados obtidos (os outputs).
O determinante Capital Humano traz variáveis que traduzem a disponibilidade de mão-de-obra com maiores níveis de habilidades, que podem impactar na intensidade da atividade empreendedora de uma cidade. Esse determinante é extremamente relevante porque a capacidade de se recrutar pessoas mais bem qualificadas explica parcialmente a capacidade de manter e expandir negócios. Tal recurso é essencial, tanto que empreendedores brasileiros com os quais a Endeavor tem proximidade apontam a escassez de bons profissionais como um entrave importante à expansão de seus negócios. Desse modo, o determinante Capital Humano considera indicadores referentes tanto à oferta de mão de obra básica como de mão de obra qualificada nas cidades, bem como o custo de contratação de executivos.
Por fim, o determinante Cultura Empreendedora busca capturar se os moradores de uma determinada cidade manifestam interesse pela atividade empreendedora. Isso porque a literatura atribui grande relevância aos aspectos culturais que motivam indivíduos a abrirem novos negócios como alternativa de vida. É bastante provável que cidades com condições objetivas semelhantes, mas com culturas empreendedoras distintas, apresentem taxas diferentes de empreendedores na população. Não somente para homens, mas especialmente para as mulheres, por isso foi dado destaque à atividade das empreendedoras. Estas questões estão conectadas, por exemplo, pelo interesse das pessoas pelo empreendedorismo, e por instituições que atuam no tema, além do conhecimento sobre os processos de abertura de empresas, que se manifestam tanto por meio do subdeterminante Iniciativa, quanto pelo subdeterminante Instituições.



