Pílulas e venenos: todo mundo quer saber da pesquisa e do mistério da promotora; e mais da eleição conquistense
O mistério do ataque à promotora
Não é só dos resultados da pesquisa AtlasIntel/A Tarde que o conquistense que saber nessa eleição. A pesquisa cabeça de bacalhau, como está sendo chamada, está atrasada há mais de uma semana. A essa altura, todo mundo quer saber porque o instituto e o jornal não publicaram a pesquisa. Está ruim para quem? Está boa para quem? Aqui, mude o verbo para ‘estava’ – a pesquisa foi iniciada há quase 20 dias e já tem a sua validade questionada. A quem interessa atrasar ou esconder a pesquisa? Se sair, tanto tempo depois e já perto do dia da eleição, ajuda quem? Ou, por outro lado, atrapalha alguém? Toda especulação, agora, tem lugar e cabimento.

Mas, esse não é o único mistério criado nessa campanha conquistense. Os blogs mais acessados da cidade publicaram, ontem (9), uma nota do Ministério Público Estadual de repúdio a um “covarde ataque” contra a promotora de Justiça Guiomar Miranda de Oliveira Melo, de reconhecido histórico de serviços prestados a e em Conquista. Mas os blogs não dão qualquer indicação de qual teria sido o ataque e de quem partiu. Comentários publicados no Instagram perguntam exatamente isso. Os internautas querem que sejam respondidas, completamente, as questões básicas de um caso tornado público: quem, o quê, onde, quando e por quê? Em inglês, os famosos ‘five w’ do jornalismo, inspirados nas sete circunstâncias de Aristóteles (who, what, where, when e why, acrescidos de how – ‘como’).
Força, meu adversário!, e a mosca azul
Da mosca azul da política quase todo mundo já ouviu falar. Seria a atração pelo poder, o desejo de tornar-se um mandatário, um político com cargo. A mosca azul é contagiante e cega. Em uma eleição, a maioria dos que são picados por ela não percebe o quão improvável é que alcancem o objeto da sua ambição. Na verdade, têm certeza de que isso vai acontecer. Há casos de dar dó. Mas, quase ninguém tem coragem (ou o jeito) de dizer que aquele caminho vai dar em nada, ou quase nada.

Os picados pela mosca azul sem chance de eleição recebem os estímulos da família e dos amigos mais entusiasmados para prosseguir na sua caminhada para o sacrifício, sob o silêncio compassivo dos que se negam a avisar sobre o despenhadeiro à vista, mas o estímulo oportunista vem é dos adversários do topo, dos quais os vereadores de mandato (no caso de uma eleição municipal) são o primeiro exemplo; o outro são aqueles que, já testados na urna, parecem ter mais chance, porém precisam dos votos dos sacrificados para compor o tal do quociente ou mesmo as sobras, a xepa dos votos, que pode colocar na Câmara quem não teve condição de alcançar votação suficiente para pongar no quociente.
A cena que dá ilustração ao título deste texto seria um vereador de mandato ou um desses candidatos bem cotados a “estourar” de votos, dizendo ao sonhador picado pela mosca azul: “Tenho ouvido muito seu nome, acho que você pode ser um dos eleitos. Na minha lista tem eu, Mané, Zezé, você…”. Isso porque, afinal, os votos do sacrificado é que vão completar o quociente obrigatório, depois, as sobras. Sem a mosca azul, esses ambiciosos (nem sempre inocentes) úteis são muito mais que importantes: fundamentais.
DUAS NOTAS SOBRE A CAMPANHA DE MARCOS ADRIANO
Você quer primeiro a ruim ou a boa? Não dá tempo de esperar a resposta, vamos como a boa.
Excelentes o jingle e o novo vídeo de apresentação do candidato a prefeito de Vitória da Conquista, pelo Avante. Com uma letra leve e uma melodia sem aquele som de festa de paredão regada a litrão de cerveja preferido e usado pela maioria dos candidatos, Marcos Adriano coloca o “M” que quase todo mundo tem desenhado na mão, como a sua marca de atração. Desistiu da confusa ideia de mostrar sete dedos para representar o 7 do 70, que é o número dele. Deve ter percebido que mostrar cinco dedos de uma mão ao lado de dois dedos de outra mais parecia mais com 52, na matemática das mãos desenvolvida pelos adversários, em que quatro dedos mais quatro dedos, como Sheila, lembram o 44; e um dedo de uma mão e três de outra sugerem o 13, de Waldenor (que preferiu virar os indicadores e médias das duas mãos para baixo para representar o W). Lúcia Rocha optou pelo coração formado com indicadores e polegares.
Mas, para voltar ao elogio, o comercial/clip com a música também ficou muito bem feito. (Já esse negócio de Doutor Marcos, não sei não, viu? Meio metido…).
A nota ruim não é culpa de Marcos Adriano, que, como um guerreiro isolado, vem sendo desprezado pela direção estadual do partido dele. O candidato do Avante é o único que não recebeu nada do fundo eleitoral. Na sua prestação de contas aparece a quantia de R$ 71 mil que ele mesmo doou. Uma demonstração bem bisonha da relação do partido com seu candidato a prefeito na terceira maior cidade da Bahia aconteceu nos dias do Festival de Inverno. O presidente estadual do Avante ficou na cidade por quase 24 horas, foi ao festival, almoçou com amigos, passeou na cidade, só não avisou ao candidato, que fazia um ‘adesivaço’ na Praça Sá Barreto e não sabia que o líder estadual da sua agremiação estava em Conquista. Já o presidente, claramente, nem quis saber o que Marcos Adriano fazia naquele dia. Era campanha.



